Autor Questão de Crítica

Vol. X nº 69, 2018

28 de agosto de 2018 Editoriais

Em 2018 a Questão de Crítica completa 10 anos de atividades. Comemoramos duas vezes. A primeira, com um encontro na MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, realizado no Instituto Goethe, no qual pudemos relembrar a nossa história e falar dos planos para o futuro. A segunda comemoração foi no nosso Prêmio Questão de Crítica, realizado na última edição da festa Mise-en-scène, no Vizinha 123, no Rio de Janeiro.

Estamos revendo a dinâmica e a periodicidade de publicação da revista, experimentando publicar textos sem esperar que se feche uma edição, como estávamos fazendo antes. Essa edição, que está se formando aos poucos, conta com artistas convidados para escrever sobre seus próprios trabalhos ou sobre trabalhos de seus colegas, seus contemporâneos.

Na seção de processos, Rodrigo Portella escreve sobre o processo criativo da peça Tom na fazenda. Fabiano de Freitas escreve sobre Balé Ralé, o mais recente espetáculo do seu grupo, o Teatro de Extremos. Phellipe Azevedo escreve sobre Arame farpado, espetáculo criado no contexto do curso de Artes Cênicas da UNIRIO. Francis Wilker, Glauber Coradesqui e Giselle Rodrigues escrevem sobre uma experiência do grupo Aisthesis em Lisboa, em um intercâmbio com a coreógrafa Vera Mantero.

Além disso, dois artistas foram convidados a partilhar suas experiências em atividades pedagógicas da MITsp. Sara Antunes escreve sobre a oficina com a pesquisadora espanhola Victoria Perez Royo e Carlos Carretoni divide suas experiências na oficina realizada com o encenador polonês Krystian Lupa.

Diego de Angeli escreve sobre a proposta de criação dramatúrgica de A tríplice fronteira, projeto que envolve 5 artistas do Brasil, da Argentina e do Paraguai. A reflexão envolve dois textos, um publicado na seção de processos, que aborda mais diretamente os aspectos da criação, e outro publicado na seção de estudos, que fala sobre as premissas dramatúrgicas de um texto de Pier Paolo Pasonini, intilulado Calderón.

A seção de estudos traz ainda uma resenha do livro O teatro negro em perspectiva: dramaturgia e cena negra no Brasil e em Cuba, de Marcos Antônio Alexandre, por Soraya Martins e Anderson Feliciano, e um artigo do crítico e dramaturgo Rui Pina Coelho, de Lisboa, sobre o trabalho de Tiago Rodrigues, do Mundo Perfeito, estrutura sediada na mesma cidade.

Na seção de conversas, a atriz Tainah Longras entrevista a atriz e diretora Ana Kfouri, que fala sobre a proposta do CEAK, espaço inaugurado este ano no Cosme Velho, no Rio de Janeiro.

Caio Jade, do MONART – Movimento Nacional dos Artistas Trans, escreve sobre representatividade trans.

Na seção de críticas, Mariana Nunes escreve sobre Preto, da companhia brasileira de teatro; Tatiana Tibúrcio escreve sobre Traga-me a cabeça de Lima Barreto, solo de Hilton Cobra dirigido por Fernanda Julia; e Patrick Pessoa escreve críticas das peças Irina, de Raquel Iantas, Um animal que ronda, dirigida por Joelson Gusson, Tripas, de Pedro Kosovski, Há mais futuro que passado – um documentário de ficção, com direção de Daniele Avila Small, e Colônia, solo de Renato Livera com direção de Vinicius Arneiro.

Foto da home: Guto Muniz | Foco In Cena no Instituto Goethe – SP na programação dos Olhares Críticos da MITsp 2018.

Questão de Crítica – revista eletrônica de críticas e estudos teatrais

ISSN 1983-0300
Vol. X nº 69, 2018

Vol. IX nº 68, outubro de 2016 a agosto de 2017

27 de agosto de 2017 Editoriais

O mais recente número da Questão de Crítica é uma edição de transição. Depois de alguns anos publicando edições fechadas, pensamos que é hora de dinamizar os trabalhos e voltar a publicar textos críticos com mais agilidade. Assim, os textos vão sendo publicados enquanto as peças ainda estão em cartaz. Com a retomada dessa dinâmica, que era praticada nos nossos primeiros anos de atividades, a seção de críticas volta a ser uma prioridade.

Sinalizando o nosso desejo de aproximação com a dança, publicamos um texto de Ivana Menna Barreto sobre dois espetáculos que estiveram na 25ª edição do Festival Panorama, Batucada de Marcelo Evelin e Looping Bahia Overdub de Felipe Assis, Rita Aquino e Leonardo França.

Patrick Pessoa escreve sobre Vaga carne de Grace Passô, numa crítica em formato de carta endereçada à artista. No Rio de Janeiro, a peça ficou em cartaz no Sesc Copacabana e no Teatro Gláucio Gil e atualmente circula por festivais e faz temporadas em outras cidades.

Da cena carioca, João Cícero escreve sobre Cabeça – um documentário cênico, do coletivo Complexo Duplo, que estreou no Sesc Ginástico, fez temporada no Teatro do SESI, no Teatro Ipanema e tem participado de diversos festivais. Daniele Avila Small escreve sobre FOME – O musical, trabalho de Paulo Tiefenthaler que estreou no Espaço Cultural Sergio Porto e fez temporada no Teatro Poeira.

Dois textos contemplam recortes da programação do Festival de Teatro de Curitiba, do qual a Questão de Crítica participou com a ação Encontros de Crítica. Mariana Barcelos e Daniele Avila Small escrevem sob diferentes perspectivas em Identidade, tradição e o agora – crítica do 25º Festival de Curitiba e O Festival de Curitiba e o teatro da cidade.

Publicamos ainda dois textos produzidos no contexto da participação de membros da seção brasileira da Associação Internacional de Críticos de Teatro (AICT-IATC ) em eventos organizados por esta instituição. Renan Ji, que participou do Young Critics Seminar, realizado em Wroclaw, na Polônia, escreve sobre Vangelo de Pippo Del Bono, assistido nas Olimpíadas de Teatro, realizadas na mesma cidade em outubro e novembro de 2016.

Daniele Avila Small e Patrick Pessoa participaram do Congresso Internacional de Críticos de Teatro da AICT-IATC na Sérvia, em outubro de 2016, por ocasião do BITEF – Festival Internacional de Teatro de Belgrado. O diálogo aqui publicado é o registro da apresentação feita em inglês no Congresso, sobre o tema Newness in Global Theatre (Novidade no Teatro Global).

Clarisse Zarvos apresenta algumas impressões sobre sua estadia em Atenas, na Grécia, onde foi apresentar a performance Dramaturgias da peste, realizada na sede do grupo Kinitiras, e teve oportunidade de acompanhar o Festival de Atenas e Epidauro. Ainda sobre festivais, Daniele Avila Small escreve sobre duas peças apresentadas na Aldeia Jiquitaia do Sesc Tocantins, em julho de 2017: Ledores do breu da Cia do Tijolo de SP e Tempo de brincar, espetáculo de circo para crianças da Trupe Açu, de Taquaruçu, distrito da região serrana de Palmas.

Na seção de estudos, Francisco Mallmann escreve sobre a situação da crítica de teatro em Curitiba, no artigo intitulado A cidade sem crítica, que foi apresentado  em Lisboa, em junho de 2016, no Colóquio Internacional Lançar Diálogos: Crítica de Artes do Espectáculo e Esfera Pública.

A seção de processos traz dois textos, de criadores do Rio de Janeiro e de São Paulo. O artigo de Leandro Romano descreve o processo de criação do espetáculo O Figurante, da companhia Teatro Voador Não Identificado, que estreou no Sesc Copacabana em junho de 2016. Já Antonio Duran aborda a perspectiva da crítica interna na criação de Estudo sobre o masculino: primeiro movimento, resultado do projeto de Residências Artísticas do Teatro da Vertigem, em que atuou como diretor e dramaturgo.

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Os textos que os colaboradores da Questão de Crítica têm escrito durante as coberturas de festivais estão publicados no site da DocumentaCena – Plataforma de Crítica, projeto do qual fazemos parte com as nossas parceiras do Horizonte da Cena e do Satisfeita, Yolanda? :: http://documentacena.com.br/

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O período que compreende esta edição foi marcado pela realização de dois projetos importantes. O IDIOMAS – Fórum Ibero-Americano de Crítica de Teatro, que aconteceu na Caixa Cultural Curitiba em novembro de 2016, e o 5º Prêmio Questão de Crítica, que se deu no Sesc Copacabana em junho de 2016.

Todas as palestras e mesas-redondas do IDIOMAS estão disponíveis online no canal da DocumentaCena no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=VG7lg2KHZxU&list=PLp7dGSJIRRn6EDcPTly7oyhg138Pizfpn

Os registros em vídeo da entrega de todos os prêmios estão no Vimeo: https://vimeo.com/album/4672068

Questão de Crítica – revista eletrônica de críticas e estudos teatrais

ISSN 1983-0300
Vol. IX nº 68, outubro de 2016 a agosto de 2017

Vol. IX nº 67, abril de 2016

25 de abril de 2016 Editoriais

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Baixar o livro do 3º Encontro Questão de Crítica

A edição de abril de 2016 da Questão de Crítica, nosso nº 67, vem com a comemoração dos 8 anos de atividades da revista. Para celebrar o ciclo, realizamos uma edição que tem a crítica de teatro como tema central.

A seção de estudos tem cinco textos dedicados ao assunto, que apresentam férteis atravessamentos. Mariana Barcelos escreve sobre a autoria e sua ressonância na história da crítica teatral no Brasil, com apontamentos sobre o (nosso) atual cenário da crítica teatral estabelecida na internet. Daniele Avila Small faz uma reflexão sobre os desdobramentos do livro O crítico ignorante no artigo intitulado “Crítica de artista” propondo a troca de ensaios epistolares entre artistas como alternativa de interlocução crítica. Patrick Pessoa escreve um ensaio dialógico em que descreve uma conversa com o ator japonês Ryunosuke Mori – texto que integra o livro 3º Encontro Questão de Crítica, que será lançado em maio deste ano. Thiago Herzog analisa o modelo da crítica teatral jornalística de Sábato Magaldi nos anos 50 para pensar disputas, jogos de força e estratégias que levaram à consagração de determinada fórmula. Diego Reis escreve sobre o diagnóstico de esvaziamento e perda de força com que se depara a crítica teatral com a redução do espaço de publicação impressa e com o lugar de estabilidade entre o cânone e o consenso que parece caracterizar os exercícios críticos recentes.

Publicamos ainda um artigo em inglês do crítico português Rui Pina Coelho sobre a função da crítica e a era da Internet, no qual ele reflete sobre a aproximação entre as áreas (tradicionalmente distintas) da crítica, da criação e da dramaturgia, e as práticas que têm proporcionado esses avizinhamentos.

A seção de estudos conta ainda com a resenha de Kil Abreu para o livro mais recente de Edélcio Mostaço, Soma e Sub-tração: territorialidades e recepção teatral. Kil investiga os modos como Edélcio discute a recepção teatral à luz do  teatro brasileiro moderno e contemporâneo, e também como o autor se insere e opera  o trânsito entre diferentes gerações de críticos teatrais do país. Publicamos também um artigo de longo fôlego de Luiz Felipe Reis sobre Stifters Dinge, de Heiner Goebbels, que esteve em São Paulo em 2015 na MITsp.

Na seção de críticas, analisamos três peças cariocas, um espetáculo da cidade de Natal, uma peça de Belo Horizonte e cinco peças que estrearam em São Paulo.

Do Rio de Janeiro, Renan Ji escreve sobre Labirinto, espetáculo dirigido por Daniela Amorim com dramaturgia de Alexandre Costa e Patrick Pessoa. Pedro Kosovski escreve sobre Mamãe, solo de Álamo Facó, com dramaturgia dele, que também assina a direção com Cesar Augusto. João Cícero escreve sobre a montagem de Abajur lilás, de Plínio Marcos, dirigida por Renato Carrera. Jacy, do Grupo Carmin, de Natal, que esteve em cartaz no Rio e agora circula com o Palco Giratório também tem crítica de João Cícero. Caesar, montagem de Roberto Alvim que também esteve em cartaz no Rio, tem crítica de Dinah Cesare. Luciana Romagnolli escreve sobre Real – Teatro de Revista Política, do Grupo Espanca!, de Belo Horizonte.

O crítico português Jorge Louraço, que esteve recentemente em São Paulo, escreve sobre duas montagens paulistas, Teorema 21, criação mais recente do Grupo XIX de Teatro e Cais ou Da indiferença das embarcações, peça de Kiko Marques, da Velha Companhia. Luciano Gatti escreve sobre Mauser de Garagem, de Heiner Müller, montagem da companhia Les Commediens Tropicales. Edélcio Mostaço escreve sobre Cabras – Cabeças que rolam, cabeças que voam, trabalho mais recente da Cia. Balagan, encenação de Maria Thaís.

Na seção de conversas, Marco Vasques e Rubens da Cunha, editores do Caixa de Ponto – Jornal Brasileiro de Teatro, entrevistam Marcio Abreu, diretor da companhia brasileira de teatro.

Como parte do nosso projeto de colaborar para a internacionalização do teatro e do pensamento crítico no Brasil, publicamos traduções para o inglês de três textos da equipe de críticos da revista. São eles: uma crítica de Patrick Pessoa a partir de Ilíadahomero de Octavio Camargo; um artigo de Renan Ji e de Mariana Barcelos sobre o FIAC – Festival Internacional de Teatro de Salvador de 2015; e um texto de Daniele Avila Small sobre duas peças latino-americanas de teatro documentário. Ainda publicamos versões em inglês das críticas que escrevemos por ocasião da 3ª MITsp, realizada em São Paulo em 2016. Os integrantes da Questão de Crítica fizeram a cobertura do festival como parte da DocumentaCena – Plataforma de Crítica. Os espetáculos analisados são: Cinderela e Ça ira, de Joël Pommerat, Cidade Vodu do Teatro de Narradores, Still Life de Dimitris Papaioannu, An Old Monk de Josse de Pauw e (A)polônia de Krzysztof Warlikowski.

A seção de traduções também conta com mais um texto do encenador alemão (que teve um texto publicado na nossa edição de dezembro de 2015) Heiner Goebbels, “Pesquisa ou ofício? Nove teses sobre educação para futuros artistas performativos”, a tradução é de Luiz Felipe Reis. Publicamos ainda a segunda peça da Trilogia da Revolução, de Santiago Sanguinetti: Sobre a teoria do eterno retorno aplicada à revolução no Caribe, com tradução de Diego de Angeli. A primeira peça da trilogia também já foi publicada por nós, na edição de maio de 2015.

Disponibilizamos recentemente alguns vídeos de conversas com artistas no nosso canal no Vimeo. Assista em vimeo.com/questaodecritica.

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ISSN 1983-0300
Vol. IX nº 67, abril de 2016

Vol. VIII, nº 66, dezembro de 2015

24 de dezembro de 2015 Editoriais

 

Vol. VIII n° 66 dezembro de 2015 :: Baixar edição completa em pdf

A edição de dezembro de 2015 da Questão de Crítica traz, na seção de críticas, textos sobre peças que se apresentaram no Rio de Janeiro e em São Paulo. Algumas são produções de outras cidades, como BR-Trans (peça abordada também na seção de conversas), que esteve em cartaz no CCBB do Rio e recebe crítica de Mariana Barcelos, que analisa a encenação a partir de noções históricas do teatro político e refletindo sobre o uso da teatralidade na cena. Também é o caso de Projeto brasil, da companhia brasileira de teatro, espetáculo do grupo curitibano que fez temporada no Mezanino do Espaço Sesc. A crítica de Daniele Avila Small reflete sobre o espetáculo sob o ponto de vista da relação da peça com o espectador, a partir dos conceitos de interpelação e uptake, bem como aborda a obra como uma síntese e um ponto culminante do trabalho autoral do grupo.

Das produções cariocas, Renan Ji escreve sobre Brasil subterrâneo – A escada de Jacó, criação de Celina Sodré, do Studio Stanislavski, propondo uma reflexão sobre as imagens produzidas pelo espetáculo, que reverberam um substrato fundamental da cultura brasileira. Dinah Cesare faz a crítica de Guerrilheiras ou para a terra não há desaparecidos, projeto idealizado por Gabriela Carneiro da Cunha, com direção de Georgette Fadel e dramaturgia de Grace Passô, a partir das operações realizadas na peça como reinvenção da memória da Guerrilha do Araguaia. O espetáculo também está presente neste número na seção de processos. Ambos os trabalhos, tanto o de Celina Sodré quanto o dirigido por Georgette Fadel, estrearam no Espaço Sesc. De outro lado da cidade, Eles não usam tênis naique, peça mais recente da Cia. Marginal, que estreou no Teatro Glauce Rocha, é analisada por Priscila Matsunaga, que reflete sobre o descompasso entre a encenação e o texto dramático, considerando também os impasses de representação política.

De São Paulo, abordamos duas peças de grupos significativos para o teatro da cidade. Patrick Pessoa escreve sobre um experimento cênico radical, a encenação do velório de Maria Alice Vergueiro pela própria atriz e seu Grupo Pândega de Teatro, a peça Why the horse? O texto discute a influência de Brecht na constituição formal do espetáculo e a possível concepção de imortalidade ali presente. Luciano Gatti analisa Filoctetes, de Heiner Müller, pela Companhia Razões Inversas, do diretor Márcio Aurélio, que estreou na Funarte. O texto reflete sobre a encenação a partir do anacronismo da justaposição de clowns e gladiadores, proposição que partilha da pretensão não trágica do teatro de Müller.

Ainda na seção de críticas, publicamos reflexões sobre dois importantes festivais realizados na América Latina. Daniele Avila Small escreve sobre um recorte da programação do 10° FIBA – Festival Internacional de Buenos Aires, a partir de sua participação no Exploraciones Escénicas, projeto de intercâmbio entre críticos de diferentes países na capital argentina. Tendo em vista quatro peças de duas gerações diferentes, a crítica experimenta a ideia de um teatro de afetos para abordar o teatro portenho contemporâneo. Renan Ji e Mariana Barcelos tecem considerações sobre o pensamento curatorial que estrutura o FIAC – Festival Internacional de Teatro da Bahia, analisando a programação a partir de cinco categorias transversais: cartografia, corpo, musicalidade, mostra baiana e espectador.

Na seção de estudos, publicamos textos que contemplam o recorte temático desta edição, que se propõe a refletir sobre a ideia de imagem no teatro. João Cícero Bezerra escreve sobre a relação entre o pictórico e o dramático em A dama do mar, peça de Henrik Ibsen, adaptada por Susan Sontag e encenada por Robert Wilson, alcançando formulações críticas desligadas de qualquer vertente normativa de gênero. Mario Sagayama traça apontamentos sobre o sujeito, a voz, a imagem e o corpo no teatro de Samuel Beckett, a partir de questões históricas sobre o drama e em diálogo com a psicanálise lacaniana, tendo a temporalidade do a posteriori como conceito operador.

Natalia Nolli Sasso revisita a peça Nada, uma peça para Manoel de Barros, com direção de Adriano Guimarães, Fernando Guimarães e Miwa Yanagizawa, encenada em 2013 no Sesc Belenzinho, em São Paulo, abordando processos de criação e qualidades da fruição teatral a partir de lembranças e relatos de pontos de vista diversos. Juliana Pamplona analisa proposições de imagens cênicas de “dissociação” a partir da peça 4.48 Psychosis (Psicose 4.48) de Sarah Kane, da montagem de Hamlet pelo Wooster Group, e da peça Hotel Methuselah do grupo Imitating the Dog.

Luar Maria reflete sobre o espaço social contemporâneo em análise do espetáculo Mordedores, dirigido pelas coreógrafas Marcela Levi e Lúcia Russo. A avaliação do espetáculo se fundamenta no estudo do gesto e da corporeidade tendo a Análise do Movimento como principal aparato conceitual. Fabio Cordeiro discute a apropriação de formas corais na cena brasileira moderna, tomando como objeto a produção do Teatro de Arena enquanto referência para posteriores experiências de conjuntos teatrais contemporâneos.

Gabriela Lírio conversa com Silvero Pereira sobre sua trajetória profissional e a criação do espetáculo BR-Trans, que realiza um percurso (auto) biográfico do Nordeste ao Sul do Brasil, unindo histórias da experiência do autor com as travestis. Também na seção de conversas, Natalia Nolli Sasso relata e reflete sobre tentativas de conversa com os grupos envolvidos no episódio de ocupação das áreas do subterrâneo do Teatro Municipal no Vale do Anhangabaú, ocorrido na cidade de São Paulo nos últimos meses de 2015

Na seção de processos, publicamos dois textos sobre trabalhos realizados no Rio de Janeiro. Fabiano de Freitas fala sobre o processo de criação da série de radioteatro Radiodrama, contextualizando historicamente o gênero no Brasil e no mundo, refletindo sobre a perspectiva desse tipo de criação na contemporaneidade, bem como sobre questões da palavra e da imagem nas artes cênicas. A figurinista Desirée Bastos escreve sobre o processo de criação em seu trabalho com Guerrilheiras, ou para a terra não há desaparecidos.

Na seção de traduções, publicamos o texto de uma conferência de Heiner Goebbels em que o encenador reflete sobre como a ideia de ausência, tão importante na sua obra, se desenvolveu em Stifters Dinge e em seu trabalho ao longo dos anos. A tradução é de Rodrigo Carrijo, um dos idealizadores da revista Ensaia, que lançou recentemente o seu segundo número.

Tendo em vista a participação da peça Dissecar uma nevasca no STOF, Stokholm Fringe Festival, na Suécia, publicamos uma tradução para o inglês, feita por Leslie Damasceno, da crítica de Daniele Avila Small publicada anteriormente em português. Com isso, continuamos tentando fazer circular a informação e a reflexão sobre o teatro brasileiro para além das nossas fronteiras geográficas.

Por fim, publicamos uma peça do dramaturgo italiano Edoardo Erba, que tem duas peças traduzidas para o português por Beti Rabetti: Maratona de Nova York, encenada em São Paulo e no Rio de Janeiro, e a que publicamos nesta edição da Questão de Crítica, A noite de Picasso, levada à cena em Belo Horizonte.

Em 2016, continuaremos com nossas atividades regulares, com a publicação de novas edições, a realização do 5° Prêmio Questão de Crítica e do 3° Prêmio Yan Michalski, a publicação de vídeos na TV Questão de Crítica e a inauguração, como experimento, de um canal de podcasts.

 

 

 

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ISSN 1983-0300
Vol. VIII, nº 66, dezembro de 2015

Vol. VIII, nº 65, agosto de 2015

31 de agosto de 2015 Editoriais

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A edição de agosto de 2015 se dedica às múltiplas possibilidades de reflexão, no campo dos estudos teatrais, a partir das noções de arquivo e legado, que são abordadas em alguns textos da seção de estudos, conversas e traduções. Alguns textos da seção de críticas também abordam o tema.

Na seção de críticas, publicamos textos sobre peças que se apresentaram no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Curitiba. Edelcio Mostaço escreve sobre Aula Magna com Stálin, de David Pownall, encenação de William Pereira, destacando o teor discursivo em torno do realismo socialista.

Luciano Gatti escreve sobre O terno, texto de Can Themba e direção de Peter Brook, discutindo a retomada pelo encenador da concepção de teatro épico e suas consequências para a elaboração de um espetáculo não trágico. Gatti também escreve sobre os espetáculos da Ocupação SozinhosJuntos, dos Irmãos Guimarães, pensando a relação entre teatro e performance, e a relação entre as artes quanto à fidelidade ao texto beckettiano. Patrick Pessoa escreve sobre Ilíadahomero, projeto de Octavio Camargo, fazendo uma análise panorâmica da encenação de dez cantos homéricos apresentados no Festival de Curitiba de 2015.

Do Rio de Janeiro, Dinah Cesare escreve sobre Sexo neutro, refletindo sobre a questão contemporânea exposta pelo universo trans na peça escrita e encenada por João Cícero. Mariana Barcelos escreve sobre Caranguejo Overdrive, peça da Aquela Companhia, encenação de Marco André Nunes com dramaturgia de Pedro Kosovski, a partir de conceitos de conflito e sua representação na forma da cena. Outro espetáculo do mesmo grupo, Laio e Crísipo, é analisado por João Cícero a partir da pesquisa anterior do grupo sobre a Pop art, discutindo os entrecruzamentos com o aspecto crítico do pastiche.

Renan Ji escreve sobre as peças da Ocupação Copi: A geladeira, dirigida por Thomas Quillardet, e O homossexual ou A dificuldade de se expressar, encenada por Fabiano de Freitas, à luz do conceito de ator-travesti cunhado pelo próprio Copi para definir sua obra. Sobre O homossexual ou A dificuldade de se expressar, Caio Riscado analisa as escolhas das atuações, trazendo à discussão alguns conceitos da teoria queer e de outros estudos. Daniele Avila Small escreve sobre Krum, texto do dramaturgo israelense Hanoch Levin e encenação de Marcio Abreu, identificando procedimentos da encenação que conseguem capturar um estado de atenção no espectador.

A peça da companhia brasileira de teatro também aparece na seção de processos, com texto de Patrick Pessoa sobre o processo de criação, discutindo as questões dramatúrgicas surgidas ao longo das três primeiras semanas de ensaios. Ainda na seção de processos, Alexandre Dal Farra procura mapear as questões que perpassam as suas últimas peças – de Mateus, 10 a Abnegação I e II – tentando entender os reais “temas” de que as peças tratam, e apontando um caminho para a escrita da última parte da Trilogia Abnegação.

Na seção de conversas, Cassiana Lima e Fabrício Moser trocam ideias sobre Laura, peça que tem como tema a trajetória de sua avó: o encontro do artista com objetos, relatos e documentos que vêm à cena contar, poeticamente, a trajetória de uma personagem anônima que teve sua história silenciada pela família e pela comunidade, devido ao trágico desfecho de sua existência.

Na seção de estudos, Alessandra Vannucci escreve sobre o legado dos diretores teatrais italianos no teatro brasileiro da década de 1950, história recontada por diários, contos, roteiros, romances autobiográficos e um filme. Henrique Gusmão propõe uma discussão sobre a obra de Constantin Stanislavski a partir da análise do livro Stanislavski revivido, que reúne as transcrições de conferências e debates promovidos pela SP Escola de Teatro. Michele Zaltron também aborda o legado do encenador russo, destacando a prática do etiud como meio pedagógico fundamental, considerando sua relação estreita com o Método de Análise Ativa.

Luciana Romagnolli analisa quatro espetáculos da MITsp 2015 a partir das tensões entre teatro e cinema (WoyzeckSenhorita JuliaJuliaE se Elas Fossem para Moscou?). Dinah Cesare escreve sobre as proposições do narrador e o declínio da experiência segundo Walter Benjamim, a partir da performance O narrador, de Diogo Liberano.

Os estudos ainda contam com artigo de Viviane da Soledade sobre a recepção crítica de um espectador leigo a partir de uma carta de uma sócia de um clube de espectadores criado pelo Espaço Cultural Escola Sesc em Jacarepaguá no Rio de Janeiro

A seção de traduções traz um texto de José A. Sanchez, intitulado A pesquisa artística e a arte dos dispositivos, publicado em maio de 2015 no Catálogo da 12ª Bienal de La Habana, sobre o teatro contemporâneo a partir do paradigma da pesquisa. A tradução é de Luciana Romagnolli.

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A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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