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Vol. IX nº 67, abril de 2016

25 de abril de 2016 Editoriais

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Baixar o livro do 3º Encontro Questão de Crítica

A edição de abril de 2016 da Questão de Crítica, nosso nº 67, vem com a comemoração dos 8 anos de atividades da revista. Para celebrar o ciclo, realizamos uma edição que tem a crítica de teatro como tema central.

A seção de estudos tem cinco textos dedicados ao assunto, que apresentam férteis atravessamentos. Mariana Barcelos escreve sobre a autoria e sua ressonância na história da crítica teatral no Brasil, com apontamentos sobre o (nosso) atual cenário da crítica teatral estabelecida na internet. Daniele Avila Small faz uma reflexão sobre os desdobramentos do livro O crítico ignorante no artigo intitulado “Crítica de artista” propondo a troca de ensaios epistolares entre artistas como alternativa de interlocução crítica. Patrick Pessoa escreve um ensaio dialógico em que descreve uma conversa com o ator japonês Ryunosuke Mori – texto que integra o livro 3º Encontro Questão de Crítica, que será lançado em maio deste ano. Thiago Herzog analisa o modelo da crítica teatral jornalística de Sábato Magaldi nos anos 50 para pensar disputas, jogos de força e estratégias que levaram à consagração de determinada fórmula. Diego Reis escreve sobre o diagnóstico de esvaziamento e perda de força com que se depara a crítica teatral com a redução do espaço de publicação impressa e com o lugar de estabilidade entre o cânone e o consenso que parece caracterizar os exercícios críticos recentes.

Publicamos ainda um artigo em inglês do crítico português Rui Pina Coelho sobre a função da crítica e a era da Internet, no qual ele reflete sobre a aproximação entre as áreas (tradicionalmente distintas) da crítica, da criação e da dramaturgia, e as práticas que têm proporcionado esses avizinhamentos.

A seção de estudos conta ainda com a resenha de Kil Abreu para o livro mais recente de Edélcio Mostaço, Soma e Sub-tração: territorialidades e recepção teatral. Kil investiga os modos como Edélcio discute a recepção teatral à luz do  teatro brasileiro moderno e contemporâneo, e também como o autor se insere e opera  o trânsito entre diferentes gerações de críticos teatrais do país. Publicamos também um artigo de longo fôlego de Luiz Felipe Reis sobre Stifters Dinge, de Heiner Goebbels, que esteve em São Paulo em 2015 na MITsp.

Na seção de críticas, analisamos três peças cariocas, um espetáculo da cidade de Natal, uma peça de Belo Horizonte e cinco peças que estrearam em São Paulo.

Do Rio de Janeiro, Renan Ji escreve sobre Labirinto, espetáculo dirigido por Daniela Amorim com dramaturgia de Alexandre Costa e Patrick Pessoa. Pedro Kosovski escreve sobre Mamãe, solo de Álamo Facó, com dramaturgia dele, que também assina a direção com Cesar Augusto. João Cícero escreve sobre a montagem de Abajur lilás, de Plínio Marcos, dirigida por Renato Carrera. Jacy, do Grupo Carmin, de Natal, que esteve em cartaz no Rio e agora circula com o Palco Giratório também tem crítica de João Cícero. Caesar, montagem de Roberto Alvim que também esteve em cartaz no Rio, tem crítica de Dinah Cesare. Luciana Romagnolli escreve sobre Real – Teatro de Revista Política, do Grupo Espanca!, de Belo Horizonte.

O crítico português Jorge Louraço, que esteve recentemente em São Paulo, escreve sobre duas montagens paulistas, Teorema 21, criação mais recente do Grupo XIX de Teatro e Cais ou Da indiferença das embarcações, peça de Kiko Marques, da Velha Companhia. Luciano Gatti escreve sobre Mauser de Garagem, de Heiner Müller, montagem da companhia Les Commediens Tropicales. Edélcio Mostaço escreve sobre Cabras – Cabeças que rolam, cabeças que voam, trabalho mais recente da Cia. Balagan, encenação de Maria Thaís.

Na seção de conversas, Marco Vasques e Rubens da Cunha, editores do Caixa de Ponto – Jornal Brasileiro de Teatro, entrevistam Marcio Abreu, diretor da companhia brasileira de teatro.

Como parte do nosso projeto de colaborar para a internacionalização do teatro e do pensamento crítico no Brasil, publicamos traduções para o inglês de três textos da equipe de críticos da revista. São eles: uma crítica de Patrick Pessoa a partir de Ilíadahomero de Octavio Camargo; um artigo de Renan Ji e de Mariana Barcelos sobre o FIAC – Festival Internacional de Teatro de Salvador de 2015; e um texto de Daniele Avila Small sobre duas peças latino-americanas de teatro documentário. Ainda publicamos versões em inglês das críticas que escrevemos por ocasião da 3ª MITsp, realizada em São Paulo em 2016. Os integrantes da Questão de Crítica fizeram a cobertura do festival como parte da DocumentaCena – Plataforma de Crítica. Os espetáculos analisados são: Cinderela e Ça ira, de Joël Pommerat, Cidade Vodu do Teatro de Narradores, Still Life de Dimitris Papaioannu, An Old Monk de Josse de Pauw e (A)polônia de Krzysztof Warlikowski.

A seção de traduções também conta com mais um texto do encenador alemão (que teve um texto publicado na nossa edição de dezembro de 2015) Heiner Goebbels, “Pesquisa ou ofício? Nove teses sobre educação para futuros artistas performativos”, a tradução é de Luiz Felipe Reis. Publicamos ainda a segunda peça da Trilogia da Revolução, de Santiago Sanguinetti: Sobre a teoria do eterno retorno aplicada à revolução no Caribe, com tradução de Diego de Angeli. A primeira peça da trilogia também já foi publicada por nós, na edição de maio de 2015.

Disponibilizamos recentemente alguns vídeos de conversas com artistas no nosso canal no Vimeo. Assista em vimeo.com/questaodecritica.

Questão de Crítica – revista eletrônica de críticas e estudos teatrais

ISSN 1983-0300
Vol. IX nº 67, abril de 2016

Vol. VIII, nº 66, dezembro de 2015

24 de dezembro de 2015 Editoriais

 

Vol. VIII n° 66 dezembro de 2015 :: Baixar edição completa em pdf

A edição de dezembro de 2015 da Questão de Crítica traz, na seção de críticas, textos sobre peças que se apresentaram no Rio de Janeiro e em São Paulo. Algumas são produções de outras cidades, como BR-Trans (peça abordada também na seção de conversas), que esteve em cartaz no CCBB do Rio e recebe crítica de Mariana Barcelos, que analisa a encenação a partir de noções históricas do teatro político e refletindo sobre o uso da teatralidade na cena. Também é o caso de Projeto brasil, da companhia brasileira de teatro, espetáculo do grupo curitibano que fez temporada no Mezanino do Espaço Sesc. A crítica de Daniele Avila Small reflete sobre o espetáculo sob o ponto de vista da relação da peça com o espectador, a partir dos conceitos de interpelação e uptake, bem como aborda a obra como uma síntese e um ponto culminante do trabalho autoral do grupo.

Das produções cariocas, Renan Ji escreve sobre Brasil subterrâneo – A escada de Jacó, criação de Celina Sodré, do Studio Stanislavski, propondo uma reflexão sobre as imagens produzidas pelo espetáculo, que reverberam um substrato fundamental da cultura brasileira. Dinah Cesare faz a crítica de Guerrilheiras ou para a terra não há desaparecidos, projeto idealizado por Gabriela Carneiro da Cunha, com direção de Georgette Fadel e dramaturgia de Grace Passô, a partir das operações realizadas na peça como reinvenção da memória da Guerrilha do Araguaia. O espetáculo também está presente neste número na seção de processos. Ambos os trabalhos, tanto o de Celina Sodré quanto o dirigido por Georgette Fadel, estrearam no Espaço Sesc. De outro lado da cidade, Eles não usam tênis naique, peça mais recente da Cia. Marginal, que estreou no Teatro Glauce Rocha, é analisada por Priscila Matsunaga, que reflete sobre o descompasso entre a encenação e o texto dramático, considerando também os impasses de representação política.

De São Paulo, abordamos duas peças de grupos significativos para o teatro da cidade. Patrick Pessoa escreve sobre um experimento cênico radical, a encenação do velório de Maria Alice Vergueiro pela própria atriz e seu Grupo Pândega de Teatro, a peça Why the horse? O texto discute a influência de Brecht na constituição formal do espetáculo e a possível concepção de imortalidade ali presente. Luciano Gatti analisa Filoctetes, de Heiner Müller, pela Companhia Razões Inversas, do diretor Márcio Aurélio, que estreou na Funarte. O texto reflete sobre a encenação a partir do anacronismo da justaposição de clowns e gladiadores, proposição que partilha da pretensão não trágica do teatro de Müller.

Ainda na seção de críticas, publicamos reflexões sobre dois importantes festivais realizados na América Latina. Daniele Avila Small escreve sobre um recorte da programação do 10° FIBA – Festival Internacional de Buenos Aires, a partir de sua participação no Exploraciones Escénicas, projeto de intercâmbio entre críticos de diferentes países na capital argentina. Tendo em vista quatro peças de duas gerações diferentes, a crítica experimenta a ideia de um teatro de afetos para abordar o teatro portenho contemporâneo. Renan Ji e Mariana Barcelos tecem considerações sobre o pensamento curatorial que estrutura o FIAC – Festival Internacional de Teatro da Bahia, analisando a programação a partir de cinco categorias transversais: cartografia, corpo, musicalidade, mostra baiana e espectador.

Na seção de estudos, publicamos textos que contemplam o recorte temático desta edição, que se propõe a refletir sobre a ideia de imagem no teatro. João Cícero Bezerra escreve sobre a relação entre o pictórico e o dramático em A dama do mar, peça de Henrik Ibsen, adaptada por Susan Sontag e encenada por Robert Wilson, alcançando formulações críticas desligadas de qualquer vertente normativa de gênero. Mario Sagayama traça apontamentos sobre o sujeito, a voz, a imagem e o corpo no teatro de Samuel Beckett, a partir de questões históricas sobre o drama e em diálogo com a psicanálise lacaniana, tendo a temporalidade do a posteriori como conceito operador.

Natalia Nolli Sasso revisita a peça Nada, uma peça para Manoel de Barros, com direção de Adriano Guimarães, Fernando Guimarães e Miwa Yanagizawa, encenada em 2013 no Sesc Belenzinho, em São Paulo, abordando processos de criação e qualidades da fruição teatral a partir de lembranças e relatos de pontos de vista diversos. Juliana Pamplona analisa proposições de imagens cênicas de “dissociação” a partir da peça 4.48 Psychosis (Psicose 4.48) de Sarah Kane, da montagem de Hamlet pelo Wooster Group, e da peça Hotel Methuselah do grupo Imitating the Dog.

Luar Maria reflete sobre o espaço social contemporâneo em análise do espetáculo Mordedores, dirigido pelas coreógrafas Marcela Levi e Lúcia Russo. A avaliação do espetáculo se fundamenta no estudo do gesto e da corporeidade tendo a Análise do Movimento como principal aparato conceitual. Fabio Cordeiro discute a apropriação de formas corais na cena brasileira moderna, tomando como objeto a produção do Teatro de Arena enquanto referência para posteriores experiências de conjuntos teatrais contemporâneos.

Gabriela Lírio conversa com Silvero Pereira sobre sua trajetória profissional e a criação do espetáculo BR-Trans, que realiza um percurso (auto) biográfico do Nordeste ao Sul do Brasil, unindo histórias da experiência do autor com as travestis. Também na seção de conversas, Natalia Nolli Sasso relata e reflete sobre tentativas de conversa com os grupos envolvidos no episódio de ocupação das áreas do subterrâneo do Teatro Municipal no Vale do Anhangabaú, ocorrido na cidade de São Paulo nos últimos meses de 2015

Na seção de processos, publicamos dois textos sobre trabalhos realizados no Rio de Janeiro. Fabiano de Freitas fala sobre o processo de criação da série de radioteatro Radiodrama, contextualizando historicamente o gênero no Brasil e no mundo, refletindo sobre a perspectiva desse tipo de criação na contemporaneidade, bem como sobre questões da palavra e da imagem nas artes cênicas. A figurinista Desirée Bastos escreve sobre o processo de criação em seu trabalho com Guerrilheiras, ou para a terra não há desaparecidos.

Na seção de traduções, publicamos o texto de uma conferência de Heiner Goebbels em que o encenador reflete sobre como a ideia de ausência, tão importante na sua obra, se desenvolveu em Stifters Dinge e em seu trabalho ao longo dos anos. A tradução é de Rodrigo Carrijo, um dos idealizadores da revista Ensaia, que lançou recentemente o seu segundo número.

Tendo em vista a participação da peça Dissecar uma nevasca no STOF, Stokholm Fringe Festival, na Suécia, publicamos uma tradução para o inglês, feita por Leslie Damasceno, da crítica de Daniele Avila Small publicada anteriormente em português. Com isso, continuamos tentando fazer circular a informação e a reflexão sobre o teatro brasileiro para além das nossas fronteiras geográficas.

Por fim, publicamos uma peça do dramaturgo italiano Edoardo Erba, que tem duas peças traduzidas para o português por Beti Rabetti: Maratona de Nova York, encenada em São Paulo e no Rio de Janeiro, e a que publicamos nesta edição da Questão de Crítica, A noite de Picasso, levada à cena em Belo Horizonte.

Em 2016, continuaremos com nossas atividades regulares, com a publicação de novas edições, a realização do 5° Prêmio Questão de Crítica e do 3° Prêmio Yan Michalski, a publicação de vídeos na TV Questão de Crítica e a inauguração, como experimento, de um canal de podcasts.

 

 

 

Questão de Crítica – revista eletrônica de críticas e estudos teatrais

ISSN 1983-0300
Vol. VIII, nº 66, dezembro de 2015

Vol. VIII, nº 65, agosto de 2015

31 de agosto de 2015 Editoriais

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A edição de agosto de 2015 se dedica às múltiplas possibilidades de reflexão, no campo dos estudos teatrais, a partir das noções de arquivo e legado, que são abordadas em alguns textos da seção de estudos, conversas e traduções. Alguns textos da seção de críticas também abordam o tema.

Na seção de críticas, publicamos textos sobre peças que se apresentaram no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Curitiba. Edelcio Mostaço escreve sobre Aula Magna com Stálin, de David Pownall, encenação de William Pereira, destacando o teor discursivo em torno do realismo socialista.

Luciano Gatti escreve sobre O terno, texto de Can Themba e direção de Peter Brook, discutindo a retomada pelo encenador da concepção de teatro épico e suas consequências para a elaboração de um espetáculo não trágico. Gatti também escreve sobre os espetáculos da Ocupação SozinhosJuntos, dos Irmãos Guimarães, pensando a relação entre teatro e performance, e a relação entre as artes quanto à fidelidade ao texto beckettiano. Patrick Pessoa escreve sobre Ilíadahomero, projeto de Octavio Camargo, fazendo uma análise panorâmica da encenação de dez cantos homéricos apresentados no Festival de Curitiba de 2015.

Do Rio de Janeiro, Dinah Cesare escreve sobre Sexo neutro, refletindo sobre a questão contemporânea exposta pelo universo trans na peça escrita e encenada por João Cícero. Mariana Barcelos escreve sobre Caranguejo Overdrive, peça da Aquela Companhia, encenação de Marco André Nunes com dramaturgia de Pedro Kosovski, a partir de conceitos de conflito e sua representação na forma da cena. Outro espetáculo do mesmo grupo, Laio e Crísipo, é analisado por João Cícero a partir da pesquisa anterior do grupo sobre a Pop art, discutindo os entrecruzamentos com o aspecto crítico do pastiche.

Renan Ji escreve sobre as peças da Ocupação Copi: A geladeira, dirigida por Thomas Quillardet, e O homossexual ou A dificuldade de se expressar, encenada por Fabiano de Freitas, à luz do conceito de ator-travesti cunhado pelo próprio Copi para definir sua obra. Sobre O homossexual ou A dificuldade de se expressar, Caio Riscado analisa as escolhas das atuações, trazendo à discussão alguns conceitos da teoria queer e de outros estudos. Daniele Avila Small escreve sobre Krum, texto do dramaturgo israelense Hanoch Levin e encenação de Marcio Abreu, identificando procedimentos da encenação que conseguem capturar um estado de atenção no espectador.

A peça da companhia brasileira de teatro também aparece na seção de processos, com texto de Patrick Pessoa sobre o processo de criação, discutindo as questões dramatúrgicas surgidas ao longo das três primeiras semanas de ensaios. Ainda na seção de processos, Alexandre Dal Farra procura mapear as questões que perpassam as suas últimas peças – de Mateus, 10 a Abnegação I e II – tentando entender os reais “temas” de que as peças tratam, e apontando um caminho para a escrita da última parte da Trilogia Abnegação.

Na seção de conversas, Cassiana Lima e Fabrício Moser trocam ideias sobre Laura, peça que tem como tema a trajetória de sua avó: o encontro do artista com objetos, relatos e documentos que vêm à cena contar, poeticamente, a trajetória de uma personagem anônima que teve sua história silenciada pela família e pela comunidade, devido ao trágico desfecho de sua existência.

Na seção de estudos, Alessandra Vannucci escreve sobre o legado dos diretores teatrais italianos no teatro brasileiro da década de 1950, história recontada por diários, contos, roteiros, romances autobiográficos e um filme. Henrique Gusmão propõe uma discussão sobre a obra de Constantin Stanislavski a partir da análise do livro Stanislavski revivido, que reúne as transcrições de conferências e debates promovidos pela SP Escola de Teatro. Michele Zaltron também aborda o legado do encenador russo, destacando a prática do etiud como meio pedagógico fundamental, considerando sua relação estreita com o Método de Análise Ativa.

Luciana Romagnolli analisa quatro espetáculos da MITsp 2015 a partir das tensões entre teatro e cinema (WoyzeckSenhorita JuliaJuliaE se Elas Fossem para Moscou?). Dinah Cesare escreve sobre as proposições do narrador e o declínio da experiência segundo Walter Benjamim, a partir da performance O narrador, de Diogo Liberano.

Os estudos ainda contam com artigo de Viviane da Soledade sobre a recepção crítica de um espectador leigo a partir de uma carta de uma sócia de um clube de espectadores criado pelo Espaço Cultural Escola Sesc em Jacarepaguá no Rio de Janeiro

A seção de traduções traz um texto de José A. Sanchez, intitulado A pesquisa artística e a arte dos dispositivos, publicado em maio de 2015 no Catálogo da 12ª Bienal de La Habana, sobre o teatro contemporâneo a partir do paradigma da pesquisa. A tradução é de Luciana Romagnolli.

Questão de Crítica – revista eletrônica de críticas e estudos teatrais

ISSN 1983-0300
Vol. VIII, nº 65, agosto de 2015

Vol. VIII, nº 64, maio de 2015

28 de maio de 2015 Editoriais

Vol. VIII, nº 64, maio de 2015 :: Baixar edição completa em pdf

A edição de maio de 2015 da Questão de Crítica teve como sugestão de recorte temático o lugar da narrativa como estrutura no teatro, bem como a relação entre o teatro e outros formatos. Esta ideia está presente em alguns textos nas seções de críticas, estudos e processos.

Na seção de críticas, Patrick Pessoa faz uma análise de Vianninha conta o último combate do homem comum, analisando os aspectos do épico e do trágico na narrativa da peça de Aderbal Freire-Filho.  A peça estreou no ano passado no Sesc Ginástico, e fez temporada no Teatro Poeira e no Teatro da UFF, em Niterói. Daniele Avila Small escreve sobre  Dissecar uma nevasca, peça da dramaturga sueca Sara Stridsberg, dirigida por Bim de Verdier, sobre a Rainha Cristina da Suécia. O texto aborda as questões de gênero suscitadas pela personagem e a relação entre ficção e história na dramaturgia. A peça estreou no Sesc Belenzinho, em São Paulo, em janeiro de 2015.

Dinah Cesare faz a crítica de O homem elefante, peça da Cia Aberta dirigida por Cibele Forjaz, que estreou no Oi Futuro Flamengo, no Rio, em 2014. A crítica analisa a teatralidade da encenação, a tensão entre as noções de natureza e ciência que aparecem no espetáculo, e reflete sobre questões de alteridade. Renan Ji desenvolve algumas reflexões sobre a questão da intencionalidade na obra de arte e  sobre as relações entre arte e política, a partir da peça Os que ficam, dirigida por Sérgio de Carvalho. A peça ficou em cartaz no CCBB-RJ em fevereiro, como parte da Mostra Paralela da Exposição Augusto Boal.

De São Paulo, Valmir Santos analisa o projeto artístico Karamázov, da Companhia da Memória, à luz das formulações teóricas de Floriênski no ensaio “A perspectiva inversa”. O texto analisa ainda procedimentos de dramaturgia, cenografia e atuação que quebram as hierarquias de fundo e forma na percepção do espectador. Natalia Nolli Sasso reflete sobre a interface entre escolhas estéticas e políticas no percurso criativo do grupo paulistano [ph2]: estado de teatro, analisando o espetáculo Stereo Franz como etapa na trajetória artística do coletivo em questão.

Mariana Barcelos reflete sobre a abordagem biográfica no espetáculo teatral, a partir de dois recentes musicais encenados no Rio de Janeiro, Chacrinha, o musical e S’imbora, o musical – A história de Wilson Simonal, questionando a padronização da narrativa biográfica. Ambas as peças fizeram suas estreias na Praça Tiradentes, Chacrinha no Teatro João Caetano e Simonal no Carlos Gomes.

Na seção de estudos, João Cícero Bezerra analisa a tragédia Macbeth, de William Shakespeare, refletindo sobre o significado ambíguo e metalinguístico da fala oracular das bruxas, interpretando o sentido de história e de narrativa que estas figuras sobrenaturais constroem na peça. Martha Ribeiro escreve sobre o tempo a partir de Agostinho, mais especificamente sobre a dificuldade lógica insuperável para apreender e traduzir em palavras a natureza temporal, refletindo sobre a narrativa da experiência do tempo. Neste contexto, o artigo se aproxima brevemente da peça Desalinho, de Marcia Zanelatto, trabalho que também propõe uma reflexão singular sobre o tempo.

Ainda na seção de estudos, Ricardo Libertini apresenta questionamentos e reflexões sobre o teatro realizado na universidade, a partir de Panidrom, peça de teatro com direção de João Pedro Orban, apresentada na XIV Mostra de Teatro do curso de Direção Teatral da UFRJ, em 2014.

Na seção de conversas, Andrea Santiago entrevista artistas formandos e recém-formados em cursos universitários de teatro, como os da  UNIRIO e da  UFRJ, abordando questões relacionadas à formação e às experiências profissionais fora do ambiente acadêmico. Exclusivamente em vídeo, na TV-QdC, nosso canal no Vimeo, Patrick Pessoa conversa com Aderbal Freire-Filho sobre o trabalho do diretor de teatro, a relação com o texto prévio e os processos de criação. O vídeo pode ser acessado em vimeo.com/127727859.

Na seção de processos, Raphael Cassou escreve sobre o processo de criação e ensaios do espetáculo Duplo homicídio na Chaptal 20, da companhia curitibana Vigor Mortis. O texto fala sobre os aspectos do processo de construção dramatúrgica e cênica, levando em consideração a pesquisa do grupo com o teatro do Grand Guignol. A peça estreou em novembro de 2014 no Teatro Novelas Curitibanas.

Fabio Cordeiro reflete sobre os 10 anos de existência da Nonada Companhia de Arte, discutindo os conceitos envolvidos em sua nomeação, descrevendo sua trajetória e os principais espetáculos realizados, para pensar a noção de continuidade envolvida no processo criativo da Nonada e também da cena brasileira.

Já Esteban Campanella escreve sobre a peça Kassandra, do dramaturgo franco-uruguaio Sergio Blanco, monólogo realizado pela atriz Milena Moraes numa casa noturna em Florianópolis. A partir da crítica genética, o texto analisa as relações  entre o processo criativo e a montagem do espetáculo.

Na seção de traduções, publicamos um artigo de Stanley E. Gontarski sobre Samuel Beckett através de Deleuze e Artaud. Agradecemos ao Prof. Fábio de Souza Andrade pelo contato com o autor, que viabilizou a publicação deste texto na Questão de Crítica. A tradução é de Juliana Pamplona. Esta seção traz ainda a primeira peça do projeto Trilogia da Revolução, do dramaturgo uruguaio Santiago Sanguinetti, com tradução de Diego de Angeli. A trilogia é composta pelas obras Argumento contra a existência de vida inteligente no Cone Sul (2013), Sobre a teoria do eterno retorno aplicada à revolução no Caribe (2014) e Breve apologia do caos por excesso de testosterona nas ruas de Manhattan (2014).

Colaboradores desta edição: Andrea Santiago, Daniele Avila Small, Diego de Angeli, Dinah Cesare, Esteban Campanela, Fabio Cordeiro, João Cícero Bezerra, Juliana Pamplona, Mariana Barcelos, Martha Ribeiro, Natalia Nolli Sasso, Patrick Pessoa, Raphael Cassou, Renan Ji, Ricardo Libertini, Santiago Sanguinetti, Stanley E. Gontarski, Valmir Santos.

Conselho Editorial: Daniele Avila Small, Dinah Cesare, Gabriela Lírio, Henrique Gusmão, Michelle Nicié, Patrick Pessoa.

Revisor: Renan Ji

Editora: Daniele Avila Small

Questão de Crítica – revista eletrônica de críticas e estudos teatrais

ISSN 1983-0300
Vol. VIII, nº 64, maio de 2015

Vol. VII, nº 63, dezembro de 2014

22 de dezembro de 2014 Editoriais

A edição de dezembro de 2014 da Questão de Crítica tem como proposta de recorte as questões de curadoria e programação de teatro.

Para este recorte, publicamos alguns textos na seção de estudos e uma conversa. Sidnei Cruz escreve sobre diferenças e aproximações entre programação, gestão e curadoria. Dinah Cesare reflete sobre questões de curadoria nas artes visuais e no teatro, trazendo apontamentos de Valmir Santos a partir da sua experiência como crítico e curador, e de Manoel Friques a partir de seu trabalho no Tempo Festival. Natalia Nolli Sasso escreve sobre a experiência de curadoria do projeto performáticos_inquietos_radicais no Sesc Belenzinho, em São Paulo. Joelson Gusson escreve sobre os Festivais de Edimburgo a partir da sua experiência como curador. Michele Rolim conversa com Luciano Alabarse sobre o festival Porto Alegre em Cena.

Na seção de conversas, temos ainda uma entrevista realizada por Juliana Pamplona com o dramaturgo José Sanchis Sinisterra em 2008, quando ele estava no Rio de Janeiro para ministrar uma oficina de dramaturgias da fragmentação no Projeto Puente do Teatro Poeira.

A seção de estudos também conta um artigo de Alessandra Vanucci sobre o ofício da direção teatral.

Na seção de processos publicamos um texto de Renan Ji sobre a apresentação do processo de criação do próximo trabalho da Aquela Companhia, Caranguejo Overdrive, que aconteceu na Ocupação Dulcinavista, no Teatro Dulcina. Além disso, publicamos um texto da atriz Nicole Cordery sobre o processo de criação do espetáculo Dissecar uma nevasca, de Sara Stridsberg, uma co-produção Brasil e Suécia, com direção de Bim de Verdier, que estreia no Sesc Belenzinho em abril de 2015.

Esta edição também lança um olhar para Florianópolis. Sobre a cena teatral da cidade, publicamos dois textos. A diretora Barbara Biscaro escreve sobre o processo de criação da peça mais recente da longeva companhia O Dromedário Loquaz: Rádio Loquaz ZYK 693 – Pausas de se ouvir, que estreou no segundo semestre de 2014. Edelcio Mostaço escreve sobre Odiseo.com, texto de Marco Antonio de La Parra dirigido por André Carreira, espetáculo realizado em três espaços simultâneos, em três cidades: Buenos Aires, Florianópolis e Santiago do Chile. O projeto é uma coprodução entre o grupo brasileiro (E)xperiência Subterrânea e o CELCIT (Centro Latinoamericano de Creación e Investigación Teatral), da Argentina, com o apoio do IBERESCENA (Fondo de Ayudas para las Artes Escénicas Iberoamericanas).

A publicação da crítica de Odiseo.com também se conecta com nosso projeto de estabelecer um diálogo com o teatro feito na América Latina, que nesta edição ganha alguns contornos. Ainda na seção de críticas, Daniele Avila Small escreve sobre dois espetáculos da IX Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo da Cooperativa Paulista de Teatro, em que participou como crítica da plataforma DocumentaCena. São elas Galvarino do Teatro Kimen do Chile e Derretiré con un cerillo la nieve de un volcán do grupo mexicano Lagartijas Tiradas al Sol. João Cícero escreve sobre uma montagem carioca de um texto do dramaturgo venezuelano Gustavo Ott, Dois amores e um bicho, com tradução de Marialda Gonçalves Pereira e direção de Guilherme Delgado. Na seção de traduções publicamos dois monólogos inéditos do dramaturgo argentino Mauricio Kartum, ambas traduzidas por Diego de Angeli: Como um punhal nas carnes e A sorte da feia. E com isso materializamos esse desejo de olhar para o sul do nosso continente.

A seção de críticas conta ainda com um texto de Dinah Cesare sobre a montagem da peça Nossa cidade, de Thornton Wilder, dirigida por Antunes Filho. A peça estreou em São Paulo e fez breve temporada no Rio no Teatro Sesc Ginástico. Mariana Barcelos escreve sobre Contrações, montagem do Grupo 3 de Teatro, de Belo Horizonte, para o texto de Mike Bartlett, com direção de Grace Passô, que esteve em cartaz no CCBB-RJ no início do ano. Daniele Avila Small escreve sobre duas palestras-intervenções do festival de performance Atos de Fala: Os Serrenhos do Caldeirão: exercícios em antropologia ficcional da coreógrafa portuguesa Vera Mantero, no Espaço Sesc, e Melodrama, da performer e coreógrafa húngara Eszter Salamon, no Oi Futuro Flamengo.

Em 2015, contaremos com um suporte financeiro do edital de Fomento da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro para a manutenção da revista. Assim, publicaremos quatro edições no próximo ano: em março, junho, setembro e novembro.

Com patrocínio do Rumos Itaú Cultural, realizaremos o 3º Encontro Questão de Crítica a partir de abril de 2015 no Espaço Sesc, em Copacabana.

Os indicados do 2º semestre de 2014 ao 4º Prêmio Questão de Crítica e os indicados do ano ao 2º Prêmio Yan Michalski para o Teatro em Formação serão divulgados em janeiro no blog do Prêmio.

Colaboraram nesta edição:
Alessandra Vanucci, Barbara Biscaro, Betch Cleinman, Daniele Avila Small, Diego de Angeli, Dinah Cesare, Edelcio Mostaço, João Cícero Bezerra, Joelson Gusson, Juliana Pamplona, Mariana Barcelos, Mauricio Kartum, Michele Rolim, Natalia Nolli Sasso, Nicole Cordery, Renan Ji e Sidnei Cruz.

Conselho Editorial:
Dinah Cesare, Henrique Gusmão, Gabriela Lírio, Michelle Nicié, Patrick Pessoa e Viviane da Soledade.

Coordenação geral:
Daniele Avila Small.

Questão de Crítica – revista eletrônica de críticas e estudos teatrais

ISSN 1983-0300
Vol. VII, nº 63, dezembro de 2014

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A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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