Estudos

Palestra-performance, crítica de artista

29 de dezembro de 2020 Estudos

Nota: Esse texto foi elaborado como uma palestra, apresentada na segunda edição da Complexo Sul – Plataforma de Intercâmbio Internacional, em 9 de novembro de 2020 no Palco Virtual do Itaú Cultural.

 

Eu estou aqui hoje para fazer uma palestra sobre a linguagem da palestra-performance, dentro de uma programação que se dedica quase inteiramente a essa linguagem e à sua prática no ambiente virtual. Nessa programação, cada artista ou palestrante vai colocar a sua perspectiva sobre o assunto e, acredito, nenhum de nós vai esgotar o tema. Cada um vai falar do lugar de onde vê e tentar dar alguns contornos àquilo que enxerga.

Circuitos virtuais pretos

19 de outubro de 2020 Estudos

Quais são os monumentos que devemos derrubar no teatro? Essa foi uma pergunta enunciada por Grace Passô durante uma live do projeto Perspectivas 20, organizada pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP). Na ocasião, influenciada pela derrubada de estátuas realizadas por manifestantes de diferentes países do Ocidente, que foram às ruas contra a violência racial, policial e em protesto ao assassinato de George Floyd, a reflexão se rearticulou dentro do campo e da linguagem teatral, a partir de uma primeira associação feita por Passô, apontando que ações como essa levam a público o debate sobre as disputas de narrativa.

Teatro, ensino e aprendizagem

29 de maio de 2020 Estudos

Artista em foco da edição de 2020 da MITsp, o dramaturgo português Tiago Rodrigues apresentaria dois espetáculos na mostra: By heart (2013) e Sopro (2017). Devido a sanções decorrentes da expansão da COVID-19, apenas o primeiro espetáculo chegou a ser apresentado, não permitindo a visão do trabalho do artista pensada originalmente pela curadoria do festival. No entanto, a estreia de By heart reverberou muitas ideias por entre as diversas instâncias de debate possibilitadas pela MITsp – entrevista pública com o artista, diálogo transversal e prática da crítica –, trazendo à tona elementos latentes na proposta cênica deste espetáculo de 2013. Quando confrontado com noções mais ou menos correntes no público cativo de um festival como a MITsp, By heart foi analisado e questionado à luz do pensamento feminista, negro e decolonial, o que promoveu tensões e choques com a sua dramaturgia.

O fantasma do teatro

25 de abril de 2020 Estudos

 

Durante as primeiras semanas de isolamento social devido à pandemia da COVID-19, alguns artistas e grupos de teatro começaram a divulgar links para os registros em vídeo dos seus espetáculos. Canais de grupos e sites de streaming abriram seus acervos. Alguns registros históricos, que já estavam online antes, começaram a aparecer nas redes sociais. Foi neste contexto que assisti a uma gravação de Hamlet, encenação de Elizabeth LeCompte, do The Wooster Group, de Nova York, que neste texto tomo como paradigma para pensar sobre registros de espetáculos de teatro em vídeo no momento em que estamos vivendo. O registro foi feito em 2013, no Festival de Edimburgo, por Zbigniew Bzymek e Juliet Lashinsky-Revene. A cada semana, o grupo disponibiliza uma peça no seu site. Depois de Hamlet, já assisti a Face Up!, a partir de As três irmãs, e Rumstick Road, um incrível trabalho de reconstituição de uma peça autobiográfica de Spalding Gray de 1977. O grupo sabe o valor do seus arquivos e eventualmente oferece projeções do seu repertório em vídeo na sua sede e outros lugares. Também tive oportunidade de ver alguns espetáculos pelo International Online Theatre Festival, embora os horários dos espetáculos sejam péssimos para quem mora em um fuso horário muito diferente do que é tomado como padrão.

Toda a Europa:

4 de setembro de 2018 Estudos

“Teatro e literatura são artes diferentes”[1], repete Osório Mateus, fazendo desta afirmação o convincente refrão do ensaio “Teatro e Literatura”. “Teatro e literatura são artes diferentes”, repete o professor, crítico, tradutor, encenador e ensaísta português. Na sua explanação vai provando porque entende que teatro e literatura são “objectos distintos do saber e implicam métodos de conhecimento diferentes”[2]. As suas explicações atravessam questões epistemológicas, perscrutam o contexto laboral envolvido na produção de cada uma das artes, atentam na especificidade dos “objectos produzidos pelas duas artes”[3], sinalizam a diferença de estatuto dos “discursos críticos ou teóricos sobre as duas práticas”[4] e das possibilidades de conhecimento, acesso e arquivo de cada uma destas artes, contemplando também a mutação histórica na noção de género e da relação entre, precisamente, teatro e literatura.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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