Estudos

Teatro, ensino e aprendizagem

29 de maio de 2020 Estudos

Artista em foco da edição de 2020 da MITsp, o dramaturgo português Tiago Rodrigues apresentaria dois espetáculos na mostra: By heart (2013) e Sopro (2017). Devido a sanções decorrentes da expansão da COVID-19, apenas o primeiro espetáculo chegou a ser apresentado, não permitindo a visão do trabalho do artista pensada originalmente pela curadoria do festival. No entanto, a estreia de By heart reverberou muitas ideias por entre as diversas instâncias de debate possibilitadas pela MITsp – entrevista pública com o artista, diálogo transversal e prática da crítica –, trazendo à tona elementos latentes na proposta cênica deste espetáculo de 2013. Quando confrontado com noções mais ou menos correntes no público cativo de um festival como a MITsp, By heart foi analisado e questionado à luz do pensamento feminista, negro e decolonial, o que promoveu tensões e choques com a sua dramaturgia.

O fantasma do teatro

25 de abril de 2020 Estudos

 

Durante as primeiras semanas de isolamento social devido à pandemia da COVID-19, alguns artistas e grupos de teatro começaram a divulgar links para os registros em vídeo dos seus espetáculos. Canais de grupos e sites de streaming abriram seus acervos. Alguns registros históricos, que já estavam online antes, começaram a aparecer nas redes sociais. Foi neste contexto que assisti a uma gravação de Hamlet, encenação de Elizabeth LeCompte, do The Wooster Group, de Nova York, que neste texto tomo como paradigma para pensar sobre registros de espetáculos de teatro em vídeo no momento em que estamos vivendo. O registro foi feito em 2013, no Festival de Edimburgo, por Zbigniew Bzymek e Juliet Lashinsky-Revene. A cada semana, o grupo disponibiliza uma peça no seu site. Depois de Hamlet, já assisti a Face Up!, a partir de As três irmãs, e Rumstick Road, um incrível trabalho de reconstituição de uma peça autobiográfica de Spalding Gray de 1977. O grupo sabe o valor do seus arquivos e eventualmente oferece projeções do seu repertório em vídeo na sua sede e outros lugares. Também tive oportunidade de ver alguns espetáculos pelo International Online Theatre Festival, embora os horários dos espetáculos sejam péssimos para quem mora em um fuso horário muito diferente do que é tomado como padrão.

Toda a Europa:

4 de setembro de 2018 Estudos

“Teatro e literatura são artes diferentes”[1], repete Osório Mateus, fazendo desta afirmação o convincente refrão do ensaio “Teatro e Literatura”. “Teatro e literatura são artes diferentes”, repete o professor, crítico, tradutor, encenador e ensaísta português. Na sua explanação vai provando porque entende que teatro e literatura são “objectos distintos do saber e implicam métodos de conhecimento diferentes”[2]. As suas explicações atravessam questões epistemológicas, perscrutam o contexto laboral envolvido na produção de cada uma das artes, atentam na especificidade dos “objectos produzidos pelas duas artes”[3], sinalizam a diferença de estatuto dos “discursos críticos ou teóricos sobre as duas práticas”[4] e das possibilidades de conhecimento, acesso e arquivo de cada uma destas artes, contemplando também a mutação histórica na noção de género e da relação entre, precisamente, teatro e literatura.

A cena negra refletida no abebé de Oxum

26 de março de 2018 Estudos e

Em 1944, no Brasil, Abdias do Nascimento, poeta, ator, escritor, dramaturgo, artista plástico, professor, político e ativista dos direitos civis e humanos das populações negras, fundou, no Rio de Janeiro, o icônico Teatro Experimental do Negro. Entre as inúmeras motivações ideológicas que o levaram a idealizar o TEN, estava o desejo de criar um teatro onde o negro não fosse apenas tema, mas que pudesse ser protagonista de sua própria história.

Uma vez que, ao longo de mais de 70 anos, as estruturas racistas ainda insistem em nos invisibilizar, O teatro negro em perspectiva: dramaturgia e cena negra no Brasil e em Cuba, de Marcos Antônio Alexandre, se faz necessário e urgente, na medida em que apresenta outras paisagens e contribui para a reconfiguração simbólica e material da cartografia das artes no Brasil, em conexão com Cuba.

Seguindo os percursos de Édouard Glissant e sua poética da relação, Marcos Alexandre nos oferece novas perspectivas a partir das quais podemos reavaliar e reinterpretar os territórios e fronteiras artísticas, especialmente naquilo que diz respeito aos processos históricos ligados às construções identitárias, mnemônicas e culturais no Brasil e em Cuba.

O “espaço teatral” em Calderón: estrutura, justaposição e coexistência

27 de fevereiro de 2018 Estudos

Nota: Este artigo é parte da reflexão sobre a criação de A Tríplice Fronteira / La Triple Frontera / Yvy Marãe’y, publicada na seção de processos desta edição: http://www.questaodecritica.com.br/2018/02/a-tryple-frontera-texto-residual

 

No hay cuadro alguno que nos haga olvidar éste

Carl Justi

 

A presente análise vai se utilizar do Manifesto para um Novo Teatro via leitura do barroco por Severo Sarduy para pensar o “espaço teatral” em Calderón, trabalhando como hipótese a criação de sua estrutura elíptica como justaposição de superfícies e coexistência de paradigmas.

Esse artigo foi escrito em 2015 para a cadeira de Estéticas e Teorias do Teatro, durante o Mestrado em Dramaturgia na Universidad Nacional de las Artes (UNA- Buenos Aires). Em termos conceituais existe uma paridade com o projeto A Tríplice Fronteira/ La Triple Fronteira / Yvy Marãe’y no que se refere ao processo de justaposição de superfícies e coexistência de paradigmas e texturas.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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