Processos

Sobre Marcha à ré : Teatro da Vertigem, 2020

6 de outubro de 2020 Processos

“Não é preciso conhecer a pessoa perdida para afirmar que isso era uma vida. O que se lamenta é a vida interrompida, a vida que deveria ter tido a chance de viver mais, o valor que a pessoa carrega agora na vida dos outros, a ferida que transforma permanentemente aqueles que sobrevivem. O sofrimento de um outro não é o seu próprio, mas a perda que o estranho suporta atravessa a perda pessoal que sente, potencialmente conectando estranhos em luto.”[1]

A intenção deste texto é expor alguns aspectos sobre o trabalho Marcha à ré, acerca da relação entre o seu processo de criação e o contexto sociopolítico que o Brasil vivencia.

Marcha à ré é uma performance-filme criada pelo Teatro da Vertigem em colaboração com Nuno Ramos, comissionada pela 11ª. Bienal de Berlim, e filmada por Eryk Rocha. Este novo trabalho do grupo consistiu na realização de uma intervenção artística site-specific na cidade de São Paulo, no dia 04 de agosto de 2020, terça-feira, às 22 horas. A partir de todo material colhido pela filmagem, o resultado foi o curta-metragem Marcha à ré, que teve sua estreia mundial na Bienal de Berlim, em 05 de setembro de 2020, e estreia no Brasil durante o Festival Internacional de Artes Cênicas Porto Alegre em Cena.

Diário de uma atriz em confinamento e em criação

30 de junho de 2020 Processos

Fui investigar agora e vi que começamos a nos falar, eu e Mauro Schames, sobre qualquer coisa aleatória, em 18 de março. Eu estava em casa, já em quarentena, desde o dia 16. Já tínhamos nos visto umas 4, 5 vezes. Temos as mesmas agentes. Já nos vimos em cena. Não éramos amigos. No dia 18 de março um perguntou pro outro:

– E você, tá bem de quarentena?

No dia 02 de abril já tínhamos lido pela primeira vez o texto A história dos ursos pandas (contada por um saxofonista que tem uma namorada em Frankfurt) de Matei Visniec, proposto pelo Mauro, cada um na frente do seu computador. Logo pintou um primeiro edital e nós dois batemos a cabeça fazendo testes de como iríamos nos filmar para propor esse texto ao edital do Itaú Cultural, que tinha inscrições abertas entre 06 a 10 de abril. Depois de algumas tentativas mal sucedidas de filmagens de trechos de cenas da peça, Mauro sugeriu sabiamente Bruno Kott para a direção. Eu nunca tinha ouvido falar nele e descobri, depois, que ele já havia me visto em cena. Bruno e eu nunca nos encontramos pessoalmente. E isso é incrível.

Fale sobre mim

24 de abril de 2020 Processos

O espetáculo Fale sobre mim nasceu do encontro entre seis adolescentes e sua professora de teatro, que aqui escreve. O grupo começou a se reunir em caráter extracurricular em agosto de 2018, numa escola municipal localizada no Conjunto Urucânia, periferia da Zona Oeste do Rio. Dos primeiros encontros, compusemos uma cena de 15 minutos – criada, a princípio, para ser apresentada no Festival de Teatro de Alunos da Rede, o FESTA 2018, promovido pela Secretaria Municipal de Educação. Naquele ano, a comunidade passava por um período violento, e, de certa forma, saber da existência do festival ativou em nós um senso de coletividade e um foco energético frente às situações-limite que compartilhávamos.

Percursos-experiência:

16 de abril de 2020 Processos

Neste texto comento o projeto performativo Três percursos e um desvio para um mesmo fim, que realizei em 2019 no âmbito do Mestrado em Arte e Design para o Espaço Público da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, como parte da investigação “Dramaturgias do Quotidiano. Especulações sobre a dimensão ficcional do real”[1]. O projeto desenvolvido na cidade do Porto é composto por quatro percursos-experiência, propostas de percursos performativos, que funcionam com instruções para serem vivenciados por um grupo de participantes. Este trabalho partiu do meu interesse em pensar a dimensão da ficção no quotidiano e em ambiente urbano.

Entre a sala e o céu

11 de julho de 2018 Processos , e
Foto: Luis Gustavo Meneguetti.
Foto: Luis Gustavo Meneguetti.

No verão de 2017 (inverno europeu), o coletivo brasiliense Aisthesis[i] viajou para Lisboa na expectativa de encontrar o mundo. Pegou casacos emprestados e desafiou os próprios limites (geográficos, a princípio) se lançando na aventura essencial e milenar da viagem, tão primitiva quanto o próprio movimento de migração e povoamento dos continentes. Reservou hospedagem numa casa portuguesa e enfrentou uma madrugada inteira de horas-voo e fila de imigração para se encontrar com a coreógrafa Vera Mantero, durante seis horas por dia ao longo de um mês, em seu estúdio no Espaço da Penha, no velho continente.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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