Críticas

Por novos finais felizes

18 de outubro de 2021 Críticas

Em 2017, a exposição Queermuseu foi censurada em Porto Alegre por denúncias de “pedofilia” e “uso inapropriado de imagens de menores”. Dentre as obras acusadas de conteúdo impróprio estavam as telas de Bia Leite da série Criança Viada. As pinturas foram inspiradas no Tumblr de mesmo nome que reunia, desde 2014, fotos enviadas por pessoas LGBTQIA+ quando crianças e que continham indícios de “viadagem”. No centro de toda a discussão que culminou na censura à mostra estava o pensamento de que não se deve associar crianças a discussões de gênero e sexualidade. Mas como provam as fotos do Tumblr em questão (enviadas pelos próprios fotografados, já adultos), todo LGBTQIA+ foi criança um dia, e parte deste grupo se reconhece como o que se convencionou chamar popularmente de criança viada.

Cada vez que alguém diz ‘isso não é cinema’ uma estrela se apaga

18 de outubro de 2021 Críticas

Para que uma estrela se apague diante de nossos olhares terráqueos, é necessário que miremos ao céu. Caso não olhássemos para a estrela e ignorássemos sua existência, correríamos o risco de jamais reparar seu desaparecimento e morte – mesmo se somos profissionais da astronomia, astrologia, poetas, apaixonades e navegadores do céu. A morte (o fim) de uma estrela pode ter distintas causas: (1) fim do combustível energético, como se desligassem seu reator – camadas do centro desabam, a estrela vira uma gigante vermelha, depois diminui de tamanho, tornando-se uma nebulosa planetária e anã branca; (2) a estrela, se for muito grande (oito vezes a massa solar), pode acabar explodindo, tornando-se uma supernova – uma morte violenta e espetacular; (3) por fim, se a estrela for gigante (trinta vezes a massa do sol) pode sofrer um colapso ao final de seu ciclo de vida até se tornar um buraco negro que poderá absorver outras estrelas e eventualmente se acoplar a outros buracos negros.  

Não somos destino

17 de outubro de 2021 Críticas

Não sei há quantos dias permaneço aqui, entre uma vídeochamada e uma aula remota, entre um livro e uma performance. Arrisco uma palavra ou outra, engasgo, gaguejo, desisto, me entrego… E, então, escrevo. Neste empenho em manter a sanidade, abro um vinho, leio um livro, ouso começar um artigo do zero, apago as únicas cinco linhas que esbocei. Respiro. Eu acho. Busco o ar. Nem sempre o encontro. Falta o ar. Não sei se é ansiedade, mais uma crise de asma ou sintoma de Covid-19. Ou se é tudo isso ao mesmo tempo. Quinze abas abertas no notebook. Em uma delas, sinto o impacto de uma colisão forte o bastante para me sacudir, me resgatar de mim mesma em um fim de tarde de domingo, um encontro que me devolveu o ar que há poucas linhas me faltava. Encontrei-me com Debora, Debora Lamm, dando vida ao texto “Mata teu pai”, de Grace Passô.

Crítica agora

13 de setembro de 2021 Críticas

Boa noite a todo mundo que está aqui conosco presente[1], agradeço enormemente pelo convite. Agradeço ao carinho e às trocas que tivemos neste processo, com Jhoao Junnior, Renata Meiga, Dadado e Ronaldo. Foi muito importante pra mim conhecer e encontrar vocês neste percurso, a partir dos materiais e a partir dessas fricções que a gente está vivendo neste tempo histórico e também pelos nossos percursos.

Então, eu gostaria de comentar com vocês algumas coisas que a gente falou no processo e que penso que nesta mediação será importante destacar a pluralidade das vozes entre as equipes que produziram as cenas inéditas e o público presente. Eu vou fazer uma audiodescrição rápida pois talvez tenha alguém que não esteja me vendo. Eu sou uma mulher trans branca, tô com o cabelo castanho liso com mais volume do lado esquerdo, com um colar no pescoço. Atrás de mim, uma estante com livros, em biblioteca e do meu lado direito uma janela com vidros. Bom, estou também muito feliz de dialogar deste lugar, com as questões que foram trazidas por meio destas cenas. Que são provocativas e que eu provoquei. E que me provocam de volta e aqui eu tenho algumas questões que eu vou compartilhar com vocês no sentido de provocar novamente esse debate, essa relação, a mediação desta noite.

Corpos, sons, textos, imagens e telas

12 de setembro de 2021 Críticas, Estudos

O coletivo Pandêmica, que desde o começo da quarentena produz espetáculos como 12 pessoas com raiva ou eventos como Orgulhe, também se propôs a abraçar outros projetos e ser palco-tela para artistas que estão produzindo arte-teatro-afeto de distintos lugares do Brasil. Desta vez, propiciou algo que se faz necessário quando profissionais da arte nos tornamos: pensar, refletir, discutir sobre os temas: dança, atuação, direção musical, direção e dramaturgia.

Mas, pergunto-me agora, como escrever sobre tais temas, sobre os encontros sobre tais temas, sobre como se produziram esses temas nas nossas telas (palcos-casas)? Os encontros performativos, que agora são plasmados nessas palavra-papel DIGITAL a partir de uma escrita ou ex-crítica performaAtiva, são divididos assim, nestes eixos descritos acima, em caixinhas mesmo… pois não é pelas caixinhas-telas, que nos comunicamos atualmente? Talvez tentando sair das caixas, mas apropriando-se do que é possível em meio a esse caos (vide pandemia mundial, quarentena, isolamento, bolsonarismo genocida), eu, Maria Lucas, que aqui escrevo como crítica (?), estive no encontro sobre atuação, como atuadora-artista. Ao receber o convite, lancei uma questão para a equipe, levada a ser despontada na noite do encontro (via telas). Questionei sobre atuação, mas mais ainda sobre A – TUA – AÇÃO. O que você atua, como? Na casa, na vida. Teatro-Arte-Tela-Vida é política(?).

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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