Críticas

O lugar da mulher

11 de julho de 2017 Críticas

Nesta breve reflexão pretendo abordar dois trabalhos diferentes em tudo. Ledores no breu é um espetáculo de teatro adulto da Cia do Tijolo, um grupo de São Paulo, a cidade brasileira que mais tem políticas públicas para as artes cênicas. A peça é encabeçada por dois homens, o ator Dinho Lima Flor e o diretor Rodrigo Mercadante. Tempo de brincar é um espetáculo de circo para crianças da Trupe Açu, de Taquaruçu, distrito da região serrana de Palmas, capital do Tocantins. À frente do grupo de palhaçaria feminina estão três jovens mulheres: Giovana Kurovski, Mayara Cacau e Ester Monteiro – embora na apresentação a que assisti, no dia 4 de julho, estavam apenas duas, Giovana, a palhaça Girassol, e Ester, a palhaça Tapioca. O que aproxima as duas peças, à primeira vista, é o contexto em que ambas estão inseridas, a programação da Aldeia Jiquitaia, do Sesc Palmas, a que tive oportunidade de assistir enquanto ministrava a oficina intitulada “Des-pensar a crítica”, a convite do Sesc, em julho deste ano. Além disso, as duas peças se posicionam – cada uma a seu modo e em diferentes medidas – quanto a formas de exclusão social. Faço aqui um rápido recorte, procurando pensar a representatividade da mulher e o modo como é representada nesses trabalhos, sem a intenção de fazer uma abordagem ampla de cada um.

Imagens documentadas de um urro!

14 de fevereiro de 2017 Críticas

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A imagem da capa do disco Cabeça Dinossauro dos Titãs de 1986, a mesma do programa da peça aqui discutida, é a de um homem urrando inspirada num estudo de uma gravura de Leonardo da Vinci, conhecido pintor do Renascimento. A imagem de uma cabeça que urra reforça a ideia de um disco em que o título Cabeça Dinossauro evoca uma força de resistência dos Titãs diante da caretice e do moralismo de uma sociedade que, apesar do recente fim da ditadura militar, ainda se ancorava em princípios reguladores ultrapassados.

O Evangelho segundo Pippo Delbono

8 de fevereiro de 2017 Críticas

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De antemão, tomo a liberdade de dizer que é difícil sair indiferente a um espetáculo como Vangelo, de Pippo Delbono. Corro o risco dessa generalização devido à reação de alguns companheiros espectadores, e também às minhas próprias percepções, certamente remexidas. A montagem a que assisti se deu no Theatre Olympics, grande festival de teatro ocorrido na cidade de Wroclaw, Polônia[1], contando com um público heterogêneo advindo de várias partes da Europa. Dentre as pessoas com quem pude conversar, a sensação de desconcerto era quase a mesma. Para plateias europeias, não é novidade o caráter ousado do trabalho de Pippo Delbono, seja no cinema, seja no teatro; porém foram muitos os que saíram anestesiados da obra mais recente do artista e de sua companhia teatral.

Identidade, tradição e o agora – crítica do 25º Festival de Curitiba

29 de dezembro de 2016 Críticas

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Decidi rever no celular as fotografias tiradas durante o Festival de Curitiba em março deste ano. Há alguns dias relia as anotações do festival escritas num caderno e era como se faltasse uma memória que iluminaria um rastro atravessando tantas páginas sobre espetáculos, debates, encontros, cafés.

Escrever sobre um festival com tanto tempo passado tem suas especificidades. É minha segunda experiência com esta proposição (a primeira foi no FIAC 2015) e agora algumas operações tornam-se mais definidas. Destaco aqui uma: na primeira vez, a ideia foi reunir o máximo de anotações e documentos possíveis – uma tentativa de prevenção ao esquecimento. Desta espécie de fichamento um olhar sobre a curadoria do festival emergiu, e a escrita se desdobrou nesta perspectiva de admitir o todo do evento como objeto da crítica.

Batucada, Looping e multidão

22 de dezembro de 2016 Críticas

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Faço neste ensaio um exercício crítico sobre duas performances apresentadas durante o Festival Panorama da Dança 2016: Batucada, de Marcelo Evelin; e Looping: Bahia Overdub, de Felipe de Assis, Rita Aquino e Leonardo França. O exercício é uma tentativa de conversar com algumas proposições artísticas da dança contemporânea que abrem espaços para uma participação diferenciada do espectador, de modo que esta abertura não se configure como simples figuração, mas como fusão de fato, com e na obra. Este fato estético não está apartado da realidade nem do momento político em que vivemos, no qual alguns direitos que pareciam assegurados têm sido sistematicamente ameaçados por medidas de exceção que atingem as conquistas do passado. A criação artística, neste sentido, parece acender seus sinais de alerta para, de diferentes maneiras, inventar outras formas de vida e de arte que incluem uma percepção social mais aguda.

Inicio pela primeira proposição, fazendo antes um relato que contextualiza o encontro com a obra.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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