Críticas

Com outro público

18 de agosto de 2017 Críticas
Paulo Tiefenthaler. Foto: Maurício Martins.
Paulo Tiefenthaler. Foto: Maurício Martins.

Em cartaz no Teatro Poeira, a peça Fome, o musical – Do broto ao bacon everybody rocks é das melhores coisas em cartaz no Rio de Janeiro. Faço essa observação com assumido cinismo, afinal, não vi nem metade do que está em cartaz na cidade e no momento em que escrevo esse texto estou há mais de 10 dias fora do país. Mas o caso é que o espetáculo de Paulo Tiefenthaler é fora de série, no sentido literal da expressão. Ele não se encaixa em nenhuma categoria prévia e só isso já vale a ida ao teatro.

O lugar da mulher

11 de julho de 2017 Críticas

Nesta breve reflexão pretendo abordar dois trabalhos diferentes em tudo. Ledores no breu é um espetáculo de teatro adulto da Cia do Tijolo, um grupo de São Paulo, a cidade brasileira que mais tem políticas públicas para as artes cênicas. A peça é encabeçada por dois homens, o ator Dinho Lima Flor e o diretor Rodrigo Mercadante. Tempo de brincar é um espetáculo de circo para crianças da Trupe Açu, de Taquaruçu, distrito da região serrana de Palmas, capital do Tocantins. À frente do grupo de palhaçaria feminina estão três jovens mulheres: Giovana Kurovski, Mayara Cacau e Ester Monteiro – embora na apresentação a que assisti, no dia 4 de julho, estavam apenas duas, Giovana, a palhaça Girassol, e Ester, a palhaça Tapioca. O que aproxima as duas peças, à primeira vista, é o contexto em que ambas estão inseridas, a programação da Aldeia Jiquitaia, do Sesc Palmas, a que tive oportunidade de assistir enquanto ministrava a oficina intitulada “Des-pensar a crítica”, a convite do Sesc, em julho deste ano. Além disso, as duas peças se posicionam – cada uma a seu modo e em diferentes medidas – quanto a formas de exclusão social. Faço aqui um rápido recorte, procurando pensar a representatividade da mulher e o modo como é representada nesses trabalhos, sem a intenção de fazer uma abordagem ampla de cada um.

Imagens documentadas de um urro!

14 de fevereiro de 2017 Críticas

A imagem da capa do disco Cabeça Dinossauro dos Titãs de 1986, a mesma do programa da peça aqui discutida, é a de um homem urrando inspirada num estudo de uma gravura de Leonardo da Vinci, conhecido pintor do Renascimento. A imagem de uma cabeça que urra reforça a ideia de um disco em que o título Cabeça Dinossauro evoca uma força de resistência dos Titãs diante da caretice e do moralismo de uma sociedade que, apesar do recente fim da ditadura militar, ainda se ancorava em princípios reguladores ultrapassados.

O Evangelho segundo Pippo Delbono

8 de fevereiro de 2017 Críticas

De antemão, tomo a liberdade de dizer que é difícil sair indiferente a um espetáculo como Vangelo, de Pippo Delbono. Corro o risco dessa generalização devido à reação de alguns companheiros espectadores, e também às minhas próprias percepções, certamente remexidas. A montagem a que assisti se deu no Theatre Olympics, grande festival de teatro ocorrido na cidade de Wroclaw, Polônia[1], contando com um público heterogêneo advindo de várias partes da Europa. Dentre as pessoas com quem pude conversar, a sensação de desconcerto era quase a mesma. Para plateias europeias, não é novidade o caráter ousado do trabalho de Pippo Delbono, seja no cinema, seja no teatro; porém foram muitos os que saíram anestesiados da obra mais recente do artista e de sua companhia teatral.

Identidade, tradição e o agora – crítica do 25º Festival de Curitiba

29 de dezembro de 2016 Críticas

Decidi rever no celular as fotografias tiradas durante o Festival de Curitiba em março deste ano. Há alguns dias relia as anotações do festival escritas num caderno e era como se faltasse uma memória que iluminaria um rastro atravessando tantas páginas sobre espetáculos, debates, encontros, cafés.

Escrever sobre um festival com tanto tempo passado tem suas especificidades. É minha segunda experiência com esta proposição (a primeira foi no FIAC 2015) e agora algumas operações tornam-se mais definidas. Destaco aqui uma: na primeira vez, a ideia foi reunir o máximo de anotações e documentos possíveis – uma tentativa de prevenção ao esquecimento. Desta espécie de fichamento um olhar sobre a curadoria do festival emergiu, e a escrita se desdobrou nesta perspectiva de admitir o todo do evento como objeto da crítica.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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