O encontro com o novo público
Crítica da peça A ilusão cômica, de Pierre Corneille, com a Cia. Razões Inversas
A Cia. Razões Inversas faz temporada no teatro III do CCBB RJ com a peça A ilusão cômica. O texto do dramaturgo francês do séc. XVII Pierre Corneille até então inédito no Brasil ganha com a montagem da companhia de São Paulo o encontro do texto de um autor erudito à época com a base das técnicas de interpretação das comédias populares – principalmente da commedia dell’arte. Uma breve exposição histórica pode ser importante para entendermos como é interessante vermos a união destas duas formas hoje. Continuação »
O tom crítico da comicidade e da fantasia
Crítica da peça Os Mamutes, montagem da Companhia Omondé para o texto de Jô Bilac
A Companhia Omondé, sob direção de Inês Vianna, encenou recentemente na Arena do Espaço SESC e no Galpão Gamboa a peça Os mamutes de Jô Bilac. Nesse primeiro texto do autor, escrito há dez anos, pode ser detectado um universo temático que seria abordado posteriormente em Serpente verde, sabor maçã (escrito em parceria com Larissa Câmara), que é uma forte crítica aos costumes de uma sociedade cada vez mais consumista e superficial, de uma infância tomada por prematura perversidade e crueldade, além de uma crítica à superficialidade nas relações afetivas nos dias de hoje (seja na esfera da família, das relações amorosas, ou entre amigos). Ambas são comédias negras carregadas de ironia e crueza, abordando o que há de mais perverso nas relações na sociedade de consumo exacerbado em que vivemos. Contudo em Os mamutes essa crítica é ainda mais eloquente e direta, provocando um riso nervoso do espectador diante das mais bizarras situações. Continuação »
Constructo
Crítica da peça Sinfonia Sonho, de Diogo Liberano, do grupo Teatro Inominável
Kevin (Márcio Machado), menino de 9 anos que acaba de se mudar com os pais e a irmã para uma casa nova, tem um desejo que expressa o motor da peça Sinfonia Sonho de Diogo Liberano: ele quer virar música. Da mesma forma, cada passo tanto da dramaturgia quanto da atuação indica um desejo de mesma natureza. A direção busca operar uma mudança de valores, por meio de uma revolução das sensações. Ou seja, fazer do corpo dramático um acontecimento teatral alinhado à percepção causada por uma sinfonia. A base desse experimento é guiada por Diogo Liberano de dentro do acontecimento. Sentado em cena com o roteiro em mãos, ele incorpora o narrador e presentifica o diretor, fazendo as vezes de um maestro para apontar o ritmo, a textura e a amplitude dos eventos e dos personagens. Continuação »
Morrer de urso ou Inovação do momento original
Crítica da peça A primeira vista, de Daniel MacIvor, com Mariana Lima e Drica Moraes
A peça À primeira vista, dirigida por Enrique Diaz e em cartaz no Teatro Poeira, é uma poética ordenada pelo conteúdo contemporâneo do mundo calcado no visual. O que aparece, o que pode ser visto é, mais ainda que o mote, o lugar das origens. Lugar que se desterritorializa por que abre sempre novas linhas de fuga, porque pela sua simples presença já aponta para algum outro lugar de fora. A relação das duas mulheres vividas por Drica Moraes e Mariana Lima é uma reimpressão constante de momentos em que uma vê a outra, desdobramento de um primeiro momento em que se viram em uma loja de material de camping. Ato de ver investido de afeto. A encenação é a segunda experiência de Enrique Diaz com a dramaturgia de Daniel MacIvor. A primeira tratou-se de In On It que estreou em 2009. Continuação »
O que nos livra do esquecimento
Crítica da peça Cowboy, de Daniela Pereira de Carvalho, direção de Henrique Tavares
O espetáculo Cowboy, com dramaturgia de Daniela Pereira de Carvalho e dirigido por Henrique Tavares, apresenta um pensamento sobre os estados de loucura e seus limiares colocando em confronto duas perspectivas: uma é a daquele que passa por um estado de sofrimento mental, e outra, é a do que sofre sua repercussão. Neste atrito, mostram-se duas solidões em sofrimento e se dá a ver a inelutável restrição edificada pela afirmação de um único ponto de vista. A questão da loucura não é tratada por tentativa de sublimação ou mesmo de criação de um lugar de valor, o que demonstra uma visão sensível e constrói uma poética transgressora das nossas referências mais comuns. Continuação »
Ambiguidades sutis
Crítica da peça Ô Lili, da Cia Marginal, com direção de Isabel Penoni
A Cia Marginal está em cartaz com Ô Lili na sede da Cia dos Atores no bairro da Lapa. O espetáculo estreou em maio de 2011 no Teatro Maria Clara Machado. Ô Lili é o segundo trabalho da Cia (o primeiro foi Qual é a nossa cara?), que é integrada por jovens moradores do Complexo de Comunidades da Maré e que vem se desenvolvendo ao longo dos últimos seis anos em formas diferenciadas de oficinas e de apresentação de trabalhos. A pesquisa deste segundo espetáculo partiu de uma série de conversas realizadas com detentos do sistema prisional da cidade e que o grupo materializou por meio de uma criação coletiva, sob a direção de Isabel Penoni. Continuação »
A tragédia do olhar
Crítica da peça Equus, de Peter Shaffer, com direção de Alexandre Reinecke
Através de um personagem como o atormentado Alan Strung, o dramaturgo Peter Shaffer destaca, em Equus, a dificuldade de ser ou se sentir visto. Vítima de uma educação repressora, Alan, jovem de 20 anos, tem fascínio e horror pelos olhos dos cavalos porque se reconhece neles. É o que argumenta no instante em que o psiquiatra Martin Dysart pergunta sobre o motivo que o levou a cometer a atrocidade de cegar seis animais com um estilete de metal. Depois de iniciar tratamento com o Dysart, Alan passa a entregar fitas com os seus “depoimentos” devido, provavelmente, ao caráter de desvendamento íntimo que o vínculo entre médico e paciente adquire. O impacto desse contato também reverbera em Dysart, que, mergulhado num casamento burocrático, revela incômodo crescente com a intensidade da vibração de Alan. Continuação »
Nós precisamos sonhar com uma frágil sinfonia?
Crítica da peça Sinfonia Sonho, do Teatro Inominável
O espetáculo Sinfonia Sonho do Teatro Inominável, dirigido e escrito por Diogo Liberano, busca pensar o absurdo dos massacres infantis em espaços escolares, partindo de dois motes: a ficção presente no livro We Need to Talk About Kevin de Lionel Shriver e o caso real ocorrido na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo. Nesse sentido, a obra reflete sobre o espanto que nos atingiu ao assistirmos no Brasil um incidente semelhante ao de Columbine. Continuação »
BarkingDogs
Crítica de Espasmos Caninos, performance de Tales Frey apresentada na cidade do Porto
No princípio não era o Verbo. No princípio era o ecrã de televisão parado, com um conjunto de riscos coloridos em contagem para a abertura da emissão. No nosso princípio, no princípio de uma sociedade sem grandes princípios, a televisão marca o ritmo dos acontecimentos. Mas não nos fiquemos por aqui pois também no princípio o autor e ator se apresenta: ele é Tales Frey a interpretar Tales Frey. Mas não é por habitar essa personagem, como numa consubstanciação, que se torna mais fácil para Tales interpretar Tales. O autor principia com os avisos iniciais – 5 avisos, bem explicados, como bem aberta está a sua mão – tal como numa liturgia. Aqui, este Te Deum é para glória de Tales Frey, que durante a sua performance alcança o estado quase virginal (como podemos ver quando se despe, qual Adão antes do pecado). Continuação »
Imagens em repercussão poética
Crítica da peça Cartas de amor Electropoprockoperamusical, de Flavio Graff
Em cartaz no espaço da Caixa Cultural, a peça Cartas de amor – Electropoprockoperamusical, que teve sua estreia em 2010, dirigida por Flávio Graff e co-dirigida por Emílio de Mello é um potente roteiro para o imaginário acerca do amor. A palavra roteiro traz o movimento de percurso com ideias em desenvolvimento. O que surge é a desconstrução do ideal romantizado, deslocamento do lugar da fixação amorosa. Estão em jogo descobertas do amor como um pertencimento variacional: é daquele que ama, ou melhor, é potência que se inventa no amor que existe e que, em alguns momentos, encontra repercussão. Questão teórica que aparece: a repercussão das imagens poéticas. Termo que inclui significados de nova direção, de afastamento, de diferenças direcionais dos fluxos, de reprodução e de transmissão que não se afirmam pela causalidade. Cartas de amor é uma obra que coloca as dobras do amor em sua estrutura. Uma das inspirações para o roteiro foram textos de cartões postais adquiridos pelo ato do colecionador, o que em alguma medida gerou uma miríade de escritos poéticos como letras de músicas. Plataforma em constelação. Continuação »
Polifônico
Crítica da peça Outro lado, do grupo mineiro Quatroloscinco Teatro do Comum
Dando continuidade à sua pesquisa começada pela peça É só uma formalidade, a companhia Quatroloscinco, de Belo Horizonte, apresenta outro espetáculo que mescla as possibilidades de confluência entre a realidade e a ficção. Outro lado, apresentado no Teatro Cacilda Becker na Mostra Mambembão 2012, é uma peça que evoca as infinitas possibilidades existentes no caos quando se está diante de algo inevitável. Quatro personagens aprisionados em um bar, em tempos de guerra, lidam com o determinismo, procurando na ficção uma válvula de escape razoável. Continuação »
Sobre beleza e juventude – O retrato de Dorian Gray
Crítica da peça Dorian, da Companhia de Teatro Íntimo
A Companhia de Teatro Íntimo, após realizar o interessante trabalho Oito solos acompanhados na programação da Ocupação Complexo Duplo no Teatro Gláucio Gill, em 2011, retorna ao palco principal do teatro com sua versão do famoso romance O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Dentro da perspectiva de encenação de um clássico da literatura para o palco, sua atualização a partir das singularidades e escolhas de um coletivo teatral, a Companhia de Teatro Íntimo traça um colorido panorama sobre a história do belo aristocrata inglês, Dorian Gray, que em troca de juventude e beleza eternas vê o ônus de suas ações transferidas à sua imagem, retratada pelo artista Basil Hallward. O mergulho da companhia e de seu diretor nessa montagem mostra um coletivo empenhado em traçar uma trajetória de pesquisa continuada, que procura a cada trabalho imprimir sua linguagem artística bem como uma perspectiva apropriada sobre a fonte literária. Continuação »
A crítica, o artista e o intocável
Crítica da peça O bom canário, de Zacharias Helm, com direção de Rafaela Amado e Leonardo Netto
Uma história que fala do medo da exposição e o seu limite. O bom canário, texto do norte-americano Zacharias Helm, que esteve em cartaz no Teatro Poeira até o dia 4 de março, expõe a vida do casal Annie e Jack no momento em que os dois tentam lidar com um sucesso literário e um vício em anfetaminas.
Com direção de Rafaela Amado e Leonardo Netto, a peça começa com uma espécie de prólogo, no qual os atores caminham em torno de Flávia Zillo (Annie) que, parada no centro do palco, nem parece escutar as falas de seus companheiros de cena que ditam as características do que seria uma pessoa de personalidade fraca e vulnerável. Insistem em sublinhar a ideia de que “não é o mundo que é pesado demais”, mas sim algumas pessoas que não têm força para viver nele. E esses seres não são geniais, são “bundões”. Continuação »
Narrativa e intensidade dos afetos
Crítica da peça Música para cortar os pulsos, de Rafael Gomes
O espetáculo Música para cortar os pulsos foi apresentado à plateia carioca, no mês de fevereiro, no Espaço SESC, em Copacabana. Depois de viajar por algumas capitais brasileiras, o grupo Empório de Teatro Sortido retorna ao mesmo bairro, no Teatro Gláucio Gill, no mês de abril, em mais um período de temporada. Continuação »
Olhar corrosivo em relação ao teatro nacional
Crítica da peça Árvores abatidas ou para Luís Mello
O diretor Marcos Damaceno assina a dramaturgia de Árvores abatidas ou para Luís Mello, espetáculo apresentado dentro da programação do Mambembão 2012. É natural, dado o grau de intervenção no texto do austríaco Thomas Bernhard. Damaceno se serve da obra do autor, que descortina a hipocrisia imperante na aristocracia vienense e questiona a pertinência da perpetuação de um teatro capitaneado por atores ainda reverenciados como monstros sagrados, mas já destituídos de frescor. A montagem da Marcos Damaceno Companhia de Teatro parece ter surgido de um desejo de atualizar a discussão, de modo a suscitar uma reflexão sobre os rumos do fazer teatral. Continuação »
Entradas e desmoronamentos
Crítica da peça Adeus à carne ou Go To Brazil de Michel Melamed
Fracasso, talvez. Digamos que a peça Adeus à carne ou Go To Brazil de Michel Melamed é atravessada por uma série de fracassos e desmoronamentos, cenas que deliberadamente parecem não se constituir de maneira sólida, como uma escultura em gesso que nunca se solidifica.
Organizada como uma escola de samba, a peça é mais um carnaval mal ajambrado e com a frieza própria aos carnavais que se tornaram a regra. Mas, diferentemente das escolas de samba, os personagens, na peça, estão sempre no limite do patético, do grotesco, do fracasso dos corpos e das tentativas de alguma relação entre eles e com algo que lhes escapa: a política, a mídia, o amor, a alegria. Continuação »
A família sob a perspectiva do teatro
Crítica do espetáculo Isso te interessa?, da Companhia Brasileira de Teatro
A Companhia Brasileira de Teatro estreou em setembro de 2011, em Curitiba, Isso te interessa?, espetáculo que coloca em cena os atores Ranieri Gonzalez e Giovana Soar, como pais, e Nadja Naira e Rodrigo Ferrarini, como filhos, explicitando as difíceis relações no microcosmo familiar, em que uma viagem ao balneário francês de Saint Cloud é sempre aludida como esperança de felicidade. O texto da dramaturga francesa contemporânea Noëlle Renaud traz uma estrutura peculiar de falas intercaladas a rubricas dentro de uma mesma frase, que propõe aos atuantes um desafio constante de trânsito entre diferentes registros – desde a representação de personagem até a indicação direta das ações, com gradações de distanciamento. E esse entrar e sair dos personagens é intensificado pelo revezamento dos quatro atores no papel do cachorro da família, que observamos nos limites de um cenário em perspectiva. Continuação »
Sobreviventes na intermitência da luz
Crítica da peça Breu, de Pedro Brício, com Andréia Horta e Kelzy Ecard
Convencido de que o enigma exigia uma resposta, eu busquei na obscuridade.
(Georges Banu, in Avec Grotowski, 2011, p. 8 )
A peça Breu, em cartaz no Teatro III do Centro Cultural do Banco do Brasil até março e com direção de Maria Sílvia Siqueira Campos e Miwa Yamagizawa, dá a ver o encontro de duas mulheres em um contexto cotidiano de suas vidas, assoladas de modos distintos, pelas consequências da ditadura militar no Brasil. O texto de Pedro Brício expõe uma perspectiva temporal complexa que sugere indeterminações de passado e presente, configurações de fusões e de repetições que transfiguram um modo de pensar o tempo e, portanto, a história também. A história no caso de Breu é projetada para os espectadores pela vida dos vencidos, pelos pequenos acontecimentos no refúgio da casa, por meio de diálogos quase anódinos e entrecortados de duas personagens que deixam escapar uma tensão provocadora de um latente estado de suspensão que acompanha o que é desconhecido e que está enunciado no título. Essa qualidade de transfiguração de uma noção temporal na dramaturgia revela um autor que se firma por uma escrita elaborada capaz de revelar, sem eloquência, o intempestivo ocasionado por um acontecimento histórico-afetivo, como são todas as investidas de uma ditadura na vida dos indivíduos. Continuação »
Intraduzível
Crítica de Duplo Crimp, que reúne as peças O campo e A cidade, de Martin Crimp
O diretor Felipe Vidal, que já havia montado a peça Tentativas contra a vida dela, de Martin Crimp, continua sua relação com o autor inglês montando Duplo Crimp. Este é um projeto composto de duas peças, O campo e A cidade, ambas traduzidas por Daniele Avila Small, e que estiveram em cartaz no Teatro Gláucio Gill de 13 de janeiro a 13 de fevereiro.
É inevitável estabelecer, primeiramente, a ordem destas em relação a Tentativas. Sendo um marco na carreira e no estilo de Crimp, Tentativas fundamentou elementos dramatúrgicos que podem ser vistos em iminência na peça O campo e já bem explorados em A cidade. Vamos nos ater especialmente na construção das identidades de seus personagens e das questões postas aos atores para interpretá-los. Continuação »
Autenticidade de relatos desarmados
Crítica da peça Música para cortar os pulsos, da companhia Empório de Teatro Sortido
Música para cortar os pulsos, montagem da companhia Empório de Teatro Sortido que vem angariando prêmios e repercussão em festivais (melhor espetáculo do FITA 2011, Prêmio APCA 2010 de melhor peça jovem), conquista pela exposição do relato sincero, disposto diante do público de maneira direta. O autor Rafael Gomes procura expressar a intensidade das emoções juvenis, a reverberação passional de embates amorosos a partir do sofrimento decorrente de uma separação, de um desencontro de expectativas em relação a alguém muito próximo, do temor do afastamento que esse descompasso pode levar, do medo frente ao desconhecido. Continuação »
Assembleia de constrições sem ajuizamentos
Crítica da peça Ato de Comunhão, de Lautaro Vilo, com Gilberto Gawronski
O que fundamenta a encenação de Ato de comunhão é a pesquisa de uma linguagem que possa materializar aspectos do psiquismo humano em seus momentos limítrofes. Essa intenção edifica o originário da própria noção de arte – o que, no espetáculo, criou uma zona de indeterminação entre a linguagem da performance e do teatro que as enriquece em termos de proposição e de resultados. A peça, com direção e atuação de Gilberto Gawronski e co-direção de Warley Goulart, encena o texto do argentino Lautaro Vilo que é inspirado no caso verídico ocorrido na Alemanha em 2001, no qual um homem praticou canibalismo consentido em outro homem. No texto, o protagonista do referido ato faz um alerta aos possíveis tradutores de sua fábula para o cinema de que ele, Frank da Alemanha, cometeu uma estupidez e que estes não devem cometer outra: ele não é Hannibal Lecter – referindo-se ao conhecido personagem de ficção criado pelo escritor Thomas Harris e vivido por Anthony Hopkins no cinema –, ele não permitirá trilogias, jogos de câmera, cenas de perseguições de carro, tiros ou vertigens. O que ele deseja é um ator com semelhança física e que possa compreender a questão com “ressonância trágica”. Continuação »
“Eu queria falar que eu sou a Norma.”
Crítica da peça Outside, um musical noir, de Pedro Kosovski
Seis meses depois de ter visto a peça pela primeira vez e três meses depois da segunda oportunidade que tive de assistir a esse espetáculo, pude ler o texto escrito por Pedro Kosovski, em colaboração com o diretor, Marco André Nunes, e com o elenco da peça. O fim do ano, com sua demanda de retrospectivas, me fez pensar de novo em Outside, um musical noir, sobre o qual pensei em escrever algumas vezes. Além de apresentar trabalhos individuais muito bem sucedidos, como os figurinos de Flavio Graff e a direção musical de Felipe Storino, Outside ficou na minha memória como um espetáculo bastante atípico no teatro carioca, mesmo com a considerável diversidade das propostas artísticas da cidade: uma improvável mistura do gênero musical (tantas vezes frívolo e até apelativo) com questionamentos sérios sobre a arte contemporânea (mais comumente discutida em espetáculos de menores proporções). Continuação »
O teor fantástico da redenção
Crítica da peça Criados em cativeiro, de Nicky Silver
Criados em cativeiro é um texto do dramaturgo americano Nicky Silver, escrito em 1995, que problematiza a ideia dos atos de redenção nos percursos da vida. A redenção que aparece é atravessada por possibilidades de libertação e de deixar o outro ir – um deixar -se estar e ir para construir ou refazer as perdas amorosas. Assim, a noção de drama se estabelece quando revela por meio dos diálogos os traumas passados, os fracassos, as angústias atuais, a solidão e, sobretudo, a alienação em que estão mergulhados os indivíduos. O cativeiro dos personagens está impresso (em negativo) em suas relações que se encontram presas nos acontecimentos recalcados do passado. Continuação »















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