Vol. VIII, nº 65, agosto de 2015

31 de agosto de 2015 Editoriais

Baixar PDF do Vol. VIII, nº 65, agosto de 2015

A edição de agosto de 2015 se dedica às múltiplas possibilidades de reflexão, no campo dos estudos teatrais, a partir das noções de arquivo e legado, que são abordadas em alguns textos da seção de estudos, conversas e traduções. Alguns textos da seção de críticas também abordam o tema.

Na seção de críticas, publicamos textos sobre peças que se apresentaram no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Curitiba. Edelcio Mostaço escreve sobre Aula Magna com Stálin, de David Pownall, encenação de William Pereira, destacando o teor discursivo em torno do realismo socialista.

Luciano Gatti escreve sobre O terno, texto de Can Themba e direção de Peter Brook, discutindo a retomada pelo encenador da concepção de teatro épico e suas consequências para a elaboração de um espetáculo não trágico. Gatti também escreve sobre os espetáculos da Ocupação SozinhosJuntos, dos Irmãos Guimarães, pensando a relação entre teatro e performance, e a relação entre as artes quanto à fidelidade ao texto beckettiano. Patrick Pessoa escreve sobre Ilíadahomero, projeto de Octavio Camargo, fazendo uma análise panorâmica da encenação de dez cantos homéricos apresentados no Festival de Curitiba de 2015.

Do Rio de Janeiro, Dinah Cesare escreve sobre Sexo neutro, refletindo sobre a questão contemporânea exposta pelo universo trans na peça escrita e encenada por João Cícero. Mariana Barcelos escreve sobre Caranguejo Overdrive, peça da Aquela Companhia, encenação de Marco André Nunes com dramaturgia de Pedro Kosovski, a partir de conceitos de conflito e sua representação na forma da cena. Outro espetáculo do mesmo grupo, Laio e Crísipo, é analisado por João Cícero a partir da pesquisa anterior do grupo sobre a Pop art, discutindo os entrecruzamentos com o aspecto crítico do pastiche.

Renan Ji escreve sobre as peças da Ocupação Copi: A geladeira, dirigida por Thomas Quillardet, e O homossexual ou A dificuldade de se expressar, encenada por Fabiano de Freitas, à luz do conceito de ator-travesti cunhado pelo próprio Copi para definir sua obra. Sobre O homossexual ou A dificuldade de se expressar, Caio Riscado analisa as escolhas das atuações, trazendo à discussão alguns conceitos da teoria queer e de outros estudos. Daniele Avila Small escreve sobre Krum, texto do dramaturgo israelense Hanoch Levin e encenação de Marcio Abreu, identificando procedimentos da encenação que conseguem capturar um estado de atenção no espectador.

A peça da companhia brasileira de teatro também aparece na seção de processos, com texto de Patrick Pessoa sobre o processo de criação, discutindo as questões dramatúrgicas surgidas ao longo das três primeiras semanas de ensaios. Ainda na seção de processos, Alexandre Dal Farra procura mapear as questões que perpassam as suas últimas peças – de Mateus, 10 a Abnegação I e II – tentando entender os reais “temas” de que as peças tratam, e apontando um caminho para a escrita da última parte da Trilogia Abnegação.

Na seção de conversas, Cassiana Lima e Fabrício Moser trocam ideias sobre Laura, peça que tem como tema a trajetória de sua avó: o encontro do artista com objetos, relatos e documentos que vêm à cena contar, poeticamente, a trajetória de uma personagem anônima que teve sua história silenciada pela família e pela comunidade, devido ao trágico desfecho de sua existência.

Na seção de estudos, Alessandra Vannucci escreve sobre o legado dos diretores teatrais italianos no teatro brasileiro da década de 1950, história recontada por diários, contos, roteiros, romances autobiográficos e um filme. Henrique Gusmão propõe uma discussão sobre a obra de Constantin Stanislavski a partir da análise do livro Stanislavski revivido, que reúne as transcrições de conferências e debates promovidos pela SP Escola de Teatro. Michele Zaltron também aborda o legado do encenador russo, destacando a prática do etiud como meio pedagógico fundamental, considerando sua relação estreita com o Método de Análise Ativa.

Luciana Romagnolli analisa quatro espetáculos da MITsp 2015 a partir das tensões entre teatro e cinema (WoyzeckSenhorita JuliaJuliaE se Elas Fossem para Moscou?). Dinah Cesare escreve sobre as proposições do narrador e o declínio da experiência segundo Walter Benjamim, a partir da performance O narrador, de Diogo Liberano.

Os estudos ainda contam com artigo de Viviane da Soledade sobre a recepção crítica de um espectador leigo a partir de uma carta de uma sócia de um clube de espectadores criado pelo Espaço Cultural Escola Sesc em Jacarepaguá no Rio de Janeiro

A seção de traduções traz um texto de José A. Sanchez, intitulado A pesquisa artística e a arte dos dispositivos, publicado em maio de 2015 no Catálogo da 12ª Bienal de La Habana, sobre o teatro contemporâneo a partir do paradigma da pesquisa. A tradução é de Luciana Romagnolli.

Notes

Newsletter

Edições Anteriores

Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

Edições Anteriores