Estudos

A cidade sem crítica – sobre teatro e impermanência em Curitiba

2 de novembro de 2016 Estudos

 

Esse texto[1] articula a minha pesquisa acadêmica, assim como a minha vivência como crítico e artista – pesquisa que atravessa as minhas graduações, em jornalismo e em artes cênicas, uma especialização em antropologia cultural e, atualmente, uma pesquisa de mestrado em filosofia. O modo como eu entendo e como eu venho pensando a crítica de arte, e mais precisamente a crítica de teatro, é de uma forma inexoravelmente interdisciplinar. O meu lugar de fala, portanto, é de um artista-pesquisador-crítico e não parece ser possível dissociar nenhuma dessas esferas, ainda que seus desenvolvimentos e exercícios aconteçam com várias particularidades (essa ideia de uma “crítica de artista”[2] é desenvolvida por Daniele Avila Small, mais especificamente no artigo “Crítica de artista ou O crítico ignorante 7 anos depois”, mas perpassa também o seu livro O crítico Ignorante, em que o pensamento de Jacques Rancière é central, em referência a uma obra chamada O mestre ignorante).

A história como crítica e a análise como crônica – A crítica como modelo para escrita da história teatral

25 de abril de 2016 Estudos

Vol. IX, nº 67 abril de 2016 :: Baixar edição completa em PDF

Resumo: O artigo analisa o livro Panorama do teatro brasileiro, de Sábato Magaldi, priorizando a compreensão do modelo de discurso presente no livro, a partir da aproximação com a forma de crítica teatral jornalística do autor nos anos 1950. Ao constatarmos a transposição da fórmula de escrita e ao realizarmos as comparações, será possível compreender algumas das disputas, jogos de força e estratégias que levaram à construção e consagração desta narrativa, no que diz respeito à fórmula de escrita.

Palavras-chaves: Panorama do teatro brasileiro (1962), Magaldi, Sábato (1927–), História do teatro brasileiro, Crítica teatral jornalística, História da crítica teatral brasileira

Abstract: The article analyzes the book Panorama do teatro brasileiro, by Sábato Magaldi, prioritizing the understanding of the speech model on the book, in an approach to the shape of the author’s journalistic theatrical critical in the 1950s. When proving the writing formula transposition and realizing comparisons, it is possible to understand some of the disputes, strength games and strategies that that led to the construction and consecration of this narrative, regarding the written formula.  Keywords: Panorama do teatro brasileiro (1962), Magaldi, Sábato (1927), Brazilian theatrical history, Brazilian theatrical historiography, Journalistic theater critic, Brazilian theater critic history

 

Panorama do teatro brasileiro é considerado a versão mais definitiva sobre a nossa história do teatro, de uma forma total, fonte de inspiração para diversos historiadores. Jacó Guinsburg e Rosângela Patriota, em uma defesa apaixonada do livro, tentam defini-lo da seguinte forma:

Sobre crítica e nomes

25 de abril de 2016 Estudos

Vol. IX, nº 67 abril de 2016 :: Baixar edição completa em PDF

Resumo: O artigo reflete sobre a autoria e sua ressonância na história da crítica teatral no Brasil, a partir do pensamento de Michel Foucault sobre o nome de autor e o discurso. Relaciona esta reflexão com o paralelo entre crítica e crônica proposta por Maria Cecília Garcia, a despeito da crítica jornalística, no livro Reflexões sobre a crítica teatral nos jornais – Décio de Almeida Prado e o problema da apreciação da obra artística no jornalismo cultural e, ao fim, faz alguns apontamentos sobre o atual cenário da crítica teatral estabelecida na internet.

Palavras-chave: crítica teatral, nome de autor, discurso

Abstract: The article reflects on the authorship and its resonance in the history of theater review in Brazil, from the thought of Michel Foucault on the name of the author and speech. Relates this reflection with the parallel between critical and chronic proposed by Maria Cecilia Garcia , despite the journalistic criticism in the book Reflexões sobre a crítica teatral nos jornais – Décio de Almeida Prado e o problema da apreciação da obra artística no jornalismo cultural. Finally, make some notes about the current scenario of the theater review in the internet.

Keywords: theater review, author name, speech

 

A crítica é um discurso sobre um discurso.

Roland Barthes

 

O que fazer com o próprio nome

Não é sobre o nome próprio, mas sobre o nome que assina, o nome do autor. No entanto, a grafia pode ser a mesma. E a quem interessa esta distinção? Até aqui, a quem escreve, no caso, eu. Compreender esta diferença implica em distinguir lugares de escrita e possibilidades enunciativas, significa tomar uma posição em relação ao que se quer dizer (escrever) e, principalmente, ao como dizer.

Crítica de artista ou O crítico ignorante 7 anos depois

25 de abril de 2016 Estudos

Vol. IX, nº 67 abril de 2016 :: Baixar edição completa em PDF

Resumo: O ensaio propõe a prática de uma crítica de artista como resposta ao mal-estar da mediação, tendo em vista a conhecida insatisfação dos artistas para com a crítica. A proposta se relaciona com as ideias do livro O crítico ignorante, da própria autora, do ensaio de Max Bense O ensaio e sua prosa, de O ensaio como forma de Theodor Adorno, e especialmente de Sobre a essência e a forma do ensaio: uma carta a Leo Popper de Georg Lukács, bem como do livro Altas literaturas de Leila Perrone-Moisés, e sugere a troca de ensaios epistolares entre artistas, por uma escrita da crítica amorosamente contemporânea ao teatro do seu tempo.

Palavras-chave: crítica de artista, crítico ignorante, ensaio epistolar

Abstract: This essay proposes the practice of an artist’s critic as an answer to the malaise of mediation, considering the very well known dissatisfaction of artists to criticism. The propposal is related to the book O crítico ignorante (The Ignorant Critic), by the author of this paper, Max Bense’s On the Essay and its Prose, The Essay as Form by Theodor Adorno, and specially On the Essence and Form of the Essay: A Letter to Leo Popper, by Georg Lukács, as well as the book by Leila Perrone-Moisés Altas literaturas (High Literatures). It suggests the exchange of epistolary essays among artists, as a way to a critical writing which is lovingly contemporary to the theatre of its time.

Keywords: artist’s critic, ignorant critic, epistolary essay

 

What would you think if I sang out of tune?
Would you stand up and walk out on me?
Lend me your ears and I’ll sing you a song
And I’ll try not to sing out of key
Oh, I get by with a little help from my friends
I get high with a little help from my friends
Gonna try with a little help from my friends

Paul McCartney

A crítica sem juízo: entre o cânone e o consenso

25 de abril de 2016 Estudos

Vol. IX, nº 67 abril de 2016 :: Baixar edição completa em PDF

Resumo: Este ensaio tem por objetivo pensar o campo da crítica de arte nos últimos vinte anos. E, de modo especial, a crítica teatral diante do diagnóstico de esvaziamento e perda de força com que se depara, seja com a redução do espaço da crítica nos veículos de comunicação de massa, seja o lugar de estabilidade entre o cânone e o consenso que parece caracterizar os exercícios críticos recentes.

Palavras-chave: crítica, recepção, juízo estético, cânone, consenso

Abstract: This essay aims to discuss the field of art critique in the last twenty years. The discussion focus especially in the theater critic, faced with the diagnosis of the latest draining and loss of strength that confronts it, either by reducing the critical space in the mainstream media, either by the place of stability between the canon and the consensus that seems to characterize the recent critical exercises.

Keywords: critical reception, aesthetic judgment, canon, consensus

 

 

“O crítico é um leitor que rumina. Deveria, por isso, ter mais de um estômago.”

Friedrich Schlegel

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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