Autor Rui Pina Coelho

Da (minha) impossibilidade em escrever sobre espectáculos: do quotidiano, da memória e do amor

16 de abril de 2020 Críticas

Não é de agora, mas tenho cada vez mais dificuldade em escrever sobre espectáculos. Tenho cada vez mais dificuldade em traduzir para palavras a experiência de vida que um espectáculo inspira. Dou por mim sem capacidade (vontade? generosidade?) para articular raciocínio sobre o que acabou de me acontecer. Penso: o espectáculo já me aconteceu. Tudo o resto é memória e cemitério. Tudo o resto é já parte de mim. Não há exercício analítico de memória, seja ela episódica ou semântica, feliz ou infeliz, perene ou transiente, que me consiga resgatar as horas de tráfego autopoiético entre o meu corpo e a cena. É coisa acabada. E bem. É assim que deve ser. Penso.

Dito isto, não vem desta (minha) impossibilidade grande mal ao mundo. São coisas cá minhas – que nem sequer vêm ao caso.

Confessava esta minha inaptidão porque o espectáculo Osmarina Pernambuco não consegue esquecer, de Keli Freitas, estreado no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, em Novembro de 2019, agudiza ainda mais esta minha disfunção. Nunca, como espectador, vivi um espectáculo desta forma.

Toda a Europa:

4 de setembro de 2018 Estudos

“Teatro e literatura são artes diferentes”[1], repete Osório Mateus, fazendo desta afirmação o convincente refrão do ensaio “Teatro e Literatura”. “Teatro e literatura são artes diferentes”, repete o professor, crítico, tradutor, encenador e ensaísta português. Na sua explanação vai provando porque entende que teatro e literatura são “objectos distintos do saber e implicam métodos de conhecimento diferentes”[2]. As suas explicações atravessam questões epistemológicas, perscrutam o contexto laboral envolvido na produção de cada uma das artes, atentam na especificidade dos “objectos produzidos pelas duas artes”[3], sinalizam a diferença de estatuto dos “discursos críticos ou teóricos sobre as duas práticas”[4] e das possibilidades de conhecimento, acesso e arquivo de cada uma destas artes, contemplando também a mutação histórica na noção de género e da relação entre, precisamente, teatro e literatura.

The function of criticism and the Internet era

25 de abril de 2016 In English, Traduções

Vol. IX, nº 67 abril de 2016 :: Download complete edition in PDF

English version by the author

Paper presented at the Symposium “A New World: The Profession of Criticism in the Internet” / XXVII World Congress of IATC/AICT, in Beijing, October 2014.

 

Abstract: As a result to the profound and increasing difficulties on professional performing arts criticism, there has been an on-going migration to new media namely, specialized journals, magazines or books, and the Internet, where sites and blogs devoted to performing arts criticism are flourishing. There has been also an approach between the traditionally distinct areas of criticism, dramaturgy and creation. Practises such as embedded criticism, horizontal criticism or intercriticism have been placing critics and dramaturges in a more and more close position. All these changes have been altering the core function of performing arts criticism and its role on public sphere. In this paper, I aim to discuss the function of online criticism while presenting and evaluating the recent Portuguese online training seminar for performing arts critics Mais Crítica, sponsored by four Lisbon theatre venues.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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