nelson rodrigues | Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais

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Devaneio metateatral sobre a cultura das aparências

23 de maio de 2013 Críticas
Foto: Divulgação.

Em 1943, quando o diretor polonês Ziembinski estreou sua versão para a peça Vestido de noiva, de Nelson Rodrigues, quem estava na plateia talvez não pudesse suspeitar que, naquela noite, o teatro brasileiro inaugurava historicamente sua fase moderna. No entanto, era inegável o estranhamento gerado pela opção rodrigueana de concentrar toda a ação cênica na cabeça da protagonista Alaíde. Após ter sido atropelada e chegar à sala de cirurgia entre a vida e a morte, a personagem se tornou marco de nossa dramaturgia ao oscilar entre os planos da memória, da realidade e da alucinação.

É também a estranheza fragmentária e lacunar gerada pela sobreposição de planos um dos pontos de contato mais fortes entre Vestido de noiva e o novo espetáculo do Grupo XIX de Teatro, Nada aconteceu, tudo acontece, tudo está acontecendo, livremente inspirado na obra clássica de Nelson e com dramaturgia criada pelo grupo em parceria com Alexandre Dal Farra. A direção é de Luiz Fernando Marques e Janaina Leite.

O tempo de Nelson

28 de março de 2013 Críticas
Foto: Dalton Valério.

Introduzir uma questão sobre Vestido de noiva não é uma tarefa fácil. Mesmo um texto crítico pode sofrer do fato de toda a dramaturgia de Nelson Rodrigues ter sido amplamente montada, vista e analisada. Claro que isto tem a ver com a peça ser um texto ícone da dramaturgia brasileira. O texto de Nelson tornou visível uma formação estrutural e uma temática, cujo desdobramento foi o de se mostrar como um clássico. Um texto pode ser considerado um clássico por sua capacidade de mimetizar a atualidade em que é encenado, na medida em que traz questões e modos de encenação ainda não plenamente identificáveis e que, por isso, podem ser reconhecidos, ou traduzidos por diferentes épocas. Então, de alguma forma, estamos falando e pensando na questão do tempo quando nos referimos aos textos que, como o de Vestido de noiva, são capazes de trânsito entre épocas.

Um inconsciente preso ao passado

24 de novembro de 2012 Críticas
Foto: Divulgação.

A primeira visão da cena identifica um quadro onírico em que objetos empilhados tais como cadeiras, mesas, uma cômoda, teclas de piano suspensas e outros se amalgamam com o Espaço Tom Jobim – Galpão. Os objetos parecem retidos. Concretização plástica perceptual de Sônia, menina morta aos 15 anos que recompõe a trajetória de sua vida por meio de fragmentos de memória – personagem de Valsa Nº 6, único monólogo escrito por Nelson Rodrigues. Esta motivação material é a expressão com a qual a direção de Claudio Torres Gonzaga marca a encenação como forte elemento de teatralidade. É visível na cenografia de Sérgio Marimba o desejo de mimetismo da personagem, ou por outra, sua indelével condição de prisioneira do passado – coerência sustentada pela composição dramática que nos propõe um modo de conhecimento da personagem do clássico texto rodriguiano.

Jogando com Nelson Rodrigues

18 de outubro de 2011 Críticas

Até que a morte nos separe, da Mênades & Sátiros Cia de Teatro, grupo de Presidente Prudente, apresentou no Festival Nacional de Teatro da respectiva cidade uma criativa versão de A vida como ela é, de Nelson Rodrigues, baseada nos contos O pastelzinho, Desastre de trem, O pediatra, Noiva da morte e Perfume de mulher.

Leitura inscrita no espaço da cena

21 de maio de 2011 Críticas
Luciana Lyra e Carlos Ataíde. Foto: Divulgação.

Em Memória da cana, a direção e a adaptação de Newton Moreno traçam uma linha sinuosa entre o Rio e o Recife, re-emoldurando as imagens do Álbum de família de Nelson Rodrigues, colocando o autor num contexto menos urbano, mais próximo às imagens de um determinado Nordeste – que nada tem em comum com o Nordeste limpo e colorido, de festa junina, que se vê com mais frequência aqui no Rio, como, por exemplo, em montagens de textos de Ariano Suassuna. O Nordeste de Memória da cana é ocre, tem cheiro de terra e de gente. A questão seminal da pesquisa do grupo Os Fofos Encenam nesse projeto parece ser a investigação, neste texto, das raízes pernambucanas do autor carimbado carioca. Com embasamento teórico e historiográfico, os artistas-criadores lançaram mão de suas memórias e de sua filiação nordestina para reescrever esse Nelson com caligrafia própria.

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A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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