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Brasileiro por excelência

3 de fevereiro de 2013 Críticas

Ao longo do tempo, João Falcão vem conjugando as funções de dramaturgo e diretor, acúmulo perpetuado agora no musical Gonzagão – A lenda, concebido para homenagear Luiz Gonzaga no centenário de seu nascimento. A qualidade das músicas, a adesão do elenco e a vibração da cena credenciam esse espetáculo brasileiro por excelência que sublinha certas opções no que se refere à configuração da cena.

Uma das características mais evidentes na encenação de João Falcão é o palco limpo, que permanece assim durante boa parte da apresentação. Os atores entram trazendo os elementos referentes a cada cena e os levam embora ao final da passagem (cenografia e adereços a cargo de Sergio Marimba). Os músicos (direção musical de Alexandre Elias) emolduram esse espaço “vazio” por onde transitam os atores trajados em figurinos (de Kika Lopes) sempre criativos, que surpreendem sem apelar para o esfuziante. As tonalidades neutras imperam – com exceção de poucos momentos, como o do passional reencontro entre Gonzagão e Gonzaguinha. Contrastando com essa neutralidade, a iluminação (de Renato Machado) preenche a amplidão do palco do Sesc Ginástico com cores fortes (vermelho) – ou conferindo intensidade a tons frios (azul) – sobrepostas a uma cortina rendada ao fundo.

Um inconsciente preso ao passado

24 de novembro de 2012 Críticas
Foto: Divulgação.

A primeira visão da cena identifica um quadro onírico em que objetos empilhados tais como cadeiras, mesas, uma cômoda, teclas de piano suspensas e outros se amalgamam com o Espaço Tom Jobim – Galpão. Os objetos parecem retidos. Concretização plástica perceptual de Sônia, menina morta aos 15 anos que recompõe a trajetória de sua vida por meio de fragmentos de memória – personagem de Valsa Nº 6, único monólogo escrito por Nelson Rodrigues. Esta motivação material é a expressão com a qual a direção de Claudio Torres Gonzaga marca a encenação como forte elemento de teatralidade. É visível na cenografia de Sérgio Marimba o desejo de mimetismo da personagem, ou por outra, sua indelével condição de prisioneira do passado – coerência sustentada pela composição dramática que nos propõe um modo de conhecimento da personagem do clássico texto rodriguiano.

Uma encenação na frontalidade

30 de junho de 2011 Críticas
Foto: Guga Melgar.

A encenação dirigida por Moacir Chaves de O retorno ao deserto, texto de Bernard-Marie Koltès, produz um continente tensionado pelas noções de superfície e profundidade por meio da opção de valorização da palavra como vetor da teatralidade. Essa tem sido, em uma boa medida, uma das investidas observáveis no trabalho do diretor, que cria zonas de contrastes para a recepção, construídas por um movimento de aproximação e de distanciamento que abre espaço para o jogo reflexivo. A ideia de uma teatralidade pautada pelo texto orientou fortemente o teatro ocidental, mas foi paulatinamente desconstruída em favor dos demais elementos da representação teatral na contemporaneidade. Assim, O retorno ao deserto aparece como um objeto constituinte de uma historicidade teatral, na razão própria de seu deslocamento.

A sonoridade material do texto

16 de julho de 2010 Críticas
Atriz: Ana Barroso. Foto: Guga Melgar

A encenação de Merci em cartaz no Teatro do Oi Futuro do Flamengo, escrita por Daniel Pennac, com a direção de Moacir Chaves e a atuação de Ana Barroso é um exemplo de como podem ser congregados de maneira sutil a dramaturgia, a cena e a escrita. A sutileza aqui criou um campo de beleza para a recepção no sentido da estética. Todos os elementos que constituem a encenação são cuidadosamente e inteligentemente elaborados. Para começar, vale a pena ler o programa deixado nas cadeiras do teatro. A escrita começa a forjar um imaginário antes mesmo do texto falado e que, ao final, se junta a esse último criando a possibilidade de desdobrar sentidos, uma esfera quase material para nossa reflexão.

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A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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