Processos

Um balé como um levante da ralé

22 de junho de 2018 Processos
Foto: Caíque Cunha.
Foto: Caíque Cunha.

Preciso escrever sobre o Balé Ralé. E, de imediato, um desafio: olhar pra trás, mesmo que nem seja pra tão longe assim, para tentar reaver um processo que suscitou em nós alguns níveis de exposição e, diria mais, de posicionamento e comprometimento, diante da crise a que todos, enquanto sociedade, sempre nos vemos expostos, mas ainda mais no tempo presente, esse tão essencial ao teatro e ao teatro contemporâneo, esse grande enigma pro qual se flecham clichês e alguns preconceitos, mas que em suma é isso, uma visão do mundo a partir do presente. Não tenho como me separar de mim enquanto realizador pra olhar pro processo do Balé Ralé tentando suscitar quem eu era lá, por isso penso aquele processo a partir de hoje.

Por um teatro do dissenso: Laboratório colaborativo com Victoria Perez Royo

4 de abril de 2018 Processos

“La operación de percibir el mundo no consiste tanto en representarlo, como en construirlo. Esta acción está compuesta de una multitud de procesos complejos: consiste en un conglomerado de interpretaciones de la realidad, construcciones de otras realidades, explicaciones post-hoc, reeva- luaciones y un montón adicional de trucos de magia que el cerebro considera conveniente para optimizar nuestra interacción con el entorno.”

Victoria Pérez Royo

Victoria Perez Royo. Foto: Nereu Jr.
Victoria Pérez Royo. Foto: Nereu Jr.

Fui convidada pela Revista Questão de Crítica para compartilhar a experiência que tive com a pesquisadora espanhola Victoria Pérez Royo em seu workshop de três dias dentro das Ações Pedagógicas, oferecido pela MITsp 2018 em São Paulo, com curadoria de Maria Fernanda Vomero. Victoria é pesquisadora de Artes Cênicas e professora na Faculdade de Filosofia da Universidade de Zaragoza na Espanha.

Arame farpado: deu caô na federal

24 de março de 2018 Processos
Arame farpado. Foto: Divulgação.
Arame farpado. Foto: Thaís Paiva.

Por um bom tempo eu fui Phellipe Azevedo de Alvarenga e parte de apenas um lado da minha família. Parte da família da minha mãe e hoje eu sou muito parte dela. Como minha mãe eu sempre fui da rua. Existia nela o desejo de estar com o outro, uma troca constante com a rua. Os vizinhos não eram desconhecidos, eles eram parte formadora dela e da minha educação. O coletivo foi presente na minha construção, fui criado na rua e sou dela. A rua se estabeleceu como a grande inteligência e sagacidade de transformação do meu ser e do meu entorno. Existia na minha mãe uma inteligência de se estabelecer com o outro. E esse diálogo com o outro, forma e transforma. Aprendi com ela a construção desta sabedoria: o conhecimento que vem da rua.

A Tryple Frontera, texto residual

27 de fevereiro de 2018 Processos

O presente texto residual é, de alguma forma, assim como o trabalho realizado no projeto, um recorrido entre tempos – portanto não respeita uma ordem cronológica do processo – e ainda que sugira uma mirada para o passado, será também a partir de seus bocetos (esboços, rascunhos) que conservam em sua própria natureza algum desejo de futuro. Muitos dos textos e notas não apareceriam materialmente não fosse dessa maneira. Logo, vale salientar, as texturas aqui expostas – um dia rascunhos, hoje ruínas, tudo resíduo – tenta apenas levantar possíveis aspectos do trabalho realizado ao longo do projeto A Tríplice Fronteira / La Triple Frontera / Yvy Marãe’y.

Tom e o barro – o complexo primitivo

27 de fevereiro de 2018 Processos

Nota: Este texto foi originalmente publicado no livro Tom na fazenda, que integra a Coleção Dramaturgia da Editora Cobogó.

Foto: José Limongi.
Foto: José Limongi.

O ano de estreia da montagem brasileira de Tom na fazenda foi marcado pelo evidenciamento de uma expressiva onda conservadora que começou a se espalhar pelo Brasil e por tantos outros países como reação às liberdades conquistadas na virada do século. Em 2017, houve golpe político, movimentos de xenofobia, limpeza étnica, censura às artes, genocídio em comunidades pobres e indígenas, desmatamento desenfreado, crises econômica, política e ética, repressão das expressões “pagãs”, perseguições religiosas, homofobia. É nesse contexto que cai em nossas mãos Tom na fazenda, do canadense Michel Marc Bouchard.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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