Autor Maria Lucas

Corpos, sons, textos, imagens e telas

12 de setembro de 2021 Críticas, Estudos

O coletivo Pandêmica, que desde o começo da quarentena produz espetáculos como 12 pessoas com raiva ou eventos como Orgulhe, também se propôs a abraçar outros projetos e ser palco-tela para artistas que estão produzindo arte-teatro-afeto de distintos lugares do Brasil. Desta vez, propiciou algo que se faz necessário quando profissionais da arte nos tornamos: pensar, refletir, discutir sobre os temas: dança, atuação, direção musical, direção e dramaturgia.

Mas, pergunto-me agora, como escrever sobre tais temas, sobre os encontros sobre tais temas, sobre como se produziram esses temas nas nossas telas (palcos-casas)? Os encontros performativos, que agora são plasmados nessas palavra-papel DIGITAL a partir de uma escrita ou ex-crítica performaAtiva, são divididos assim, nestes eixos descritos acima, em caixinhas mesmo… pois não é pelas caixinhas-telas, que nos comunicamos atualmente? Talvez tentando sair das caixas, mas apropriando-se do que é possível em meio a esse caos (vide pandemia mundial, quarentena, isolamento, bolsonarismo genocida), eu, Maria Lucas, que aqui escrevo como crítica (?), estive no encontro sobre atuação, como atuadora-artista. Ao receber o convite, lancei uma questão para a equipe, levada a ser despontada na noite do encontro (via telas). Questionei sobre atuação, mas mais ainda sobre A – TUA – AÇÃO. O que você atua, como? Na casa, na vida. Teatro-Arte-Tela-Vida é política(?).

Ser travesti não precisa ser sempre uma barra pesadíssima!

12 de setembro de 2021 Críticas

 

“Por que eu tenho que parecer hétero?
 Por que eu tenho de parecer mulher?
                eu não posso parecer uma caminhoneira, um caminhoneiro?
                                         Por que eu não posso ser travesti?”
(Claudia Wonder, 2009)[1]

 

É uma barra MUITO pesada ser travesti e estar viva (e atuante) nesse país que, mesmo antes de um presidente genocida, já liderava o ranking sendo o que mais mata pessoas trans em todo o mundo: o foco maior é em travestis, sobretudo pretas e em situações de rua, prostituição e alta vulnerabilidade social.

Fazer-se, atuar, reivindicar, é, não só arte, política. Eu, que escrevo esse texto, e as outras que transcrevo nesse esboço crítico, somos, antes de mais nada, o sonho de conquista revolucionária das que aqui estavam antes da violência chamada de Descoberta a partir da Portugal colonial chegar, e também das que, como Xica Manicongo[2], foram escravizadas e aqui, longe de suas terras originárias, obrigadas a serem quem não são, ultrajadas. Somos também a continuação da existência das que resistiram à Operação Tarântula[3] e à Ditadura Militar. Ser travesti é assumir-se contra um projeto de mundo processualmente construído para nos matar… Mas é também ativar uma força ancestral de poder e glória contra um CIStema que cega a todos e todas fazendo com que trabalhem em prol de ver-nos mortas, apagadas. É necessário então, para que sigamos produzidas-produtivas e vivas-ativas, que reergamos o nosso projeto de mundo, contrário ao imundo projeto precário e caduco, mas ativamente potente, branco-europeu-cis-colonial e binário que vem, ao longo de séculos, nos apagando, afastando e arrancando, literalmente, o nosso sangue. Para isso, se faz necessário conhecer e exaltar as que estiveram aqui antes de nós e reconhecer e estimular as potências das que ainda seguem vivas aqui.

O feminino independente do corpo & a performance independente da plataforma

24 de dezembro de 2020 Críticas

Uma confluência de idiomas: português e espanhol. Como numa viajem de avião, somos convidades a navegar pelo continente intitulado América Latina. Imagens e sons desconexos revelam na tela corpos não desvelados, assim como as vozes. Os performers que constroem e materializam imagem-som em suas corpas e na tela são Nina da Costa Reis e Eduardo Ibraim; uma mulher cisgênera e um homem cis, ou melhor, uma bicha. Essa interação entre bicha-mulher-tela, multilíngue e performática, é chamada de Gaia, uma experiência promovida através do YouTube em cartaz na parceria com o Pandêmica Coletivo Temporário de Criação.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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