Processos

O gesto poético como libertação. E reaprendizado.

31 de março de 2014 Processos
Leveza (Marcia Rubim). Foto: José Roberto Crivano.

Início

Ter uma companhia de teatro, com já alguma estrada, implica aprofundar sua pesquisa interna de forma cada vez mais surpreendente – de preferência – e não decepcionar o seu público fiel. Sempre tenho em mente a figura daquele artista de circo que mantém vários pratos girando sem parar sobre uma varinha. E a quantidade de pratos só aumenta… Assim, ao idealizar o projeto que gerou o espetáculo PEH QUO DEUX, tive que levar em consideração alguns anseios internos e externos que, nos últimos anos, vêm nos perseguindo. Eu queria muito retomar a vertente mais forte e característica da PeQuod, o seu trabalho com bonecos, fundamental para que o grupo se destacasse no panorama local e nacional. No entanto, o hibridismo, que nos permitiu mesclar atores e bonecos num mesmo grau de importância na cena e que, desde Peer Gynt, encenado em 2006, tem pautado nossos trabalhos, para mim já tinha se esgotado. Por ora. Essa contaminação da cena foi bastante relevante nesta montagem já citada e em A Chegada de Lampião no Inferno, espetáculo de 2009 que também bebeu nessa fonte híbrida. A questão é que tínhamos saído de um trabalho em que as necessidades de produção e da cena foram retirando os bonecos do palco e nos vimos em um híbrido ao extremo, um híbrido ao contrário ou, resumidamente, um espetáculo sem bonecos. Só com atores. Nada contra. But…

O Ritual-Exposição como recurso performativo autobiográfico

31 de março de 2014 Processos
Ritualização de si. Foto: Tania Alice.

O Ritual-Exposição: Ascendência-Imanência-Transcendência foi uma ação ritualística em homenagem aos antepassados, aos ancestrais. A ação foi realizada no dia 11 de março de 2014, exatamente no aniversário de um ano de falecimento do meu avô materno. O ritual foi iniciado em uma aula da pós-graduação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), na disciplina intitulada Arte Relacional como Revolução dos Afetos – ministrada pela professora e performer Tania Alice. Esta disciplina propõe discutir e experimentar, de forma teórico-prática, a performance como potencializadora de afetos, numa dimensão espiritual da existência, através de uma abordagem ativa e crítica do conceito de Estética Relacional (BOURRIAUD, 2009) e da discussão de projetos de ASE (Socially Engaged Art – Arte Socialmente Engajada) (1). A disciplina também propõe discutir o conceito de ecosofia – proposta do livro As Três Ecologias (GUATTARI, 1990).

[Des]esperando Godot – estudo de um processo de criação via negativa

24 de abril de 2013 Processos
Foto: Divulgação.

Como conceber uma criação artística que em seu próprio desdobramento criativo ambiciona a sua própria destruição? Como aluno-diretor do curso de Direção Teatral da UFRJ, optei por desdobrar a pesquisa “Poéticas negativas como campo de relações entre teatro, artes plásticas e performance”, sob orientação da professora Livia Flores, trabalhando sobre a encenação da peça Esperando Godot, de Samuel Beckett, originalmente nascida como trabalho curricular que realizei em 2010 na disciplina Direção VI, tendo estreado em julho do mesmo ano. Essa encenação, inicialmente homônima ao texto de Beckett, acabou se transformando em Vazio é o que não falta, Miranda, quando estreamos em setembro de 2010 a primeira temporada na cidade do Rio de Janeiro. Em cena, como diretor, me junto às quatro atrizes para apresentar uma peça construída sobre a impossibilidade de sua construção. Através de uma sucessão de tentativas para encenar Godot, agimos certa “poética da negação” porque, após um processo que durou mais de um ano, desacreditamos no esperar de Godot e, em vez de encenarmos outra dramaturgia, encenamos a nossa própria dificuldade em ter que dar sentido àquilo que não mais nos servia.

Deus e o diabo na terra do sol – Em busca de uma experiência total

29 de janeiro de 2013 Processos
Foto: Divulgação.

“O difícil é ser total.”
Hélio Oiticica

Quando a Cia. Provisória surgiu, em 2008, na UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), tinha como horizonte de estudo e pesquisa cênica o teatro musical brasileiro e suas variáveis, já que era possível considerar, por exemplo, o Show Opinião (1964) como uma possibilidade de material prático desse estudo. Por fim, Calabar – o elogio da traição (1973), de Chico Buarque e Ruy Guerra, foi a peça escolhida para o início dos trabalhos.

Depois de seis meses de ensaios, aulas de canto, preparação vocal e corporal, Calabar estreou, e foi muito bem recebida pelo público e pela crítica, voltando a atenção da academia para o estudo do musical (que já vinha despertando o interesse dos discentes) e, sobretudo, pelo resultado da encenação que devolvia o teatro ao gênero, colocando a música como recurso da linguagem em vez de motivo para a cena, e se aproximando, como gênero, mais do épico do que do próprio musical.

Grupos em processo de criação

29 de janeiro de 2013 Processos

O projeto ENCENA foi para sua segunda edição mostrando, mais uma vez, os processos criativos de grupos de teatro. A intenção do evento é que grupos apresentem parte do seu processo de criação e/ou linha de trabalho que resultará numa montagem e, em troca, possa ter um feedback do público sobre o que foi mostrado. No dia 18 de outubro, seis grupos se apresentaram, na Galeria TAC, na Lapa.

O primeiro, Lamento e liberdade, de Brunno Vianna, conta a história de duas escravas no Período Regencial Brasileiro. Foi uma cena curta, de duas atrizes negras que representaram com muita autoridade e imbuídas do texto – do próprio diretor – as agruras da vida da época, as brincadeiras entre os seus e o linguajar. A formação acadêmica de Brunno Vianna certamente são fundamentais para a criação do texto mas, além disso, a pesquisa de documentos, música e pontos cantados por escravos e referências propostas por ele e executadas por Cláudia Leopoldo e July enriquecem o pouco que pudemos ver.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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