Autor Viviane da Soledade

Manifesto da recepção artística pela busca do direito de ser espectador

31 de agosto de 2015 Estudos

Vol. VIII, nº 65, agosto de 2015

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Resumo: O artigo analisa o juízo estético de um espectador comum feito por meio de uma carta de uma sócia de um clube de espectadores criado pelo Espaço Cultural Escola Sesc em Jacarepaguá no Rio de Janeiro. Por meio desse artigo busca-se expor a reflexão sobre a importância da crítica de um espectador não especializado e como a análise de um objeto artístico colabora para a formação de subjetividade e de cidadania

Palavras-chaves: espectador, crítica, cidadania, clube, cultura

Resumen: El artículo analiza el juico estético de un espectador común hecho por medio de una carta de una socia de un club de espectadores creado por lo Espaço Cultural Escola Sesc enJacarepaguá en Rio de Janeiro. Por medio de ese artículo busca-se exponer la reflexión acerca de la importancia de la crítica de un espectador no especializado y como el análisis de un objeto artístico colabora para la formación de subjetividad y de ciudadanía.

Palabras clave: espectador, crítica, ciudadanía, club, cultura

 

No dia 10 de maio de 2013 a senhora Regina Lucia, sócia do Clube de Espectadores desde 21 de novembro de 2010, endereçou um arquivo por e-mail aos responsáveis pelo projeto “Palco Giratório da Escola Sesc de Ensino Médio” com o título “Carta ao Sesc Ensino Médio”. O Clube de Espectadores é um projeto realizado desde 2008 pelo Espaço Cultural Escola Sesc, localizado na Escola Sesc de Ensino Médio em Jacarepaguá, Rio de Janeiro que surge como uma tática para a formação de publico a partir de ações que visam políticas culturais com o objetivo de dar a todos o acesso à uma programação cultural de qualidade.

Teatro Oficina Uzyna Uzona: tensão entre o interior e o exterior

10 de abril de 2009 Estudos

“ Minha vida se viu confundida com esse lugar que virou o meu destino.”
José Celso Martinez Corrêa 

Não é, talvez, por acaso que a arquiteta italiana Lina Bo Bardi [1] ao sair da Bahia para morar em São Paulo comece a trabalhar com o grupo Oficina e a produzir cenários para as encenações do grupo e que, a partir de 1982, comece a trabalhar no projeto do seu terceiro e último espaço cênico. Na ocasião da elaboração desse espaço, o grupo já tinha uma trajetória de mais de vinte anos, porém ainda buscava novos desafios e formas diferentes de se pensar e de fazer teatro. Ao mesmo tempo em que as características da arquitetura do Teatro Oficina Uzyna Uzona [2] são coerentes com a prática teatral do grupo, também são recorrentes em outras concepções espaciais da arquiteta. Esses pontos de convergência serão analisados e confrontados com a concepção artística de Lina Bo Bardi e a de José Celso Martinez Corrêa. 

A rua como contingência teatral

10 de abril de 2009 Críticas
Foto: divulgação.

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz de Porto Alegre se apresentou na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, no dia 15 do mês de abril às 15h. A direção e o texto do espetáculo O amargo santo da purificação foram criados pelo grupo tendo como mote a trajetória do militante do Partido Comunista Carlos Marighella, que dedicou-se à causa dos trabalhadores, da independência nacional e do socialismo durante o período de maior repressão imposta pelas ditaduras de Getúlio Vargas e militar. O espetáculo assume uma linguagem alegórica para dar conta dessa trajetória e o numeroso elenco determina a estrutura coral. A história de Marighella é contada principalmente em forma de música e o roteiro se fundamenta em marcos históricos da vida do personagem.

O registro de um Krapp

15 de outubro de 2008 Críticas
Ator: Sérgio Brito. Foto: divulgação.

A dramaturgia da peça A última gravação, de Samuel Beckett, nos apresenta um velho homem numa relação com seu gravador, através do qual se escuta os seus depoimentos registrados em diversas fases da sua vida. A cada ano o personagem Krapp escuta alguns destes depoimentos, nos quais ele não se reconhece mais. À medida que ele escuta as suas gravações, e percebe que já não possuem mais a mesma importância, vão sendo desdobradas várias vozes díspares dentro de uma estrutura monológica.

Teatro Oficina: um espaço metonímico

10 de junho de 2008 Estudos

“No espaço que funciona metonimicamente, um caminho percorrido pelo ator representa, sobretudo, uma referência ao espaço da situação teatral; como parte pelo todo, refere-se ao espaço real do palco e, a fortiori, do teatro e do espaço circundante como um todo”[1]

No capítulo designado ao estudo do espaço dramático e pós-dramático, do livro Teatro Pós-dramático de Hans-Thies Lehmann, é criado um contraponto entre ambas as noções a partir do princípio espacial que foi se configurando após a crise do drama. Para Lehmann o espaço dramático se constitui numa condição espacial mediana entre o intimismo e a imensidão. Essas seriam umas das prioridades para a realização do espelhamento, tão caro ao drama, que se estabelece na relação entre o palco e o espectador por meio da identificação do que vê com o que está sendo visto. Então, uma das condições necessárias para que o drama ocorra acaba por ser uma demanda espacial em que, além de mediana, deve ser isolada, independente e com uma identidade própria do que está sendo apresentado em relação ao mundo daquele que assiste. Somente com essa isolação entre palco e platéia bem definida que esse processo de identificação ocorre, pois assim a separação espacial entre a emissão e a recepção acontece de fato e propicia o espelhamento. Pensando na interferência que a aproximação e o distanciamento do espectador da cena tem para a recepção teatral, Lehmann afirma que:

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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