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A restituição ao visível pela fabulação do real

25 de abril de 2016 Críticas

Vol. IX, nº 67 abril de 2016 :: Baixar edição completa em PDF

Resumo: Este artigo propõe que se pense o espetáculo Real – Teatro de Revista Política como concretização de um projeto estético-político do grupo mineiro Espanca! de enfrentamento mais direto com a realidade sociopolítica brasileira, a partir da análise das quatro peças curtas que compõem a obra, considerando relações entre o real, a fábula e a alteridade.

Palavras-chave: alteridade, Espanca!, fábula, real

Resumen: Este artículo propone que se piense el espectáculo Real – Teatro de Revista Política como concretización del proyecto estético y político del grupo Espanca!, de Minas Gerais, en confrontación más directa con la realidad social y política brasileña, com basis en el análisis de las cuatro piezas cortas que componen la obra teniendo en cuenta las relaciones entre lo real, la fábula y la alteridad.

Palabras clave: alteridad, Espanca!, fábula, real

 

Na trajetória de um grupo de teatro longevo, as flutuações de seus integrantes tendem a gerar instabilidades criativas. E estas podem enfraquecer o trabalho coletivo, como tantas vezes já vimos ocorrer quando um elemento-chave – por vezes o de maior responsabilidade pelo desenho estético das obras daquele grupo de artistas, ou seu fator coagulante – desliga-se dos demais e toma rumo distinto, independente. Entretanto, como é também da instabilidade que vem o movimento, tais mudanças estruturais podem pavimentar todo um novo caminho artístico autônomo, que se descole das realizações do passado, no sentido de não se tornar tributário dos próprios feitos, mas as tenha como base propulsora para novas jornadas e ambições estético-políticas.

Amarildo e Taubira

23 de outubro de 2013 Estudos
Foto: Guto Muniz.

Este artigo foi produzido para uma participação na mesa-redonda intitulada Tendências dramatúrgicas contemporâneas, que integrou a programação do I Seminário Latino-americano de Teatro organizado pelo Instituto Boal na Faculdade de Letras da UFRJ, em outubro de 2013.

Tendo em vista a proposição da mesa-redonda, apresentada no título Tendências dramatúrgicas contemporâneas, procuro estabelecer num primeiro momento um breve horizonte de significados para cada um dos três conceitos aqui envolvidos – tendência, dramaturgia e contemporaneidade – para, assim, colocar em palavras alguns questionamentos que têm me acompanhado recentemente a respeito do teatro e dos seus lugares possíveis no mundo.

Fantasmagorias da realidade

30 de janeiro de 2013 Críticas
Foto: Divulgação.

A cena é simples, na verdade, tudo dá a aparência de um cenário artificial. Uma sala de estar com duas paredes, uma ao fundo e outra na lateral direita. O cenário não tem um acabamento tradicional realista, é feito de compensado pintado, sem pretensões ilusionistas, propositadamente sem nenhum tratamento característico de uma cenografia figurativa. Na parede lateral vê-se um pequeno corredor que sugere um cômodo contíguo. O lado esquerdo é vazado para o escuro do fundo do espaço. Um carpete verde e um sofá marrom de dois lugares. A primeira impressão deste conjunto, juntamente com os atores no espaço, é a de que a narrativa humana se estrutura por enredos incompletos. Tudo sugere um desgaste pelo tempo. O que se observa é um desejo de realismo (de um regime estético mimético) insuflado pelo regime da realidade que se mostra como algo que precisa ser construído. A desejada imaterialidade humana de suas histórias está instalada numa região virtual que não está ali visível para o público, que se insinua pela qualidade de um cenário meio inacabado.

Imagens do envolvimento

30 de dezembro de 2012 Críticas
Foto: Guto Muniz.

Por correr, por suspender o movimento, por deixar o tempo passar, por parar o tempo, por amor, por se envolver, por deixar cair, por se proteger, por deixar ser clareira, por partir, por reencontrar, por planejar o improvável, por ser animal, por falar, por recortes, por imagens…

Em Por Elise, paradoxalmente, as associações não são óbvias, mesmo a vida não sendo tão imprevisível que não possa acontecer na história comum, ou dos comuns como diz o texto de Grace Passô. Os comuns não se portam em semelhança direta com o mundo conhecido. A dramaturgia se realiza em corpos no espaço, ou nos modos de se manter de alguma maneira no espaço. O que impressiona pode ser suas imagens que transitam entre movimento e ações. O Tai Chi é como um meio expressivo destas duas qualidades dos corpos na cena e, no prólogo, aponta precisamente algo que ainda está por vir.

Autoral e polifônico

30 de outubro de 2010 Conversas

Por acasião da temporada do espetáculo Marcha para Zenturo, criado pelo Grupo XIX de Teatro e pelo Espanca!, Felipe Vidal conversa com os integrantes de ambos os grupos. A conversa foi realizada em setembro de 2010 no Espaço SESC. Participaram da conversa: Luiz Fernando Marques, Janaina Leite, Juliana Sanches, Ronaldo Serruya e Paulo Celestino (do Grupo XIX); e Marcelo Castro, Gustavo Bones e Grace Passô (do Espanca!).

Felipe Vidal – Acho que a gente pode começar falando de uma coisa mais objetiva sobre os grupos para depois entrar na história do espetáculo. Queria saber como é a sobrevivência dos grupos, como se dá o dia a dia, como acontece isso para vocês – individualmente e coletivamente?

Janaina Leite – No Grupo XIX a gente tem um contexto bastante específico que é o movimento teatral em São Paulo, que nos anos 90 abriu uma porta enorme de possibilidades pro teatro de grupo. Ainda com todas as restrições, dentro do cenário do país, acho que São Paulo tem uma realidade pra realização do teatro de grupo que é bastante singular. São 10 anos de trajetória e a gente se cola totalmente às conquistas do movimento em São Paulo. Tem a ver com a Lei de Fomento, com todos os editais que vieram depois; com a Lei de Fomento, sobretudo, que foi o que estruturou o grupo. Estruturou, criou um espaço, a gente se entendeu como grupo a partir da Lei de Fomento. O que significa esse entendimento sobre o que é ser grupo, o que é fazer um trabalho continuado, o que é ter uma pesquisa. Então, a gente hoje em dia tem essa força muito grande que é estar ligado a um espaço – o que potencializa muito nossas atividades não só internas, como possibilidade de interação, de receber outros grupos e atividades no espaço – e essa manutenção que vai se dando por esses editais públicos.

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A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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