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Não somos destino

17 de outubro de 2021 Críticas

Não sei há quantos dias permaneço aqui, entre uma vídeochamada e uma aula remota, entre um livro e uma performance. Arrisco uma palavra ou outra, engasgo, gaguejo, desisto, me entrego… E, então, escrevo. Neste empenho em manter a sanidade, abro um vinho, leio um livro, ouso começar um artigo do zero, apago as únicas cinco linhas que esbocei. Respiro. Eu acho. Busco o ar. Nem sempre o encontro. Falta o ar. Não sei se é ansiedade, mais uma crise de asma ou sintoma de Covid-19. Ou se é tudo isso ao mesmo tempo. Quinze abas abertas no notebook. Em uma delas, sinto o impacto de uma colisão forte o bastante para me sacudir, me resgatar de mim mesma em um fim de tarde de domingo, um encontro que me devolveu o ar que há poucas linhas me faltava. Encontrei-me com Debora, Debora Lamm, dando vida ao texto “Mata teu pai”, de Grace Passô.

O embranquecimento da pretura

10 de fevereiro de 2018 Críticas
Cássia Damasceno e Grace Passô. Foto: Nana Moraes.
Cássia Damasceno e Grace Passô. Foto: Nana Moraes.

 

Escrevo esse texto a convite da revista Questão de Crítica.
Esse texto não é uma crítica sobre preto.
Preto merece uma crítica detalhada sobre o que preto mostra em cena.

Eu esperei muito tempo para ver preto no palco.
Estava muito ansiosa e cheia de expectativas.
É muita coisa pra se esperar de um espetáculo trazido pela companhia brasileira de teatro chamado preto.
Das dezessete montagens da companhia BRASILEIRA de teatro, apenas três tiveram atores pretos no elenco.
Somente uma dessas três montagens aconteceu antes da chegada de Grace Passô. Nessa primeira montagem, a atriz preta em cena era Cássia Damasceno, também produtora da companhia há anos. Essa primeira peça da companhia BRASILEIRA de teatro com uma atriz preta, só teve apresentações no exterior. No Brasil foram só ensaios abertos.
Significa.
Só agora, em preto, Cássia volta ao palco pela segunda vez com a companhia BRASILEIRA de teatro. Pela primeira vez no Brasil.

Peça de resistência

12 de outubro de 2016 Críticas

Rio, 15.09.2016

Querida Grace,

se eu tivesse mais tempo, escreveria uma carta de só duas páginas, mas, como não tenho, sou forçado a escrever uma carta mais longa. Desculpe, a edição vai ter que ficar por tua conta.

Já faz um tempo que vi a estreia de Vaga carne, no Festival de Curitiba; e também já faz um tempinho desde que revi aqui no Rio, no SESC Copacabana. Nas duas vezes, pudemos depois ficar juntos um pouco, e falar da vida, essa “farpa de madeira intensa”, como você disse tão bonito um dia. Quando acontece isso, de eu ver um espetáculo e depois sair com quem fez, sempre sinto um pudor de falar do que estou sentindo. Não tem a ver com ter gostado ou não gostado. Também não tem a ver com o nível de intimidade que tenho com a pessoa. Tem mais a ver, acho, com uma certa fé na fermentação.

Transparências das formas de vida

24 de dezembro de 2015 Críticas

Vol. VIII n° 66 dezembro de 2015 :: Baixar edição completa em pdf

Resumo: A crítica de Guerrilheiras ou para a terra não há desaparecidos, projeto idealizado por Gabriela Carneiro da Cunha com direção de Georgette Fadel e dramaturgia de Grace Passô, reflete sobre as operações realizadas na peça como reinvenção da memória da Guerrilha do Araguaia.

Palavras-chave: Guerrilha do Araguaia, Mulheres guerrilheiras, corpo, imagem, tempo.

Abstract: This review of Guerrilheiras ou para a terra não há desaparecidos, project conceived by Gabriela Carneiro da Cunha directed by Georgette Fadel and written by Grace Passô, reflects on operations made in the play as reinventing the memory of the Araguaia Guerrilla.

Keywords: Araguaia guerrilla, guerrilla women, body, image, time.

 

Guerrilheiras ou para a terra não há desaparecidos é fruto de um projeto de Gabriela Carneiro da Cunha que após três anos de captação de recursos e elaboração de pesquisas teve sua estreia em setembro de 2015 na Arena do Espaço Sesc, no Rio de Janeiro. Seu tema resgata a histórica participação de dezessete mulheres na Guerrilha do Araguaia, um movimento guerrilheiro de luta armada contra a ditadura militar no Brasil que aconteceu na região amazônica ao longo do rio Araguaia entre o final dos anos de 1960 e a primeira metade da década de 1970. O movimento contou com a participação de guerrilheiros e moradores da região que aderiram à causa organizada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

As faces da mesma moeda – o jogo das duplas

22 de dezembro de 2014 Críticas

Vol. VII, nº 63, dezembro de 2014

Resumo: A crítica analisa a montagem do espetáculo Contrações, do Grupo 3 de Teatro, a partir da leitura de Jean-Pierre Sarrazac sobre a transformação da dramaturgia no século passado, no livro O futuro do drama. A outra via de análise aborda a ideia de dicotomia para pensar os jogos entre polaridades presentes nos demais elementos cênicos.

Palavras-chave:Dramaturgia, Jean-Pierre Sarrazac, Mike Bartlett.

Abstract: The review analyzes the montage of the play “Contractions” by Grupo 3 de Teatro from the reading of Jean-Pierre Sarrazac’s book on the transformation of drama in the last century: L’Avenir du drame. The other via of analysis handles the idea of dichotomy to think about the games between the present polarities in the other scenic elements.
Keywords: Dramaturgy, Jean-Pierre Sarrazac, Mike Bartlett.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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