Conversas

Conversa com Lourenço Mutarelli

15 de dezembro de 2008 Conversas

Conversa com Lourenço Mutarelli, concedida em 07 de Julho de 2006, na residência particular do autor e desenhista, em Vila Mariana, São Paulo. Versão editada.

Nos desenhos e álbuns de Lourenço Mutarelli destacam-se especialmente o traço marcante e as histórias que evidenciam um caráter visivelmente autobiográfico. Reconhecido inicialmente no universo dos quadrinhos por meio de uma obra extremamente singular e autoral, Mutarelli menciona entre os autores que o influenciam, Kafka, Ionesco e Beckett. Em nossa conversa, o autor discute alguns pontos em comum e as principais diferenças entre o desenho, o romance e o teatro. Mutarelli fala do seu encontro com a Cia da Mentira[i] e do processo de criação da peça O que você foi quando era criança?[ii]. O autor comenta ainda o seu último álbum A Caixa de Areia, e fala sobre o desejo de transportar o espectador de teatro com o mínimo. 

Uma companhia com escrita personalizada

10 de dezembro de 2008 Conversas

Inveja dos Anjos remete a um passado distante, anterior ao surgimento da Armazém Companhia de Teatro, em 1987, em Londrina, com a encenação de Aniversário de Vida, Aniversário de Morte. A estrada de ferro que corta a cidade interiorana, contexto deste novo espetáculo, traz à tona imagens de Cornélio Procópio, onde nasceu o diretor Paulo de Moraes.

De lá para cá, muito tempo passou. Fundada com o inusitado nome de Companhia Dramática Bombom pra que se Pirulito tem Pauzinho pra se Chupar, rebatizada de Bombom e depois de Armazém, a companhia desembarcou no Rio de Janeiro na primeira metade da década de 90 com A Ratoeira é o Gato, encenação que logo conquistou elogios e curiosidade de público e crítica. Não demorou muito para se mudar definitivamente para o Rio, durante a temporada de Sob o Sol, em meu Leito, após a Água.

Tempo de resistir

15 de outubro de 2008 Conversas

Silvia Pasello é atriz da Fondazione Pontedera Teatro desde o início dos anos 80. Um dos nomes importantes na sua formação teatral foi o ator polonês Richard Cieslak, ator do Teatro Laboratório de Jerzy Grotowski. Silvia trabalhou em parceria com Carmelo Bene, com quem apresentou no Théatre Odéon, em Paris, Macbeth Horror Suite. Trabalha como atriz convidada da companhia italiana Raffaello Sanzio. Silvia esteve no Brasil para dirigir uma montagem de O castelo de Franz Kafka com uma turma de formandos da CAL. Henrique Gusmão, que também participou da conversa, é assistente de direção desta montagem.

SILVIA PASELLO – Kafka faz uma operação muito estranha com a escrita. A língua dele como escrita parece pouco significativa do ponto de vista da literatura porque lendo você tem a impressão de ler sempre a mesma coisa, a mesma palavra. Isto faz com que a língua desapareça e apareça outra coisa, como quando a criança pega uma palavra e repete, repete e essa palavra desaparece. Então, para mim, O castelo tem a ver com tudo isto, com o visível e o invisível, neste sentido do aparente, daquilo que aparece e desaparece, desta reciprocidade de planos. Não sei se está claro, mas é o que surge no meu imaginário. Mas isto é uma premissa.

Cidadão de Beirute

15 de outubro de 2008 Conversas

Rabih Mroué é diretor da peça Yesterday’s Man, que faz parte da programação de inauguração do Teatro Tom Jobim.

PEDRO MANUEL – O título who’s afraid of representation? pretende estabelecer uma relação com as restrições à produção de imagens pela religião islâmica, como no caso da representação de Maomé?

RABIH MROUÉ – Eu não faço essa relação de forma directa. Faço antes uma relação com o momento presente, há um problema sobre como fazer teatro, como pode um actor representar uma personagem como Hamlet?

PEDRO MANUEL – E porque é um problema?

RABIH MROUÉ – Já não consigo acreditar. E, ao mesmo tempo, é também porque estou a lidar com assuntos políticos e religiosos da minha região. Quando sou bombardeado com milhares de imagens por dia pelos media, pergunto-me: estou nesta parte do mundo, posso produzir mais imagens? é-me permitido produzir imagens? Parece-me que há uma espécie de impossibilidade, até porque estamos numa região onde já temos a nossa imagem feita, nós não estamos a produzir as nossas imagens, elas são produzidas por outros.

O palco como travessia

10 de junho de 2008 Conversas

Conversa publicada no jornal Tribuna da Imprensa no dia 24 de maio de 2008.

Apesar de considerar concluída a sua pesquisa sobre o trabalho vocal do ator, Antunes Filho continua um encenador inquieto. Em determinado momento da sua carreira, Antunes Filho deu uma guinada – mais exatamente quando dirigiu “Macunaíma”, a partir da obra de Mario de Andrade, com o Grupo Pau-Brasil.A partir daí, Antunes se afastou do chamado teatro de mercado para se dedicar ao aperfeiçoamento de um método de trabalho para o ator, que vem sendo desenvolvido ao longo dos anos no Centro de Pesquisa Teatral (CPT).

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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