Tag: Keli Freitas

Carpintaria – o drama e a cena (apontamentos e dúvidas)

25 de dezembro de 2013 Críticas
Foto: Leo Aversa.

Nota: O texto contém spoilers, ou seja, revelações a respeito do enredo.


A montagem do espetáculo Incêndios de Wajdi Mouawad (traduzido por Angela Leite Lopes) com direção de Aderbal Freire-Filho, em cartaz no Teatro Poeira, traz à tona o debate acerca da carpintaria da dramaturgia contemporânea que se constrói a partir de um eixo dramático nuclear edificador de toda a estrutura da fábula.

Se se entende ainda hoje o drama como um modelo abstrato que une num mesmo ponto o tempo, o espaço e a ação, a peça de Mouawad não deve ser considerada drama. Entretanto, se deixarmos de lado essa premissa radical do que seria o drama absoluto, rastrearemos modelos existentes no qual a unidade da trama da fábula percorre uma lógica causal (atravessando espaços e temporalidades diversos) culminando num núcleo dramático, em que a história acaba se apresentando através da integração de acontecimentos. Assim sendo, Incêndios deverá ser examinado como um drama cuja experiência fragmentária da contemporaneidade se costura em uma coesão dramática.

O desejo paradoxal de ter e querer

30 de setembro de 2012 Críticas
Foto: Divulgação.

30 de Abril de 1993:

A tenista Monica Seles, então número um do ranking mundial, foi esfaqueada durante uma partida das quartas-de-final do Torneio de Hamburgo. O autor do atentado, o alemão Günter Parche, foi durante anos obcecado pela tenista alemã Steffi Graf, principal concorrente de Seles. A obsessão de Günter por Graff começou em 1985, quando a viu em um programa de televisão. A partir de então, passou a escrever cartas para a tenista e para sua mãe. Chegou a mandar dinheiro, forrar as paredes de seu quarto com fotos gigantescas da moça e não perdia nenhum de seus jogos. Ela era a criatura de seus sonhos, com olhos de diamantes e cabelos de seda brilhantes, conforme afirmou após o atentado contra Mônica Seles. Ele cometeu o ataque com o objetivo de fazer com que seu objeto de adoração voltasse a figurar no topo do ranking mundial. O plano foi arquitetado quando a tenista foi derrotada por Monica Seles em 1990, durante o German Open.

Amor e impressões materiais da cena

27 de novembro de 2011 Críticas
Fragmentos. Foto: Jorge Bispo.

Histórias de amor parecem não esgotar possibilidades de criação ficcional no cenário teatral carioca nas temporadas que estão ou já saíram de cartaz nesse segundo semestre. As hesitações do indivíduo diante da insegurança e do medo de assumir uma paixão, os relatos subjetivos que denotam a incômoda segurança de uma relação estável, os diálogos que beiram o monológico, em que se manifestam estados de crise de um casal, os momentos nostálgicos do primeiro encontro e a dor da separação tornam-se temas recorrentes em textos constituídos a partir de olhares e perspectivas bastante singulares. Diante desse cenário romântico, as variadas formas de tematizar o amor e os seus desdobramentos oferecem aos espectadores o gosto pela identificação com as situações expostas, permitindo ao público rir ou sofrer junto com o patético, com a mentira, com a falta do que dizer e com a felicidade de um juramento que se propõe eterno.

Newsletter

Edições Anteriores

Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

Edições Anteriores