Autor Daniele Avila Small

A profanação fundamental

16 de novembro de 2019 Críticas

English version: http://www.questaodecritica.com.br/2020/03/stabat-mater-english/

Em Stabat Mater, Janaina Leite dá continuidade a um processo que conjuga pesquisa de linguagem e investigação de si. Depois de uma apresentação do processo criativo na 6ª MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo em março de 2019, a peça estreou no CCSP – Centro Cultural São Paulo, sendo uma das finalistas do Edital de Dramaturgia em Pequenos Formatos desta mesma instituição no ano anterior. Depois, fez apresentações no Teatro de Contêiner, onde assisti ao espetáculo. Vale lembrar que o Teatro de Contêiner é o espaço da Cia. Mugunzá, criadora da peça Luis Antonio Gabriela, uma referência do teatro documentário autobiográfico contemporâneo no Brasil, que guarda parentescos com as questões que vou apresentar aqui. Neste mês, novembro de 2019, Stabat Mater volta ao Teatro de Contêiner. Tanto a peça quanto a visita ao espaço valem a viagem a São Paulo.

Com outro público

18 de agosto de 2017 Críticas
Paulo Tiefenthaler. Foto: Maurício Martins.
Paulo Tiefenthaler. Foto: Maurício Martins.

Em cartaz no Teatro Poeira, a peça Fome, o musical – Do broto ao bacon everybody rocks é das melhores coisas em cartaz no Rio de Janeiro. Faço essa observação com assumido cinismo, afinal, não vi nem metade do que está em cartaz na cidade e no momento em que escrevo esse texto estou há mais de 10 dias fora do país. Mas o caso é que o espetáculo de Paulo Tiefenthaler é fora de série, no sentido literal da expressão. Ele não se encaixa em nenhuma categoria prévia e só isso já vale a ida ao teatro.

O lugar da mulher

11 de julho de 2017 Críticas

Nesta breve reflexão pretendo abordar dois trabalhos diferentes em tudo. Ledores no breu é um espetáculo de teatro adulto da Cia do Tijolo, um grupo de São Paulo, a cidade brasileira que mais tem políticas públicas para as artes cênicas. A peça é encabeçada por dois homens, o ator Dinho Lima Flor e o diretor Rodrigo Mercadante. Tempo de brincar é um espetáculo de circo para crianças da Trupe Açu, de Taquaruçu, distrito da região serrana de Palmas, capital do Tocantins. À frente do grupo de palhaçaria feminina estão três jovens mulheres: Giovana Kurovski, Mayara Cacau e Ester Monteiro – embora na apresentação a que assisti, no dia 4 de julho, estavam apenas duas, Giovana, a palhaça Girassol, e Ester, a palhaça Tapioca. O que aproxima as duas peças, à primeira vista, é o contexto em que ambas estão inseridas, a programação da Aldeia Jiquitaia, do Sesc Palmas, a que tive oportunidade de assistir enquanto ministrava a oficina intitulada “Des-pensar a crítica”, a convite do Sesc, em julho deste ano. Além disso, as duas peças se posicionam – cada uma a seu modo e em diferentes medidas – quanto a formas de exclusão social. Faço aqui um rápido recorte, procurando pensar a representatividade da mulher e o modo como é representada nesses trabalhos, sem a intenção de fazer uma abordagem ampla de cada um.

A novidade como conceito eurocêntrico

30 de dezembro de 2016 Estudos e

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NOTA: O texto a seguir foi apresentado em inglês na conferência “Newness and Global Theatre: Between Commodification and Necessity”, promovida pela Associação Internacional de Críticos de Teatro (AICT-IATC), da qual os autores fazem parte, no BITEF – Festival Internacional de Teatro de Belgrado, na Sérvia, em outubro de 2016.

 

Prefácio

“Deve haver, no mais pequeno poema de um poeta, qualquer coisa por onde se note que existiu Homero. A novidade, em si mesma, nada significa, se não houver nela uma relação com o que a precedeu.”

O Festival de Curitiba e o teatro da cidade

1 de novembro de 2016 Críticas

 

Claudete Pereira Jorge em Pinheiros e precipícios. Foto: Marcelo Almeida.
Claudete Pereira Jorge em Pinheiros e precipícios. Foto: Marcelo Almeida.

A proposta deste breve artigo é fazer uma reflexão sobre a edição de 2016 do Festival de Curitiba. A partir da atividade Encontros de Crítica que a Questão de Crítica e o Horizonte da Cena realizaram a convite do festival, quatro textos são publicados, cada um com um olhar diferente. A ideia de publicar os textos alguns meses depois do festival responde a uma necessidade diversa daquela que muitas vezes orienta a produção textual sobre teatro, a da resposta imediata. Com essa demora, permitimos que a mediação do tempo atue sobre a memória e nos permita pensar sobre o festival sem as implicações do calor da hora.

A atividade principal dos Encontros de Crítica foi uma série de debates feitos depois das peças. A cada dia, quatro críticos se dividiam em dois espetáculos para conversar com artistas e espectadores depois das apresentações. A ideia era propor uma aproximação entre artistas e espectadores. Pela dimensão do festival, que sempre prima por uma grande quantidade de espetáculos de toda sorte, fica muito presente a sensação do teatro como evento. O gesto de chamar para a conversa propõe outro tipo de relação espectador e obra, uma relação de escuta e de partilha, uma relação que se demora e cria vínculo. O convite para permanecer no teatro depois da peça enfatiza a importância da presença e da atenção do espectador no acontecimento do teatro, da necessidade real da troca entre artistas e espectadores.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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