Tag: inês salgado

Uma encenação na frontalidade

30 de junho de 2011 Críticas
Foto: Guga Melgar.

A encenação dirigida por Moacir Chaves de O retorno ao deserto, texto de Bernard-Marie Koltès, produz um continente tensionado pelas noções de superfície e profundidade por meio da opção de valorização da palavra como vetor da teatralidade. Essa tem sido, em uma boa medida, uma das investidas observáveis no trabalho do diretor, que cria zonas de contrastes para a recepção, construídas por um movimento de aproximação e de distanciamento que abre espaço para o jogo reflexivo. A ideia de uma teatralidade pautada pelo texto orientou fortemente o teatro ocidental, mas foi paulatinamente desconstruída em favor dos demais elementos da representação teatral na contemporaneidade. Assim, O retorno ao deserto aparece como um objeto constituinte de uma historicidade teatral, na razão própria de seu deslocamento.

A babel de Qorpo Santo

24 de fevereiro de 2011 Críticas
Atores: Alfândega 88 Cia. de Teatro. Foto: Guga Melgar.

Encenar as peças de Qorpo Santo, autor do século XIX, não é tarefa fácil nem comum nos palcos da cidade. Comediógrafo pouco visitado por nossas companhias, diretores e atores, o autor traz uma obra bastante peculiar para uma época em que ainda reinavam os dramas históricos de João Caetano, as comédias de costumes de Martins Pena o realismo do Ginásio Dramático de José de Alencar para traçar um rápido panorama do teatro na segunda metade do século XIX. Com uma escrita fragmentada, satírica e paródica, José Joaquim de Campos Leão, o Qorpo Santo, retrata cenas prosaicas do cotidiano, colorindo-as com tons de um universo nonsense, onde trafegam personagens alegóricos (como Interpreta, Impertinente, por exemplo, em As relações naturais) sem uma linha lógica de ação tempo e espaço. Há em sua escrita um foco na representação, a cena propriamente dita.

Notes

Newsletter

Edições Anteriores

Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

Edições Anteriores