Tag: felipe hirsch

A densidade da palavra na voz de Fernanda

30 de agosto de 2011 Críticas
Foto: divulgação.

Monólogo estruturado a partir da permanência em cena de uma atriz (sentada, valendo-se de econômica movimentação) durante uma hora de duração, Viver sem tempos mortos evidencia uma assinatura através de aparente invisibilidade. Felipe Hirsch, distante do registro de muitos dos trabalhos realizados na Sutil Cia. de Teatro – nos quais materializa a investigação da memória em texturas diversas das cenografias e na construção de uma atmosfera auxiliada por refinados recursos de iluminação –, aposta, dessa vez, no vigor interpretativo de Fernanda Montenegro. Uma opção que não determina a anulação de uma visão diretorial. A “presença” de Hirsch pode ser detectada na importância destinada à palavra, nas sutis gradações de luz (iluminação a cargo de Beto Bruel) que recortam o rosto da atriz no decorrer da apresentação, na neutralidade do figurino e na quase ausência de elementos cenográficos (direção de arte de Daniela Thomas). Elementos que se somam na afirmação da plataforma de um teatro calcado na síntese, na contramão do espetacular.

Incisão na fantasmagoria – perspectiva da ruína familiar

30 de outubro de 2010 Críticas
Ator: Marco Nanini. Foto: Carol Sachs

A peça Pterodátilos dirigida por Felipe Hirsch é a encenação do texto do americano Nicky Silver e já havia sido trabalhada pelo diretor e pelo ator Marco Nanini há oitos anos, quando ganhou o prêmio APCA de melhor espetáculo em 2002. Segundo Hirsch, a necessidade de retomar o projeto de Pterodátilos está investida, sobretudo, pela conformação de mercadoria cada vez mais evidente, pela qual a sociedade se constitui. Essa intenção é formalizada com apuro na encenação atual que realiza uma apropriação crítica dos processos de reificação – isso confere seu teor de modernidade e de contemporaneidade. A fábula se desenvolve a partir da desestruturalização de uma família de classe média alta, cujo patriarca é Arthur (Marco Nanini), um empresário presidente de banco, e sua mulher Grace (Mariana Lima), uma dona de casa alcoólatra e, por isso mesmo e inversamente, consumista. Ambos são assolados pelo retorno do filho Todd (Álamo Facó) e pelo eminente casamento da caçula Ema (Marco Nanini) com o namorado Tom (Felipe Abid), transformado em empregada. Surgem tensões de ordem material, o desemprego do pai, a gravidez da filha, a infecção que acomete o filho e a descoberta de ossos no subsolo da casa.

Formas inscritas

10 de maio de 2008 Críticas
Atores: Leonado Medeiros e Arieta Correa. Foto: Carol Sachs.

A peça de câmara da Sutil Companhia de Teatro inicia a sua relação com o espectador, através do título, com a palavra “não”. Não sobre o amor. Algum “não” se dá também quando o trabalho é apresentado como peça de câmara. Se esta é a primeira peça de câmara do grupo, os artistas envolvidos no trabalho estão, de certa forma, dizendo um pouco de não para um jeito de fazer teatro que eles já conhecem e que já sabem fazer. Se este novo trabalho demanda outro formato, dizer “não” para os procedimentos familiares é dizer “sim” a esta demanda. Dizer “não” pode ser o começo de algo, não um fim. O “não” do título também carrega um “sim” implícito, um “sim” inevitável. O espetáculo fala sobre o amor, mas não simplesmente sobre o amor: fala sobre formas de expressão e sobre falar (ou não) sobre o amor.

Flashes de um exílio subjetivo

15 de abril de 2008 Críticas

 

Atriz: Arieta Correa. Foto: divulgação.

Logo no início de Não sobre o Amor, Victor Shklovsky é atravessado, enquanto dorme, pela imagem de Elsa Triolet (rebatizada, em cena, de Alya), projetada ao fundo do palco. A passagem diz bastante sobre esta nova montagem de Felipe Hirsch, em especial no que se refere à importância do tempo em seu teatro.

Notes

Newsletter

Edições Anteriores

Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

Edições Anteriores