Conversas

Duo Beckett

31 de março de 2014 Conversas
Cena de Moi Lui, do Projeto Beckett. Foto: Dalton Valerio.

O Projeto Beckett, idealizado por Ana Kfouri, põe em cena duas concepções de espetáculo, explorando o universo ficcional do autor de Godot.

A relação de Ana Kfouri e Isabel Cavalcanti com Beckett não é nova. Em meio à diversidade de projetos e atividades ao longo da carreira (as duas alternam as funções de atriz, diretora e pesquisadora) Samuel Beckett figura, na produção das artistas, de forma expressiva e recorrente.

Ana Kfouri, em 1989, estreou Ponto Limite, sua primeira, de muitas incursões, no universo beckettiano. O texto, escrito em parceria com Lu Grimaldi, contava com a direção de Paulo José e dialogava com a peça que tornou o autor conhecido mundialmente, Esperando Godot. Em 2000, foi a vez da encenação de O Gordo e O Magro Vão Para O Céu, de Paul Auster, autor americano, cujos trabalhos têm, como referência declarada, a obra de Samuel Beckett.

Sonoridades beckettianas

31 de março de 2014 Conversas
Bete Dorgan, Nivaldo Todaro, Linneu Dias e Antônio Galleão em Fim de Jogo (1996). Foto: João Caldas

Rubens Rusche é diretor teatral paulistano. Estreou na direção com Katastrophé (1986), composto pelas peças curtas Eu Não, Comédia, Cadeira de Balanço e Catástrofe, montagem emblemática de Samuel Beckett no Brasil. Encenou vários textos do dramaturgo irlandês, em diversas montagens nos últimos 26 anos, entre elas Fim de Jogo (1996), pela qual foi premiado com o APCA 1996 (Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte), Crepúsculo (2006), outra compilação de textos curtos, sendo seu mais recente trabalho Oh, os belos dias, que estreou na capital paulista em 2013 e onde também fará temporada em abril de 2014. Dirigiu peças de outros autores e concepções próprias, no entanto, destacam-se as montagens do teatro beckettiano no Brasil.

Modos de dizer

27 de dezembro de 2013 Conversas
Incêndios. Foto: Leo Aversa.

A peça Incêndios, de Wajdi Mouawad, esteve em cartaz no Teatro Poeira no segundo semestre de 2013, com direção de Aderbal Freire-Filho. A seguir, Daniele Avila Small e Dinah Cesare conversam com a tradutora da peça, Angela Leite Lopes.

DINAH: Wajdi Mouawad, na apresentação da dramaturgia de Incêndios, nos diz que escreveu seu texto aos poucos, por meio de relações que estabeleceu com dados que surgiam dos atores durante os ensaios. Tal aspecto encontrou alguma ressonância em sua tradução? Os atores da produção brasileira entraram em contato de algum modo com a tradução durante o processo?

ANGELA: Melhor eu contar como foi o processo de tradução da peça… O Felipe de Carolis, idealizador do projeto, me procurou para encomendar a tradução. Ele ainda não tinha nada fechado em termos de criação do espetáculo: direção, elenco etc. Fiz uma primeira versão da tradução e enviei pra ele. Sempre faço assim: termino a primeira versão e organizo uma leitura durante a qual eu acompanho no original. É o momento de conferir se pulei alguma frase, pedaço de frase ou palavra… É o momento de ouvir o texto em português e testar a partitura rítmica. É o momento também em que alguns sentidos se revelam com mais clareza e que se começa a verificar se algumas opções de estilo estão funcionando e de ir limpando os galicismos. É muito importante pra mim nas primeiras versões (porque é necessário fazer várias revisões da tradução) permanecer o mais próximo possível das opções estilísticas do autor, não ir transformando logo tudo no “em português se diz assim ou se usa isso” porque em teatro muitas vezes algumas expressões idiomáticas são na verdade momentos em que o texto se coloca como elemento de jogo mesmo, como um contracenar, e não está ali simplesmente para expressar uma ideia…

Muros e passagens

21 de dezembro de 2013 Conversas

“Este evento, proposto por alunos representantes das cinco habilitações da Escola de Teatro da UNIRIO, tem como ponto de partida o desejo de organizar um festival integrado da Escola de Teatro, no qual os alunos dos diversos cursos poderão expor seus processos de trabalho em andamento, espetáculos apresentados nas PMTs, projetos de iniciação científica e extensão, bem como participar de oficinas, workshops e seminários interdisciplinares, com a presença de professores da casa e de convidados externos. Nesse sentido, ressalta-se o intercâmbio de ideias, produções e abordagens que, no decorrer do evento, será priorizado no bojo das atividades que terão lugar neste período, possibilitando a formação de novos laços e trocas entre grupos e companhias, pesquisadores e professores, sublinhando o caráter plural e de articulação da Universidade.”

DÂMARIS e MARIANA: O texto acima é a descrição do festival no site do FITU. Como se deu essa ideia e a articulação entre os cursos, alunos, professores e público?

EQUIPE FITU: De modo geral, o FITU é fruto de uma série de indagações e discussões iniciadas em 2012, no interior de uma disciplina do curso de Estética e Teoria do Teatro, da UNIRIO, no qual, frequentemente, nos perguntávamos pelo nosso papel e nossas possibilidades de atuação/intervenção em um curso superior de Artes Cênicas, enquanto críticos, atores, diretores, professores ou cenógrafos. Por outro lado, inúmeros alunos tinham o desejo de construir uma mostra coletiva, na qual pudéssemos abrir as portas da Escola para o público externo, construir espaços de diálogo entre nós e a comunidade e entre os próprios alunos, problematizando os (des)encontros, as fronteiras esgarçadas (mas ainda existentes) entre as habilitações – a despeito de uma formação teórica repleta de interseções. O evento, nesse sentido, foi a tentativa de responder a estes desejos e problemas, propondo outros modos de ocupação dos espaços da universidade, bem como novas dinâmicas de sociabilidade que embaralhassem um pouco as cartas distribuídas pela vinculação de cada aluno a um departamento.

Totem-fetiche – os limites do corpo

27 de agosto de 2013 Conversas
Foto: Divulgação.

Sobre a obra Totem-Fetiche, apresentada na Exposição FRONTEIRAS – Corpo, Visualidade e Política, com curadoria de Felipe Scovino e Giselle Ruiz, em cartaz na galeria do Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto entre os dias 27/06 e 28/07, no Rio de Janeiro.

JOÃO – Evângelo, fale um pouco do título da sua obra.

EVÂNGELO – Acho interessante você começar me perguntando sobre o título, pois poucas pessoas me abordaram a partir dessa provocação. O título é um convite a discussões maiores, talvez maior do que o próprio trabalho. Procuro questionar a relação possível de se pensar o paradigma do corpo na nossa sociedade, ainda como tabu, sabendo que existe uma relação entre totemismo e tabu. Também convido a pensar a nudez. Numa exposição de arte contemporânea isso é até mais fácil de ser aceito. São corpos virtuais, em imagens de alta definição, de pessoas nuas, em escala natural, em combinações que misturam masculino e feminino, preto e branco. Encontrar esse “corpo” é comum?

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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