Autor Daniel Schenker

Ponto sem partida

10 de junho de 2008 Críticas

Com Memória afetiva de um amor esquecido, a companhia Os Dezequilibrados continua investindo nas suas principais propostas – em especial, o trabalho em espaço não-convencional, o vínculo com a gramática cinematográfica e o deslocamento do espectador de uma posição meramente passiva.

Entre estas características, a utilização do espaço não-convencional é, sem dúvida, a mais bem administrada pelo grupo, que investe num espetáculo itinerante pelos oito andares do prédio do Oi Futuro. A verticalidade deste espaço é aproveitada pelo diretor Ivan Sugahara, que já tinha realizado expressiva “ocupação” do quarto de um apartamento em Um quarto de Crime e Castigo e do hall de um cinema em Vida, o filme. Neste novo trabalho, o diretor nem sempre procura aproximar o universo abordado do espaço escolhido, por mais que as instalações do Oi Futuro sejam inicialmente aproveitadas como referentes às da clínica Be Happy, especializada em apagar memórias dolorosas das mentes de seus clientes.

O palco como travessia

10 de junho de 2008 Conversas

Conversa publicada no jornal Tribuna da Imprensa no dia 24 de maio de 2008.

Apesar de considerar concluída a sua pesquisa sobre o trabalho vocal do ator, Antunes Filho continua um encenador inquieto. Em determinado momento da sua carreira, Antunes Filho deu uma guinada – mais exatamente quando dirigiu “Macunaíma”, a partir da obra de Mario de Andrade, com o Grupo Pau-Brasil.A partir daí, Antunes se afastou do chamado teatro de mercado para se dedicar ao aperfeiçoamento de um método de trabalho para o ator, que vem sendo desenvolvido ao longo dos anos no Centro de Pesquisa Teatral (CPT).

Uma proposta de instalação cênica

10 de maio de 2008 Críticas
Atriz: Verônica Reis. foto: divulgação.

Em Pessoas, novo espetáculo da Cia. Atores de Laura, a diretora Susanna Kruger reúne quatro “dramas estáticos” de Fernando Pessoa – O marinheiro, Diálogo no jardim do palácio, Salomé e A morte do príncipe. Os textos de Pessoa são utilizados como precioso canal para uma instalação cênica, na qual o público adquire participação importante.

Flashes de um exílio subjetivo

15 de abril de 2008 Críticas

 

Atriz: Arieta Correa. Foto: divulgação.

Logo no início de Não sobre o Amor, Victor Shklovsky é atravessado, enquanto dorme, pela imagem de Elsa Triolet (rebatizada, em cena, de Alya), projetada ao fundo do palco. A passagem diz bastante sobre esta nova montagem de Felipe Hirsch, em especial no que se refere à importância do tempo em seu teatro.

O movimento vivo da repetição

15 de março de 2008 Críticas
Atriz: Vera Holtz. Foto: divulgação.

Entre as características centrais da dramaturgia de Samuel Beckett está o aproveitamento da repetição – mas não como um elemento cristalizador que impede a transformação. Esperando Godot, seu texto mais conhecido, é marcado por uma estrutura circular que, porém, admite alterações (simbolizadas, por exemplo, pelo surgimento de folhas na árvore ressecada, conforme anuncia a rubrica no início do segundo ato). Em Balanço, encenada por Adriano e Fernando Guimarães dentro da programação formada por peças curtas e performances (reunidas sob o título Resta Pouco a Dizer), também vem à tona a sensação de uma repetição não-viciada, que vai se modificando em meio à impossibilidade de ser interrompida.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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