Tag: festival dois pontos

A dobra da doxa

30 de abril de 2013 Críticas
Foto: Divulgação.

“A escritura faz do saber uma festa.”

Roland Barthes, Aula.

Se uma janela se abrisse é uma criação do coletivo Mundo Perfeito, de Portugal, uma co-produção do Alkantara Festival e do Teatro Nacional D. Maria. Com texto e encenação de Tiago Rodrigues, (que esteve anteriormente no Rio em 2008 com Yesterday’s Man, espetáculo brilhante de Rabih Mroué, e para dar uma oficina no Teatro Gláucio Gill em 2011) a peça foi criada em setembro de 2010. E só chega ao Rio em 2013, por ocasião do Festival Dois Pontos, que trouxe ao Rio uma programação que envolve peças de Portugal e criações compartilhadas entre artistas portugueses e brasileiros, apresentadas na Rede Municipal de Teatros. Nosso balneário turístico não costuma receber o que há de mais interessante no contexto internacional do teatro contemporâneo, a não ser pelos esforços (muitas vezes isolados) dos festivais. O Rio de Janeiro não parece estar nos roteiros de circulação internacional de teatro. Não há um pensamento sobre a cidade – por parte das instituições que podem de fato fazer alguma coisa– que tenha essa preocupação. Assim, a responsabilidade por trazer ao Rio espetáculos como Se uma janela se abrisse fica a cargo da sociedade civil, dos artistas empreendedores que estão tentando pensar a programação artística da cidade e fazer algo por ela. É preciso esclarecer que o Festival Dois Pontos acontece na Rede Municipal de Teatros e com patrocínio da Prefeitura, mas não se trata de uma iniciativa da Rede Municipal de Teatros e nem da Prefeitura, e sim dos atuais gestores dos teatros que compõem essa rede, que são gestores temporários, artistas e produtores independentes, que estão provisoriamente na condição de gestores e só podem pensar ações para os teatros que dirigem por um determinado tempo.

Cowboys das ruínas

27 de abril de 2013 Críticas
Foto: Divulgação.

Três homens maltrapilhos vagam com pedaços de madeira abaixo do peito, simulando estarem frente a um balcão do bar. Pedem whisky, no melhor sotaque norte-americano. Eles pensam, trocam olhares, fazem proposições, enquanto circulam pelo palco. Um primeiro sugere uma história, logo rechaçada pelos outros dois. Depois, um deles tem uma ideia aparentemente mirabolante, logo abandonada. Por fim, eis que se chega a algum lugar: um objeto é retirado do lixo e uma história começa.

Imagens do horror

9 de abril de 2013 Críticas

As marcas da crise política impressas em quatro jovens que se encontram em um lugar indeterminado, vestindo tshirts com capuzes e orelhinhas de bicho. Seus corpos mostram uma movimentação nervosa e exaustiva, que é o resultado do horror que aparece quando o que nos forma (o pensamento intelectual, a política, a economia, as relações sociais) se revela como motor de nossa própria decomposição. A este homem moldado pelas injunções sócio-político-econômicas restam também alguns momentos de petrificação, como último recurso de resistência ou, talvez, como um breve estágio que antecede sua morte. É com este imaginário que o Colectivo 84/Penetrarte de Portugal, companhia dirigida por Mickael de Oliveira e John Romão, coloca em cena as repercussões e os possíveis enfrentamentos diante do atual estado das coisas. Suas insinuações à escatologia e ao sexo mecanizado, seu humor debochado de si e dos outros e o retorno a um estado quase animalesco parecem ter a intenção de figurar uma maneira de lidar com o mal-estar gerado pela violência, pela condição de expropriação e de alienação do homem. A sociedade de consumo tem nádegas na cabeça que eliminam coca-cola: insumo e produto do pensamento intelectual.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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