Um trabalho fundamentado no ator, nos espaços e nas relações

Conversa com Isabel Penoni, diretora da Cia Marginal

17 de maio de 2012 Conversas
Foto do espetáculo Ô Lili: Divulgação.

DINAH CESARE: O trabalho da Cia Marginal se diferencia de algumas outras experiências de teatro em projetos sociais. Qual seria o elemento diferenciador neste caso?

ISABEL PENONI: Eu acho que tem uma coisa que é definidora no caso da Cia Marginal desde o início, ainda quando a gente trabalhava dentro de uma estrutura de financiamento social, nós já tínhamos a pretensão da realizar um trabalho de criação. Eu digo nós, por que éramos eu e a Joana Levi. Um projeto de criação, de experimentação, de pesquisa, de criar em um contexto diferente daquele que a gente vinha criando. Eu trabalhava como atriz, então experimentar era levar à frente um trabalho de criação dentro de um contexto bastante diferente do nosso. Já existia esta pretensão desde o inicio, mesmo dentro dos projetos sociais e mesmo tendo uma perspectiva um pouco mais pedagógica. Porque nós estávamos dentro do universo da arte educação, mas naquele espaço importava a ideia de criação. O trabalho chegou num ponto em que ele não aprofundava mais porque existia uma estrutura de oficina, de entra e sai de gente. Porém, existia um grupo que era constante e uma qualidade de trabalho com aquele grupo. Mas ele não avançava porque tinha sempre gente entrando e saindo e a “coisa” tinha sempre que começar do zero com novas pessoas. Então a partir de um momento nós resolvemos fechar o grupo. Na verdade eu acho que a transição foi de estrutura, de formato e não do que se fazia ali dentro. Superamos um formato de oficina, de projeto social para grupo de teatro. Essa é a mudança maior, definidora e divisora de águas ali.

DINAH CESARE: Então existe o diferencial de vocês se colocarem, sobretudo como artistas?

ISABEL PENONI: Não é bem isso, mas tem a ver com a singularidade da experiência. Acho que vale a pena contar um pouco da história do começo para entender como é que as coisas se constituíram. Nós chegamos na Maré a convite de um grupo de jovens que queria formar um grupo de teatro. Sem ligação nenhuma com ONG ou qualquer projeto social. Era uma iniciativa completamente independente de jovens, um deles era aluno da UNIRIO. Eu estava nesta época fazendo assistência de direção do Luiz Fernando Lobo e alguns desses jovens, que conheciam alguns amigos meus, eram do corpo de dança da Maré na época do Ivaldo Bertazo. E foram eles que pensaram: “Ah, quem sabe a Isabel não pode ser uma pessoa para coordenar o trabalho, ajudar a gente a dirigir…”. E eu chamei a Joana. Você acompanhou este primeiro momento, vocês estavam trabalhando ali ainda na fazenda modelo naquela época. Eu tinha visto o trabalho de vocês, vi então que Joana tinha uma experiência também, então nós começamos a fazer o trabalho juntas num espírito totalmente aventureiro. Tinha um grupo de jovens querendo formar um grupo de teatro, fomos trabalhar com esse grupo e ver o quê que eles queriam, o quê que eles estavam pensando. Mas essas pessoas não tinham um espaço. Por isso o trabalho acabou se atrelando a uma ONG que atuava na mesma comunidade em uma relação de troca. Só que este grupo foi se desfazendo. Algumas pessoas tinham sido reunidas só por conta daquela ideia, tinha duas ou três pessoas que estavam projetando aquele negócio, e se juntaram a outras, e aquele negócio não deu muito certo. Mas neste ano em que nós ficamos trabalhando os diretores da ONG começaram a reparar no nosso trabalho e convidaram a gente para dar aula de teatro em um projeto de formação de agentes de saúde por que eles achavam que o pessoal precisava ter alguma experiência para falar em público, se soltar, perder a inibição. Então foi desta forma que a gente se institucionalizou. A oficina durou um mês e deu muito certo, foi uma coisa explosiva e os próprios alunos do projeto pediram para continuarmos e que a oficina se tornasse uma coisa regular. A oficina de teatro virou uma coisa super importante dentro do projeto porque os alunos se envolveram muito. E ali estava a semente, ali naquele grupo, desse projeto que chamava Adolescentro, estava ali a semente da Cia Marginal. Duas meninas que hoje são atrizes da Cia já estavam no grupo inicial, a Priscila e a Geandra.

DINAH CESARE: Como é que se criou então a Cia Marginal?

ISABEL PENONI: O projeto durou uns dois ou três anos com o grupo do Adolescentro preparando coisas que eram sempre mais performáticas, pequenas apresentações, pequenas estruturas, coisas muito pequenas…

DINAH CESARE: Mostrando na Maré?

ISABEL PENONI: Sim. E desde o início sempre teve muita pressão de que o trabalho de teatro se submetesse aos interesses e ao universo temático do projeto social, que no caso era a saúde, e nós bancamos não submeter o trabalho a isso. Nós entendíamos que estávamos trabalhando saúde com os temas que aquele grupo de jovens queria tratar, investigando questões que são mais latentes e importantes para eles. Questões sobre as quais eles queriam pensar e fazer os outros pensarem. E se a gente leva isso para a rua, estamos de alguma maneira trabalhando com a saúde, produzindo saúde. E foi por isso que conseguimos criar um trabalho naquele projeto ali que não tinha nada a ver. Construímos uma coisa potente e, a partir dali, fomos convidados para fazer parte num projeto mais cultural. Era um projeto com centralidade na arte, patrocinado pelo Instituto Ayrton Senna e que tinha o foco no desenvolvimento humano através da arte. Eles patrocinavam uma série de projetos no país inteiro e aí sim tinha uma coisa de construção coletiva em rede. Mas nós estávamos numa bolha ali, tinha uma equipe que éramos eu e Joana na oficina de teatro, depois se aproximou a Virginia, que começou a fazer um trabalho de música, e o Vinicius, fazendo um trabalho de artes. Era uma equipe super pequena de amigos, de artistas, que a partir de uma discussão orientada foi construindo algo à nossa maneira, fazendo um trabalho de teatro para o desenvolvimento humano.

DINAH CESARE: Qual era a singularidade do trabalho?

ISABEL PENONI: Eu acho que o trabalho sempre se originou do ator que está em cena, do material que vem do ator. Existia a tentativa de se chegar a ações, numa cena com verdade. Inicialmente investimos no trabalho pessoal, na memória, nas experiências de cada um. Trabalhamos muito com material pessoal para tentar construir um material potente e cheio de verdade, que fizesse sentido também para quem está na cena. Por isto demoramos muito a trabalhar com referências que vinham de fora, externas, textuais. E acho que neste trajeto nós quebramos um monte de mitos a respeito do que era o teatro, da referência muito televisiva. Acredito que eles se depararam, foram ao encontro de um teatro que trata de coisas que são essenciais para o ator. O teatro ganhou uma força na vida deles e no final virou um projeto de vida para alguns. Muito cedo tocaram numa potência do teatro. Uma potência de transformação mesmo e de abertura de mundos. De abertura de mundos para si mesmo e para quem está vendo. Porque desde os primeiros resultados tivemos uma forte repercussão sobre o público da Maré e isso repercutiu nos atores.

DINAH CESARE: E aí a coisa pode se configurar como um projeto para eles. As condições artísticas do trabalho foram criando os meios de uma existência própria, de virar um projeto para a vida das pessoas…

ISABEL PENONI: Totalmente. O investimento no material pessoal foi uma tentativa de construção de um trabalho coletivo, uma ideia de provocar a participação progressiva e cada vez maior dos atores envolvidos. E é óbvio que a exigência de participação foi mudando. Hoje nós estamos de frente para um grupo que está num caminho de autogestão. A demanda de participação é de outra ordem.

DINAH CESARE: Então você está me dizendo que o trabalho sobre os elementos pessoais do ator evidencia um aspecto político que está sendo mediado. E o caminho em direção à autogestão, por exemplo, é uma forma deste político que, desde o início, está se construindo por meio de uma mídia que é o ator?

ISABEL PENONI: Sim… Completamente. E eu acho que tem uma coisa interessante a mais neste negócio, que tem a ver também com o grupo de pessoas da Cia Marginal que é um grupo engajado de uma maneira geral. São pessoas que atuam. Não gosto de usar palavras carregadas como militância, engajamento ou politizadas; mas são. São pessoas politizadas no melhor dos sentidos, engajadas no melhor dos sentidos e militantes no melhor dos sentidos. Não são pessoas que, levantam bandeiras e querem impor as suas ideias e opiniões, mas são pessoas que estão engajadas em outros movimentos. Então acho que tem isto também, são pessoas que têm uma atuação política na vida.

CAROLINA CAJU: Para mim o percurso agora fica muito claro, quando você pensa no caminho. No primeiro espetáculo fala-se de um mundo e cria-se um mundo que é a própria Maré, a própria Nova Holanda. E pode abrir caminhos para passar por outros lugares. E o primeiro lugar é o lugar de si, o lugar onde se vive, onde se está . De onde se vê. Para poder ir depois para outros lugares.

ISABEL PENONI: Acho que sim. O primeiro espetáculo como Cia Marginal é o Qual é a nossa cara?. Quando a Joana saiu eu fiquei sozinha um tempo ainda com o formato de oficina, mas não queria continuar no mesmo formato. Eu quis aprofundar. Fazer a transição ter sentido também. Isto era final de 2004 para 2005 e nós vínhamos trabalhando sobre o território. Com o material pessoal das experiências dos atores naquele espaço onde eles viviam. Provocando uma reflexão caleidoscópica sobre aquele espaço. Caleidoscópica no sentido de não apresentar coisas que são teses sobre o negócio. Queríamos mostrar muitas visões e as diversas visões são as dos diversos atores também. Diversas visões sobre aquele espaço e sobre si mesmo dentro daquele espaço. Eu propus para o grupo que estava mais constante: isto aqui é um espaço nosso, o quê que a gente quer fazer com ele? Nós decidimos fechar o grupo para entrar numa relação de comprometimento mais rigorosa que nos levasse a uma qualidade um pouco mais diferente e aprofundada. Tínhamos uma pequena estrutura de apresentação teatral que fazíamos na rua e que era diferente do que criamos no início. Nós fizemos um grande circuito pelas 16 comunidades da Maré. Logo depois escrevi um projeto para o edital Myrian Muniz de 2006 propondo a montagem de um espetáculo que tinha como célula inicial aquele trabalho sobre figuras da Maré, figuras impactantes na história da comunidade. Então acho que o Qual é a nossa cara? é a culminância de uma grande trajetória inicial que começou 6 anos atrás com a Joana, do trabalho com material pessoal, sobre a memória, sobre aquele espaço. E depois disto aconteceu a transição, a transição de estrutura, porque fomos aprovados pelo Myriam Muniz que é um edital de teatro muito importante.

DINAH CESARE: A definição de um financiamento em teatro foi fundamental para a mudança estrutural?

ISABEL PENONI: É isso. Nós começamos a transitar do universo de financiamento social para um universo de patrocínio em teatro. O espetáculo entrou em cartaz inicialmente na Casa de Cultura da Maré. Mas veio muita gente de fora. As apresentações estiveram lotadas, todas as apresentações lotadas de gente de dentro da Maré e de fora. Com pessoas ultrapassando as fronteiras do tráfico, quando a coisa das fronteiras ainda era um tabu. E veio gente de toda a Maré assistir, tinha gente que vinha várias vezes. As pessoas sabiam os textos, então foi uma coisa impactante para nós também. E foi a primeira vez em que trabalhamos dentro de uma estrutura mais profissional. Uma equipe começou a se consolidar, como foi o caso da Rosyane Trotta que já trabalhava com a gente, mas que se aproximou mais ainda. Ela fez uma supervisão de dramaturgia, a Isadora Medella, que faz a direção musical do trabalho, o Rui Cortez que é também um grande amigo e fez a direção de arte de Ô Lili.

DINAH CESARE: O financiamento abriu caminho para a profissionalização.

ISABEL PENONI: Quando fizemos Ô Lili já tínhamos um projeto pequeno de manutenção de companhia, já tinha rolado o edital da Secretaria de Cultura do Estado e algumas ações de formação como, por exemplo, uma serie de oficinas de gestão com a Flavia Berton, que é produtora e gestora do Teatro de Anônimo. Tivemos também projetos de circulação do Qual é a nossa cara ?. Foi um momento em que construímos parcerias mais acirradas. Uma coisa que é importante é que nós trabalhamos em parceria, desde a formação do grupo, com essa organização que é a Redes de Desenvolvimento da Maré.

DINAH CESARE: Você considera que as transformações na Cia se relacionam com que veio a ser Ô Lili?

ISABEL PENONI: Sim… O Qual é a nossa cara? marca o fim de um período grande de um trabalho de autorreflexão e também sobre aquele espaço. Com o Ô Lili a gente extravasa aquela fronteira pela primeira vez ainda com uma perspectiva, acho que isso nunca vai ser abandonado, de trabalhar com o material do ator incluído dentro do trabalho de criação. Eu acredito que uma constante no trabalho da Cia é o trânsito fluido entre um material que é mais externo e um que é mais pessoal.

DINAH CESARE: Em Ô Lili vocês tratam mais singularmente dessa questão?

ISABEL PENONI: O ponto de partida de Ô Lili já está em outro espaço, não são os moradores da Maré. Mas é como se fosse uma extensão, porque a maior parte da população prisional vem de espaços populares e é claro que, quando a gente aborda esse universo prisional, isto serve um pouco de metáfora para se pensar os espaços populares. Uma coisa em comum entre os dois espetáculos é a pesquisa de campo. No novo trabalho que é o In trânsito nós estamos lidando com uma quantidade maior de material textual, com diversas referências de textos e livros. O percurso parte de algo que se constrói internamente para uma explosão de abertura.

DINAH CESARE: Do modo como eu percebo tem um processo filosófico de afastamento para criação de uma imagem poética em uma convivência complexa com as experiências íntimas das pessoas.

ISABEL PENONI: Um afastamento que só é possível porque tem um território de conhecimento, um solo sobre si mesmo já construído. Um afastamento que só é possível depois de se conhecer muito.

CAROLINA CAJU: Como a metodologia de trabalho muda no In trânsito com o fato de existir um texto pronto como ponto de partida que é a Odisseia?

ISABEL PENONI: Ainda não estamos dentro do In trânsito e não dá para falar muito dele, até porque é um projeto que vai agregar mais parcerias do que os outros agregaram. A ideia original do projeto é da Joana Levi, que já vinha com uma noção de realização em outros contextos, com outras pessoas. Fizemos uma adaptação do projeto inicial aos interesses e trabalho do grupo. Nós ganhamos o edital da Secretaria de Cultura do Estado e isso consolida um apoio por que é a terceira vez que somos contemplados entre propostas de manutenção e de montagem. No In trânsito, tem a retomada do trabalho no espaço aberto que acontecia lá no início. Vamos retornar para o que já foi um espaço familiar e regular de nossa atuação.

DINAH CESARE: O In Trânsito vai acontecer na SuperVia. Um espaço aberto. Como você vê o trabalho do ator na Cia e o novo lugar?

ISABEL PENONI: A ideia é fazer o espetáculo ao longo de um trecho específico que é o que vai da Estação Central do Brasil até a Estação Praia de Ramos, que é justamente o trecho paralelo à Maré. Vamos tentar criar uma analogia desse trecho com o trajeto de Ulisses, do retorno para Ítaca depois de dez anos de guerra, pensar os trilhos como as vias marítimas que ele atravessou. Pensar os trens como as embarcações e as estações como as ilhas por onde ele circulou. Mas inclui também um trabalho que vai partir de um período de pesquisa de campo e de laboratório no espaço das estações. Interessa-nos fazer um estudo sobre este espaço, sobre sua lógica de funcionamento e sobre as relações que acontecem dentro deste espaço. Vamos passar um período realizando intervenções que vão contribuir para gerar o trabalho. A ideia é ir criando um circuito entre o que vai se dando nas estações e a volta com novas propostas. Nós iniciamos com um estudo do texto da Odisseia e levantando questões para as propostas e intervenções iniciais. Eu acredito que voltamos a um mecanismo que acionamos no início do trabalho que, embora tenha a referência literária bem explícita e direta, está interessado em pensar sobre nós mesmos, sobre a sociedade em que a gente vive e as relações nas quais estamos inseridos. A ideia é que o retorno de Ulisses para casa possa também servir de metáfora, de chave para que nós pensemos as odisseias cotidianas, incluindo a reflexão sobre a trajetória dos milhões de trabalhadores e de anônimos que voltam para casa nos trens e em outras jornadas diárias. Nós vamos trabalhar também temas claros da Odisseia como o da espera, da luta contra os gigantes. Temas que orientam caminhos que irão certamente fazer os atores pensar sobre si mesmos.

DINAH CESARE: A referência literária é um elemento, mas não necessariamente algo que seja dominante?

ISABEL PENONI: Eu acho que a fonte literária explícita é um novo elemento, mas o princípio do trabalho continua sendo a reflexão, o teor crítico no melhor dos sentidos. Eu acho que uma constante é querer um teatro que crie provocações, que crie mundos. Que provoque transformações no olhar, no que se sente, no que se pensa.

CAROLINA CAJU: Eu vejo que o trabalho se forma entre os espaços e as relações.

ISABEL PENONI: É…. As relações constituem muito os espaços. É difícil a gente fugir delas. Tudo é relação. Relação com o espaço, relação com o outro, a gente tá inserido numa rede imensa de relações. Acho que as relações são temas bem presentes nos nossos trabalhos porque elas constituem os espaços mesmo, assim como as relações dentro do grupo.

Mais informações sobre a Cia Marginal no site: www.ciamarginal.com

Página do Facebook: http://www.facebook.com/pages/Cia-Marginal/226390064066327

Carolina Caju é atriz do Studio Stanislavski, dirigido por Celina Sodré e graduanda em Licenciatura de Teatro na UNIRIO.

Dinah Cesare é Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (EBA- UFRJ) dentro da Área de Teoria e Experimentações em Arte na linha de pesquisa Poéticas Interdisciplinares, é mestra em Artes Cênicas pela UNIRIO.

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A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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