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Arte-violência e a pluralidade de contextos

30 de setembro de 2012 Críticas
Foto: João Julio Mello.

A peça escrita por Pedro Kosovski e dirigida por Marco André Nunes, que esteve em cartaz no teatro arena do Espaço SESC, em Copacabana, Cara de Cavalo, é um grande desafio de pragmática crítica. O termo pragmática é utilizado em linguística para nomear a ciência que identifica os contextos de produção dos discursos, a fim de construir uma interpretação do significado dos termos, percebendo que esse só pode ser decifrado dentro do campo discursivo no qual está inserido. E a peça em questão pretende, sobretudo, colocar lado a lado a discussão sobre arte-violência através de duas linhas referenciais (às vezes, cruzando as mesmas e outras vezes as separando), aludindo à espetacularização da violência cotidiana nas tragédias cariocas de Nelson Rodrigues e adentrando no discurso sobre arte-violência que foi construído por Hélio Oiticica através da figura marginal de Manoel Moreira – conhecido como Cara de Cavalo.

O que nos livra do esquecimento

29 de abril de 2012 Críticas
Foto: Divulgação.

O espetáculo Cowboy, com dramaturgia de Daniela Pereira de Carvalho e dirigido por Henrique Tavares, apresenta um pensamento sobre os estados de loucura e seus limiares colocando em confronto duas perspectivas: uma é a daquele que passa por um estado de sofrimento mental, e outra, é a do que sofre sua repercussão. Neste atrito, mostram-se duas solidões em sofrimento e se dá a ver a inelutável restrição edificada pela afirmação de um único ponto de vista. A questão da loucura não é tratada por tentativa de sublimação ou mesmo de criação de um lugar de valor, o que demonstra uma visão sensível e constrói uma poética transgressora das nossas referências mais comuns.

Quanto texto, quanta estupidez

19 de maio de 2011 Críticas
Letícia Isnard, Alcemar Vieira, Saulo Rodrigues e José Karini. Foto: Divulgação.

Em cartaz no Teatro II do CCBB – RJ durante os meses de abril e maio, a Companhia Os Dezequilibrados comemora seus quinze anos com a encenação do texto A estupidez, do dramaturgo argentino Rafael Spregelburd. O texto faz parte de uma heptologia inspirada no quadro de Hieronymus Bosch, A roda dos pecados capitais. Em foco estão os supostos pecados do homem contemporâneo. Por exemplo, dentre os outros textos que fazem parte da série estão A paranoia e A teimosia. A escolha, da Companhia, por A estupidez revela o desejo de falar, claro, da estupidez humana, e também evidencia um processo marcado pela presença primordial do texto.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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