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De quem falam as biografias?

28 de maio de 2015 Críticas
simonal foto leo aversa
Foto: Leo Aversa.

Vol. VIII nº64, maio de 2015.

Resumo: O texto reflete sobre a abordagem biográfica no espetáculo teatral, a partir de dois recentes musicais encenados no Rio de Janeiro — Chacrinha, o musical e S’imbora, o musical — A história de Wilson Simonal. Questiona-se a padronização da narrativa biográfica e seus desdobramentos na construção da cena.

Dramaturgia em três tempos

31 de janeiro de 2010 Processos
Atrizes: Rosanne Mulholland e Simone Spoladore. Foto: Hannah Jatobá.

O ponto de partida de Louise Valentina foi a sugestão da Simone Spoladore de trabalhar a partir de Valentina, personagem que o quadrinista Italiano Guido Crepax (1933-2003) começou a desenhar em 1965. Eu sabia que Valentina tinha sido criada a partir da personagem Lulu, interpretada pela atriz americana Louise Brooks no filme A Caixa de Pandora (1928), dirigido pelo alemão G.W. Pabst e que se baseia nas peças de Frank Wedekind (1864-1918), Erdgeist (Espírito da Terra, 1895) e Die Büchse der Pandora (A Caixa de Pandora), 1904. Sugeri então que Louise fosse o outro elemento focalizado no processo. Tendo estas duas figuras femininas da cultura pop do século XX como objetos centrais, iniciamos a construção dramatúrgica do espetáculo.

Uma paisagem que afeta

26 de janeiro de 2010 Críticas
Foto: Tomás Ribas

Um dos maiores desafios da cena contemporânea é o de expressar, por meio da fragmentação que quase a define, uma possibilidade de apreensão para o espectador que revele uma perspectiva na própria duração do tempo do espetáculo. Em termos de artes cênicas isso é importante, pois deixa o espectador em um estado de suspensão, em uma espécie de devir, esperando por traços de identificação daquela sensação primeira. E isto acontece no espetáculo Louise Valentina solo de Simone Spoladore, encenado por Felipe Vidal. A imagem inicial da atriz Simone Spoladore parece condensar a dramaturgia – uma mulher que se deixou asfixiar paulatinamente. A performance da atriz nessa cena, com movimentos lentos e delicados em contraste com sua posição e os elementos da cenografia, nos dá a ideia de que o que nos aflige culturalmente nem sempre é possível de ser nomeado. A referida imagem me remeteu à cena inicial do espetáculo Hey girl do diretor Romeo Castellucci, apresentado no Riocenacontemporânea em outubro de 2007. Esta relação enriquece as duas obras que materializam um certo estado imperceptível de soterramento do feminino. Esta primeira conjugação entre forma e conteúdo acompanha a encenação de Louise Valentina, orienta nossa percepção e, conseqüentemente, a minha análise. 

Identidade

10 de setembro de 2008 Críticas

Em cartaz no Espaço Cultural Sérgio Porto, o espetáculo Ingrid, dirigido por Marco André Nunes com dramaturgia de Fidelys Fraga, acontece à meia-noite de sexta e sábado, horário pouco explorado pelas salas de teatro da cidade. Trata-se de um projeto da atriz Carolina Virgüez, colombiana residente no Brasil, que teve como motivação inicial a leitura do livro Coração enfurecido de Ingrid Betancourt, personalidade que se tornou objeto de pesquisa da atriz, ponto de contato com suas origens e personagem do trabalho em questão.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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