Tag: Palco Giratório

O lugar da mulher

11 de julho de 2017 Críticas

Nesta breve reflexão pretendo abordar dois trabalhos diferentes em tudo. Ledores no breu é um espetáculo de teatro adulto da Cia do Tijolo, um grupo de São Paulo, a cidade brasileira que mais tem políticas públicas para as artes cênicas. A peça é encabeçada por dois homens, o ator Dinho Lima Flor e o diretor Rodrigo Mercadante. Tempo de brincar é um espetáculo de circo para crianças da Trupe Açu, de Taquaruçu, distrito da região serrana de Palmas, capital do Tocantins. À frente do grupo de palhaçaria feminina estão três jovens mulheres: Giovana Kurovski, Mayara Cacau e Ester Monteiro – embora na apresentação a que assisti, no dia 4 de julho, estavam apenas duas, Giovana, a palhaça Girassol, e Ester, a palhaça Tapioca. O que aproxima as duas peças, à primeira vista, é o contexto em que ambas estão inseridas, a programação da Aldeia Jiquitaia, do Sesc Palmas, a que tive oportunidade de assistir enquanto ministrava a oficina intitulada “Des-pensar a crítica”, a convite do Sesc, em julho deste ano. Além disso, as duas peças se posicionam – cada uma a seu modo e em diferentes medidas – quanto a formas de exclusão social. Faço aqui um rápido recorte, procurando pensar a representatividade da mulher e o modo como é representada nesses trabalhos, sem a intenção de fazer uma abordagem ampla de cada um.

Teatro documentário

19 de maio de 2013 Críticas
Foto: Daniel Isolani.

Luis Antonio-Gabriela fez uma breve passagem pelo Rio de Janeiro em maio deste ano, na programação do Palco Giratório, no Espaço Cultural Escola Sesc, que fica dentro da Escola Sesc de Ensino Médio, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. O espetáculo já tinha passado pela cidade no segundo semestre de 2011, com duas apresentações no Teatro Gláucio Gill, em Copacabana, na programação do Tempo Festival. Estas foram ocasiões bem diversas, porque o entorno da apresentação do espetáculo, o contexto em que se deram, foram diferentes – e o contexto pode ser bastante determinante para a recepção.

Tradição e criação

19 de maio de 2013 Críticas
Foto: Renata Pires.

A tradição popular é o que norteia a construção da cena de Caetana, espetáculo da Duas Companhias formada por Lívia Falcão e Fabiana Pirro, apresentado no Festival Palco Giratório que acontece no Espaço Cultural Escola Sesc, que fica na Escola Sesc de Ensino Médio, e em outros palcos da cidade. A companhia de Pernambuco partiu do desejo das duas atrizes de investigar suas tradições e “falar do seu lugar de origem”. A personagem Caetana é uma figuração feminina da morte da mitologia popular do nordeste do Brasil. O espetáculo apresenta ludicamente o embate entre a rezadeira Benta que, acostumada por função a encomendar a alma dos mortos de sua cidade, se vê agora na situação limite em que esteve vinculada durante toda a sua vida, ou seja, enfrentando a própria morte.

O valor do sugestivo

7 de maio de 2013 Críticas
Foto: Layza Vasconcelos.

Boi é um trabalho concebido a partir da utilização expressiva de recursos escassos. Em cena há apenas uma mesa e dois panos, um preto e outro vermelho. A natureza genuinamente teatral do projeto já se evidencia no modo com que esses poucos elementos são manipulados para sugerir variadas imagens numa encenação em que o insinuado vale bem mais do que o concretizado.

Único ator presente no palco, Guido Campos Correa se multiplica entre determinados personagens ao contar a história de Zé Argemiro, rapaz da roça que trava vínculo inquebrantável com o boi Dourado, a despeito das restrições da mãe e da fúria da mulher, Das Dores, que se sente desfavorecida diante do animal.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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