Autor Manoel Silvestre Friques

Como Adler & Gibb

30 de junho de 2014 Críticas

Vol. VII, nº 62, junho de 2014

Resumo: O texto analisa o novo espetáculo teatral do criador britânico Tim Crouch: Adler & Gibb, que cumpre temporada em junho e julho no Royal Court Theatre, em Londres. Propõe-se uma reflexão a respeito de um fato duplo: o fascínio pela arte conceitual que é o ponto de partida para a trama e a denominação “desmaterializado” que Crouch utiliza para descrever o seu fazer teatral.

Palavras-chave: arte conceitual, teatro contemporâneo britânico, Tim Crouch

Abstract: The article analyzes the new play of the British creator Tim Crouch: Adler & Gibb, premiered at the Royal Court Theatre on June 2014. The reflection is based on a double fact: the fascination with conceptual art that is the starting point for the plot and the “dematerialized” label that Crouch uses to describe his theater.

Keywords: conceptual art, contemporary British theater, Tim Crouch

Trompe-l’oeils disjuntivos de Mallory Catlett

31 de março de 2014 Críticas
Foto: Divulgação.

Refleti, em outra ocasião, a respeito das dimensões de presença produzidas por certos espetáculos dos anos 2000, criados a partir de um estreito vínculo entre o teatro e as novas tecnologias. A peça-chave para tal análise (1) foi Não sobre o amor, de Felipe Hirsch e a Sutil Companhia de Teatro; uma peça de câmara cuja coesão cênico-dramatúrgica – que não deve ser lida, sob nenhuma hipótese, como unidade de ação – considerei bastante significante. Vou explicar rapidamente porquê.

Grosso modo, o espaço cênico é uma caixa que recebe, ao longo da peça, projeções exatas de seu tamanho, criando sobreposições espaciais e ambiguidades de presença fabricadas pelo ator e por sua derivada metamorfose, tanto corporal quando visual. O fato de este procedimento, i.e. a produção – ou a intensificação – de variações de presença, não ser encarado como mero artifício pirotécnico se deve, em especial, à sua íntima relação com a dramaturgia. O texto é composto por fragmentos epistolares do escritor russo Victor Schlovski (ou Chklovski) quando em seu exílio em Berlim. Agrupado por temas, o texto enfatiza o isolamento de um sujeito desgarrado de sua terra natal, distante de sua amada. Tão significativo quanto esta situação é o fato de Schlovski ser o precursor, em âmbito literário, de Bertold Brecht no conceito de estranhamento ou “desfamiliarização” – noção mais comumente conhecida, por nós, brasileiros, pelo termo distanciamento.

Clássicos, Nova York: música, memória, lugar, cinema*

28 de março de 2013 Estudos

Seria desnecessário esclarecer – visto se tratar de um pressuposto básico – que a noção de “clássico” utilizada não pretende dar conta de artistas que se inspiram em modelos da antiguidade para a produção de suas obras. Tampouco se deseja afirmar que os trabalhos de Peggy Shaw, Peter Brook, Richard Foreman e Judith Malina aqui tematizados são apolíneos, guardando entre si similaridades formais e estruturais. De fato, tais personalidades e suas trajetórias artísticas são clássicos do teatro, na medida em que se transformaram em importantes referências para a prática e a reflexão a respeito da história recente das artes cênicas, em um ambiente global. Problemática, a última afirmação deve levar em conta o contexto de surgimento e atuação de tais autores, todos de nacionalidade norte-americana, com exceção do britânico Brook. Tendo em mente a importância da cidade que nunca dorme no circuito e no mercado de arte contemporânea, talvez seja adequado dizer que o título conserva, em si, uma tautologia, pois Nova York, como tal, é o centro de produção de clássicos contemporâneos, sendo assim, uma cidade-clássico, cidade-modelo.

O modelo, no entanto, nada tem a ver com as propostas urbanísticas recentes de instauração de cidades-empresa promotoras de grandes eventos culturais e esportivos. Se a cidade de Nova York é um clássico, ela o é por ser uma city of quotations, um espaço urbano composto por citações que passam pela diversidade de idiomas, pelos revivals arquitetônicos (em especial das igrejas em estilo românico e gótico como a Cathedral Church Saint John The Divine), pelas comunidades (Chinatown seria o mais direto exemplo) etc. As citações passam, sobretudo, pelas grandes questões socioeconômicas de qualquer metrópole, tais como a população de sem-teto, as desconfianças decorrentes do terrorismo, as intempéries naturais, bem como apartheids socioculturais. Trata-se, portanto, de um modelo não idealizado e, como tal, a cidade se torna perfeito local de produção de obras como Ruff (Shaw), The Suit (Brook), Once Every Day (Foreman) e Here We Are (Malina). Nos parágrafos a seguir, tais obras serão comentadas, tendo em vista a trajetória de seus criadores e também o impacto de suas recentes produções (cujas estreias em 2013 são paralelas ao início do segundo mandato de Obama) na atualidade.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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