Edição: maio, 2013

Vol. VI, nº 55, maio de 2013

29 de maio de 2013 Editoriais

A edição de maio de 2013 da Questão de Crítica está concentrada na seção de críticas. Foram analisadas peças de diferentes cidades do Brasil, pois acompanhamos a programação do Festival Palco Giratório, além das peças que estão em cartaz na cidade.

Estas são as críticas do Festival:

Daniel Schenker escreve sobre Boi, trabalho solo de Guido Campos Correa, da SerTão Teatro Infinito Cia., de Goiânia. Dinah Cesare escreve sobre Caetana, espetáculo da Duas Companhias, de Recife, formada por Lívia Falcão e Fabiana Pirro. Daniele Avila Small escreve sobre Luis Antonio-Gabriela, da Cia Mugunzá, de São Paulo, fazendo uma ponte com a peça TransTchekov, trabalho de Celina Sodré também apresentado no contexto do Palco Giratório. A aproximação entre as peças foi sugerida pela curadoria do festival, que convidou Celina Sodré para o debate do Pensamento Giratório sobre as peças.

Em junho, daremos continuidade às críticas da programação do Palco Giratório.

Da programação carioca, publicamos duas críticas. Daniel Schenker escreve sobre O que você mentir eu acredito, peça dirigida por Rodrigo Portella, com texto de Felipe Barenco sobre diversos contos de Caio Fernando Abreu, em cartaz no teatro do Sesi. Dinah Cesare escreve sobre 5 garrafas de cana e 1 caju maduro, texto e direção de Leon Góes, que esteve em cartaz no Parque das Ruínas durante o mês de maio.

De São Paulo, Julia Guimarães escreve sobre Nada aconteceu, tudo acontece, tudo está acontecendo, espetáculo do Grupo XIX de Teatro criado a partir de Vestido de noiva, de Nelson Rodrigues.

No dia 31 de maio, a equipe da Questão de Crítica ministra uma oficina de crítica no Espaço Cultural Escola Sesc. Informações no blog: http://teatroescolasesc.wordpress.com/2013/04/12/inscricoes-abertas-oficina-sobre-critica-teatral/

Colaboraram nesta edição:

Daniel Schenker, Daniele Avila Small, Dinah Cesare, Julia Guimarães Mendes.

Editora:

Daniele Avila Small.

Questão de Crítica – revista eletrônica de críticas e estudos teatrais

ISSN 1983-0300
Vol. VI, nº 55, maio de 2013

Onirismo e vicissitudes em comédia

23 de maio de 2013 Críticas

Foto: Jorge Hely.

5 Garrafas de cana e 1 caju maduro, escrito e dirigido por Leon Góes, estreou no teatro do Parque das Ruínas, onde está em cartaz até este final de semana. O espetáculo é uma comédia musical popular que surpreende por uma dramaturgia que tem a forma dos sonhos e, ao mesmo tempo, expõe um lugar limite adequado ao tempo da realidade – o das conversas de bar regadas a cachaça. O efeito resultante é que o tema não é tratado como uma cópia pronta, mas sim de um jeito como pode ser percebido. A visada é crítica, mas trabalhada com graça pelos modos, figuras alegóricas e vocabulário da vida boêmia do Rio Grande do Norte. Os personagens são construídos por tipificações, o que possibilita que vejamos uma espécie de espelho da sociedade, onde seria a manifestação de uma pequena cidade do interior.

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Devaneio metateatral sobre a cultura das aparências

23 de maio de 2013 Críticas
Foto: Divulgação.

Em 1943, quando o diretor polonês Ziembinski estreou sua versão para a peça Vestido de noiva, de Nelson Rodrigues, quem estava na plateia talvez não pudesse suspeitar que, naquela noite, o teatro brasileiro inaugurava historicamente sua fase moderna. No entanto, era inegável o estranhamento gerado pela opção rodrigueana de concentrar toda a ação cênica na cabeça da protagonista Alaíde. Após ter sido atropelada e chegar à sala de cirurgia entre a vida e a morte, a personagem se tornou marco de nossa dramaturgia ao oscilar entre os planos da memória, da realidade e da alucinação.

É também a estranheza fragmentária e lacunar gerada pela sobreposição de planos um dos pontos de contato mais fortes entre Vestido de noiva e o novo espetáculo do Grupo XIX de Teatro, Nada aconteceu, tudo acontece, tudo está acontecendo, livremente inspirado na obra clássica de Nelson e com dramaturgia criada pelo grupo em parceria com Alexandre Dal Farra. A direção é de Luiz Fernando Marques e Janaina Leite.

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O passado eternizado

21 de maio de 2013 Críticas
Foto: Divulgação.

O projeto de O que você mentir eu acredito está fundado numa operação de Felipe Barenco sobre diversos contos de Caio Fernando Abreu. O autor realiza uma apropriação literária, recortando frases de seus contextos originais e inserindo-as numa nova configuração dramatúrgica. As frases são reunidas numa história única, que, contudo, preserva um caráter fragmentado.

Felipe Barenco expõe um painel de acidentada comunicabilidade familiar entre integrantes de diferentes gerações. Logo no começo da apresentação, os tempos mortos sobressaem através de um silêncio decorrente de um modo de funcionamento em que o principal não é verbalizado. Entretanto, para além desse enredo generalizante, o autor especifica questões. Em cartaz no Teatro Sesi, O que você mentir eu acredito se revela como uma peça sobre o descompasso temporal vivenciado por personagens que permanecem atrelados a uma tragédia ou que se conscientizam tarde demais de terem desperdiçado um período impossível de ser recuperado. Apesar de não possuírem obviamente acesso ao passado, os personagens se mostram estacionados nele.

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Teatro documentário

19 de maio de 2013 Críticas
Foto: Daniel Isolani.

Luis Antonio-Gabriela fez uma breve passagem pelo Rio de Janeiro em maio deste ano de 2013, na programação do Palco Giratório, no Espaço Cultural Escola Sesc, que fica dentro da Escola Sesc de Ensino Médio, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. O espetáculo já tinha passado pela cidade no segundo semestre de 2011, com duas apresentações no Teatro Gláucio Gill, em Copacabana, na programação do Tempo Festival, durante a Ocupação Complexo Duplo. Estas foram ocasiões bem diversas, porque o entorno da apresentação do espetáculo, o contexto em que se deram, foram diferentes – e o contexto pode ser bastante determinante para a recepção.

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Tradição e criação

19 de maio de 2013 Críticas
Foto: Renata Pires.

A tradição popular é o que norteia a construção da cena de Caetana, espetáculo da Duas Companhias formada por Lívia Falcão e Fabiana Pirro, apresentado no Festival Palco Giratório que acontece no Espaço Cultural Escola Sesc, que fica na Escola Sesc de Ensino Médio, e em outros palcos da cidade. A companhia de Pernambuco partiu do desejo das duas atrizes de investigar suas tradições e “falar do seu lugar de origem”. A personagem Caetana é uma figuração feminina da morte da mitologia popular do nordeste do Brasil. O espetáculo apresenta ludicamente o embate entre a rezadeira Benta que, acostumada por função a encomendar a alma dos mortos de sua cidade, se vê agora na situação limite em que esteve vinculada durante toda a sua vida, ou seja, enfrentando a própria morte.

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O valor do sugestivo

7 de maio de 2013 Críticas
Foto: Layza Vasconcelos.

Boi é um trabalho concebido a partir da utilização expressiva de recursos escassos. Em cena há apenas uma mesa e dois panos, um preto e outro vermelho. A natureza genuinamente teatral do projeto já se evidencia no modo com que esses poucos elementos são manipulados para sugerir variadas imagens numa encenação em que o insinuado vale bem mais do que o concretizado.

Único ator presente no palco, Guido Campos Correa se multiplica entre determinados personagens ao contar a história de Zé Argemiro, rapaz da roça que trava vínculo inquebrantável com o boi Dourado, a despeito das restrições da mãe e da fúria da mulher, Das Dores, que se sente desfavorecida diante do animal.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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