Tag: Nina Balbi

Criação, universidade, viver junto e separado

30 de novembro de 2012 Conversas

DINAH CESARE: Estufa faz parte de um projeto do coletivo Karenkaferem. Quais são as características desse coletivo? E, nesta questão, como se materializa a ideia de artista-pesquisador?

NINA BALBI: Acho que a escolha pela nomeação “coletivo” e não “companhia” apresenta um pouco a nossa proposta. O motivo dessa nomeação é que não nos vemos como um grupo homogêneo, no sentido de fruirmos sob as mesmas ânsias de pesquisa nas artes ou empreendermos uma busca por uma linguagem determinada. O kerencaferem responde mais a uma estrutura de rede que se alimenta para sustentar, criativa e financeiramente, qualquer projeto que venha a surgir, de qualquer um dos membros ou parceiros. No sentindo amplo da palavra, vejo que somos um coletivo de produtores culturais. Se um membro do coletivo apresenta um projeto, nos colocamos como realizadores. De acordo com os afetos e disponibilidades, algumas pessoas ingressam em sua pesquisa artística, outras se colocam como realizadoras, no sentido da produção e da articulação. Este formato nos permite transitar entre muitas funções e pensar a ética da produção cultural de forma verticalizada, o que penso, é o principal objetivo do coletivo. Entendemos o coletivo como uma superfície de encontro de individualidades. Cada um de nós tem um vínculo muito próprio com o ofício, além de virmos de diferentes áreas das artes. O que acontece é que, sendo cada um de nós um propositor e um criador, que responde às suas próprias ânsias, nossas obras se ramificam e ganham expressões singulares. Assim, a mesma obra volta ao coletivo sob visões múltiplas, de forma que nos retroalimentamos e potencializamos tanto os encontros quanto as diferenças. É claro que esse convívio íntimo que lida com paixão e criação acaba nos aproximando enquanto artistas e hoje, penso, temos muitas afinidades e terrenos comuns conquistados. Falamos línguas parecidas.

Nosso moto contínuo pela felicidade

24 de novembro de 2012 Críticas
Foto: Daniel Zimmermann.

Estufa, uma definição: Lugar fechado dentro do qual se criam artificialmente condições especiais para a realização de determinado fenômeno.

Estufa foi apresentada na Mostra Hífen de pesquisa-cena que aconteceu entre os meses de agosto e setembro no Espaço Cultural Sérgio Porto, em seguida realizou quatro apresentações na Argentina e agora está em curta temporada na Rampa – Lugar de Criação. A Mostra Hífen teve curadoria de Diogo Liberano e Adriana Schneider e seu pressuposto foi o de criar um espaço para exposição e discussão de trabalhos que relacionam a universidade e o processo de criação em artes cênicas. A ideia de hífen tem o caráter de chamar a atenção para as possibilidades de aproximação e distanciamento entre duas instâncias que, de modo geral o senso comum, quando pensa sobre trabalho de arte, costuma ver como inconciliáveis: a criação dos artistas e o pensamento acadêmico. É curioso que quando se tem em mente a ciência, em seus avanços ou em suas tecnologias de ponta, o conhecimento universitário está solidário às práticas.

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A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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