Críticas

Nunca fomos miseráveis

31 de março de 2013 Críticas
Foto: Igor Helal.

O caos político e o crescimento econômico de Paris em meados do século XIX é o contexto histórico deste espetáculo. Poucos anos após a Revolução Industrial, os trabalhadores franceses se multiplicavam em fábricas com condições de serviço vis. Amontoavam-se miseráveis nas zonas pobres da cidade, e dessa densidade demográfica forçada cresceram muitos movimentos de luta política. Durante revoltas e barricadas, dois reis foram derrubados e milhares de pobres foram mortos. A derrota dos reis é sintoma do enfraquecimento do regime político diante das mudanças. Já quando parte do povo morre, os que ficam se reconhecem na dor e ganham força, entendem-se como coletivo, e uma classe se constitui. Os Miseráveis, baseado no romance homônimo de Victor Hugo, expõe o proletariado francês sem recursos, desesperado, brigando por melhorias de vida no início dos tempos modernos.

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O peso do referente

31 de março de 2013 Críticas
Foto: Carolina Calcavecchia.

Vazio é o que não falta, Miranda, espetáculo do Teatro Inominável, dirigido por Diogo Liberano, expõe o cansaço de uma companhia jovem em lidar com a autorreferência do teatro contemporâneo. Possivelmente, o grande risco da peça, tão mencionado pelo diretor, seja a falta de tônus em segurar (refletir sobre) o referente, entendendo o grande vácuo presente no próprio e a falta de conhecimento (experiência) sobre o mesmo. Por isso, cabe uma reflexão sobre o sentido de vazio presente na peça do grupo. A obra segue o seguinte mote: um diretor, Liberano, e quatro atrizes, Adassa Martins, Caroline Helena, Flávia Naves e Natássia Vello resolvem montar Esperando Godot de Samuel Beckett. Imersos na obrigação inalcançada de fazer uma peça canônica de teatro, o grupo constrói diferentes jogos no palco. É o caso do jogo de improvisação com o dicionário e do sorteio com a plateia das intérpretes que farão as personagens na peça de Samuel Beckett.

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O tempo de Nelson

28 de março de 2013 Críticas
Foto: Dalton Valério.

Introduzir uma questão sobre Vestido de noiva não é uma tarefa fácil. Mesmo um texto crítico pode sofrer do fato de toda a dramaturgia de Nelson Rodrigues ter sido amplamente montada, vista e analisada. Claro que isto tem a ver com a peça ser um texto ícone da dramaturgia brasileira. O texto de Nelson tornou visível uma formação estrutural e uma temática, cujo desdobramento foi o de se mostrar como um clássico. Um texto pode ser considerado um clássico por sua capacidade de mimetizar a atualidade em que é encenado, na medida em que traz questões e modos de encenação ainda não plenamente identificáveis e que, por isso, podem ser reconhecidos, ou traduzidos por diferentes épocas. Então, de alguma forma, estamos falando e pensando na questão do tempo quando nos referimos aos textos que, como o de Vestido de noiva, são capazes de trânsito entre épocas.

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Cena de experimentação

28 de março de 2013 Críticas
Foto: Renata Souza.

A característica marcante de Duo sobre desvios, em cartaz em março no Art Hostel Rio, é o fato de que a ação investigativa constrói sua cena. A investigação sobre o abandono não se dá propriamente com uma proposição em que os atores mostram contornos decididos a respeito do tema. Tudo se passa como uma instância que vai se formando ao longo da exposição, mesmo que, como sabemos, exista uma partitura de falas e ações preparadas e ensaiadas anteriormente. Outra coisa que conta para esta perspectiva é que se trata de um trabalho que não se encaixa em determinações de linguagens, mas se forma pelo atravessamento entre a dança e a atuação teatral, ou seja, modos de representação que nos ligam a essas ideias. Existem ainda outros atravessamentos entre poesia, texto dramatúrgico propriamente dito, relatos autobiográficos e sobre o processo de criação, projeções de imagens e música que compõem a dramaturgia elaborada em conjunto por Fabrício Moser e Cadu Cinelli.

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Metáforas e arestas

28 de março de 2013 Críticas
Foto: Guga Melgar.

A peça Céu sobre chuva ou Botequim, de Gianfrancesco Guarnieri, com direção de Antônio Pedro Borges, teve uma única montagem em 1973, e agora é encenada 40 anos depois, no Centro Cultural dos Correios. A tensão entre duas épocas, dois governos e duas realidades brasileiras não poderia ser maior. As montagens de 1973 e 2013 resistem como peças-irmãs, ligadas a partir de um esforço de reeditar a poética teatral de Guarnieri, porém partilhando de um inequívoco dissenso em face de seus respectivos contextos históricos.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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