A 71ª primeira edição da Questão de Crítica reúne textos escritos e/ou finalizados durante a pandemia da COVID-19. Em meio a um número imenso de mortes e uma situação política revoltante, aqui tentamos de algum modo dar continuidade à reflexão sobre as artes da cena e às formas possíveis de se fazer teatro sem o convívio presencial, de carne e osso, por assim dizer.

Publicamos alguns textos sobre teatro online, que trazem perspectivas distintas sobre essa prática e sua repercussão. Alguns deles foram produzidos ainda no primeiro semestre de 2020. Patrick Pessoa escreve uma crítica de Onde estão as mãos esta noite?, solo de Karen Coelho com texto de Juliana Leite e direção de Moacir Chaves. Daniele Avila Small faz a crítica de 12 pessoas com raiva, da plataforma Pandêmica Coletivo Temporário de Criação, texto de Reginald Rose adaptado por Juracy de Oliveira, que também assina a direção. A atriz Nicole Cordery escreve sobre o processo criativo de Pandas ou Era uma vez em Frankfurt, peça de Matei Visniec adaptada para o Zoom com direção de Bruno Kott, na qual ela atua.

Na seção de traduções, Gyl Giffoni e Yenny Agudelo apresentam a versão para o português do artigo da pesquisadora mexicana Shaday Larios sobre a relação entre o espaço doméstico e o teatro de bonecos no contexto da pandemia intitulado Casa e teatro de objetos: Intimidade do espaço doméstico em tempos de distanciamento.

Em um segundo momento, Lorenna Rocha escreve um artigo de fôlego intitulado “Circuito virtuais pretos“, mapeando criações online de artistas negres no Brasil e se posicionando diante da repercussão de tais trabalhos. Maria Lucas lança seu olhar sobre a vídeo-performance Gaia, de Nina da Costa Reis e Eduardo Ibrahim, apresentada no YouTube pela Pandêmica, que, ao longo de 2020, se tornou uma importante plataforma de realização das artes cênicas na Internet.

Essa edição conta ainda com dois textos sobre Marcha a ré, realização do Teatro da Vertigem que assumiu a forma de um cortejo de carros em marcha a ré na cidade de São Paulo e de uma obra audiovisual dirigida por Erick Rocha. Por um lado, Antonio Duran, integrante do grupo, escreve sobre o processo de criação e, por outro, Luiz Fernando Ramos escreve sobre a ação de uma perspectiva crítica.

Viviane da Soledade analisa um espetáculo estreado em dezembro de 2019 no Rio de Janeiro: Hoje eu não saio daqui, criação mais recente da Cia Marginal que aborda a presença de imigrantes angolanos na Maré, realizada no Parque Ecológico da Maré, como parte do projeto Refúgio.

A seção de conversas traz um projeto de Ivana Menna Barreto. A série de entrevistas Histórias do Corpo é um projeto de conversas sobre histórias do corpo no Brasil, assim no plural, porque são muitas as suas versões, e muitos também os caminhos para onde apontam. Sem perder de vista as contaminações de outras culturas, a colonização, as insurgências e lutas nelas implicadas, as histórias são contadas por artistas, pesquisadores, e artistas-pesquisadores, porém sem uma preocupação com a história cronológica de causa e efeito, no sentido do que vem antes e o que deveria vir depois. Buscamos ouvir algumas experiências com certo recuo no tempo, para deslocar e colocar em perspectiva acontecimentos do passado que ressoam no presente. Publicamos conversas com Ana Teixeira, André Masseno, Christine Greiner, Verusya Correia, João Carlos Ramos e Marilza Oliveira.

No final de 2020, a Questão de Crítica realizou em parceria com o Complexo Duplo a segunda edição da Complexo Sul – Plataforma de Intercâmbio Internacional. Publicamos aqui o texto de uma das palestras apresentadas nesse evento online, o ensaio de Daniele Avila Small “Palestra-performance, crítica de artista”. Essa e as demais palestras e conversas da programação estão no canal do YouTube do Complexo Duplo.

Por falar em You Tube… Depois de 10 no Vimeo, abrimos um canal no YouTube e, em 2021, realizaremos ações por lá. É só se inscrever no nosso canal e acompanhar!