Críticas
Identidade ou diversidade
Os conflitos do Oriente Médio já renderam milhares de páginas jornalísticas e literárias. Muito se confabulou sobre porque toda essa barbárie está acontecendo. No caso do conflito árabe-israelense, não é diferente. Porém, por mais colorida que a cena seja pintada, o motivo de tudo é um só: território. A terra prometida não tem petróleo, mas tem fronteiras com os principais países do Oriente Médio, controla a circulação de água potável do Rio Jordão e de portos marítimos do Mediterrâneo.
Perguntas a Nelson
Cuidado com o cão, da Cia de Teatro Íntimo, é o terceiro dos quatro espetáculos encenados pela companhia desde a sua formação. Estreado em 2007, o espetáculo foi imediatamente precedido pelo esquete Pouco não é amor, apresentado no festival Mercadão Cultural no segundo semestre de 2006. Ainda que este último não conste no folheto com a listagem dos espetáculos da companhia, minha expectativa e minha recepção para Cuidado com o cão foram absolutamente determinadas pela apresentação do esquete, especialmente pois o tamanho reduzido de seu formato suscitava o desejo por uma continuidade, que, de certa forma, pude observar no espetáculo que acaba de cumprir temporada no espaço da Cia dos Atores.
Formas inscritas

A peça de câmara da Sutil Companhia de Teatro inicia a sua relação com o espectador, através do título, com a palavra “não”. Não sobre o amor. Algum “não” se dá também quando o trabalho é apresentado como peça de câmara. Se esta é a primeira peça de câmara do grupo, os artistas envolvidos no trabalho estão, de certa forma, dizendo um pouco de não para um jeito de fazer teatro que eles já conhecem e que já sabem fazer. Se este novo trabalho demanda outro formato, dizer “não” para os procedimentos familiares é dizer “sim” a esta demanda. Dizer “não” pode ser o começo de algo, não um fim. O “não” do título também carrega um “sim” implícito, um “sim” inevitável. O espetáculo fala sobre o amor, mas não simplesmente sobre o amor: fala sobre formas de expressão e sobre falar (ou não) sobre o amor.
Imagem e discurso

O espetáculo Todo o tempo do mundo, realizado pelo Studio Stanislavski, instala a cena e a platéia dentro do palco do Teatro Maria Clara Machado, formando um outro espaço circular. A cenografia de José Dias intervém efetivamente no ambiente, criando um novo lugar. O espaço de atuação se descola da arquitetura daquele teatro. No centro, um tablado redondo que gira sobre o seu próprio eixo é o suporte para a linha diretriz da trama: o tempo em que um homem ficou preso, os sonhos que teve, sua relação com estes sonhos e a conclusão que se pode tirar desta história. Em torno do pequeno círculo/cela, outro se forma pela disposição intercalada de cadeiras para o público e espaços para as cenas. A divisão entre estes espaços é feita por um véu escuro e pela iluminação. As cenas que acontecem nestes espaços, que às vezes se assemelham a pequenos nichos, apresentam os sonhos do homem que está deitado em seu catre – percebemos esta relação logo de início pois as cenas no círculo exterior só acontecem enquanto o personagem que está no centro dorme.
Flashes de um exílio subjetivo

Logo no início de Não sobre o Amor, Victor Shklovsky é atravessado, enquanto dorme, pela imagem de Elsa Triolet (rebatizada, em cena, de Alya), projetada ao fundo do palco. A passagem diz bastante sobre esta nova montagem de Felipe Hirsch, em especial no que se refere à importância do tempo em seu teatro.