Críticas

Ponto sem partida

10 de junho de 2008 Críticas

Com Memória afetiva de um amor esquecido, a companhia Os Dezequilibrados continua investindo nas suas principais propostas – em especial, o trabalho em espaço não-convencional, o vínculo com a gramática cinematográfica e o deslocamento do espectador de uma posição meramente passiva.

Entre estas características, a utilização do espaço não-convencional é, sem dúvida, a mais bem administrada pelo grupo, que investe num espetáculo itinerante pelos oito andares do prédio do Oi Futuro. A verticalidade deste espaço é aproveitada pelo diretor Ivan Sugahara, que já tinha realizado expressiva “ocupação” do quarto de um apartamento em Um quarto de Crime e Castigo e do hall de um cinema em Vida, o filme. Neste novo trabalho, o diretor nem sempre procura aproximar o universo abordado do espaço escolhido, por mais que as instalações do Oi Futuro sejam inicialmente aproveitadas como referentes às da clínica Be Happy, especializada em apagar memórias dolorosas das mentes de seus clientes.

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Adultério

10 de maio de 2008 Críticas

 

Foto: divulgação.

Para compreendermos o que acontece com a peça Quatro Pessoas precisamos olhar brevemente para o texto original e lembrar o que se passava na época de sua gênese. Mario de Andrade pesquisou durante um bom tempo de sua vida quais eram os aspectos humanos que formavam as características do brasileiro. Chegou a formular estereótipos bem reconhecíveis em nossa sociedade. Resgatou uma cultura nacional extremamente ligada às nossas raízes indígenas e africanas, deixando uma larga contribuição registrada em sua obra, como em Danças Dramáticas do Brasil: Folclore.

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Para revidar o olhar

10 de maio de 2008 Críticas
Atores: Adriano Garib e Miwa Yanagizawa. Foto: Guga Melgar.

Em cena, três atores e duas atrizes se dividem em personagens diversos. A situação com a qual a peça se inicia parece conduzir o percurso: Artur (Adriano Garib), na ocasião do seu aniversário e em meio a uma crise, num momento em que questiona sua trajetória de vida e suas prioridades, revê sua relação com o filho (Fabio Dultra), tendo a namorada deste (Julia Lund) como aliada para uma aproximação. Ele se relaciona com uma mulher imaginária (Miwa Yanagizawa) e com um amigo (Otto Jr), com quem vai realizar um projeto: listar situações em que pessoas estão sendo observadas sem saber, pessoas que vemos, mas que, a princípio, não nos olham.

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Uma proposta de instalação cênica

10 de maio de 2008 Críticas
Atriz: Verônica Reis. foto: divulgação.

Em Pessoas, novo espetáculo da Cia. Atores de Laura, a diretora Susanna Kruger reúne quatro “dramas estáticos” de Fernando Pessoa – O marinheiro, Diálogo no jardim do palácio, Salomé e A morte do príncipe. Os textos de Pessoa são utilizados como precioso canal para uma instalação cênica, na qual o público adquire participação importante.

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O processo – Teatro na Justiça

10 de maio de 2008 Críticas

O projeto Teatro na Justiça, dirigido por José Henrique, procura investigar obras “fundamentais para a compreensão de valores da Justiça” e apresentar os resultados deste trabalho em forma de “espetáculo-leitura”. O processo, em cartaz no Teatro Maison de France, adaptação da obra homônima de Franz Kafka, é a segunda dessas produções que é transformada em encenação para o circuito teatral. A primeira obra encenada foi A pane, de Friedrich Dürrenmatt. Essas duas escolhas parecem apontar para a discussão de valores surgidos na modernidade que fizeram frente aos modelos metafísicos que defendiam princípios eternos e objetivos. No contexto moderno pós-metafísico, o homem precisa operar suas próprias leituras e arriscar sentidos para a história. Esse pensamento parece caro ao projeto do Teatro na justiça, sobretudo por ter fundamentado seu trabalho na relação entre teatro e literatura, que pressupõe operações de releitura, tanto por parte da adaptação dramatúrgica quanto da direção, dos atores, dos procedimentos cênicos, e conseqüentemente, do público. Portanto, a releitura, ou seja, a construção própria da história, parece ser uma das perspectivas possíveis para analisar o espetáculo.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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