Críticas
Retrato do amor quando jovem à moda caipira
Inspirado em três canções da dupla caipira Tonico & Tinoco, o espetáculo Um dia ouvi a lua, de Luís Alberto Abreu, direção de Eduardo Moreira, pela Cia. Teatro da Cidade, de São Bernardo dos Campos/SP, traz ao palco do Teatro Municipal Procópio Ferreira, durante o XVIII Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente, o universo caipira do interior paulista, com seu humor, personagens típicos, ditos populares e, sobretudo, música e estórias de amor.
A arte é o nosso negócio
“Há um sério risco de acabarmos por encontrar um emprego para a nossa ociosidade”
A insurreição que vem – Comitê invisível
Cada um dos quatro atos da peça Ópera dos vivos, encenada pela Companhia do Latão, de São Paulo, com direção de Sérgio de Carvalho, reconstitui uma etapa histórica da instituição de regimes de dominação da metade final do séc. XX. Os problemas que podem ser colhidos dos argumentos da peça, com os quais a sociedade atual está se deparando, referem-se a um novo regime de dominação dispersa, que Gilles Deleuze identificara como um regime de controle contínuo, percebido na substituição do cárcere por coleiras eletrônicas, na avaliação continuada e na formação permanente das escolas, nos hospitais, nas empresas e nas formas de tratar o dinheiro. A questão que paira para Deleuze e que se encaixa como questão da Ópera dos vivos é: ao que estamos sendo levados a servir?
Subjetividades que se ocultam

Inverno da luz vermelha se caracteriza por ser uma peça em que o espectador se envolve no desenrolar da história, no desencadeamento das ações na cena e nos conflitos estabelecidos pelos personagens. É, portanto, uma peça em que a trama (a fábula), a história que se conta e os personagens nela envolvidos têm uma importância central na encenação. Claro que essa especificidade é ainda uma alavanca forte nas encenações em nossos palcos. A peça já havia estado em cartaz no Rio de Janeiro, no teatro Gláucio Gill. Ainda lá obteve forte receptividade e retornou ao circuito carioca no frio e distante palco do teatro do shopping Fashion Mall.
“A vida é perto”

Com a distância física não se brinca. Será? Depois de tantos emails trocados e conversas em chats nas quais a prioridade era saciar a curiosidade sobre vida do outro, a escritora Ana, personagem da estreia dramatúrgica de Gregório Duvivier e Clarice Falcão, descobre o quanto de ficção pode haver por detrás da tela do computador.
Em meio à ansiedade de não conseguir escrever seu segundo livro, Ana vê num fã que se aproxima virtualmente, John, a oportunidade de disfarçar o “ócio criativo” como “tempo ocioso” enquanto a inspiração não chega. Assim sendo, começa a estabelecer um tipo de amizade virtual com John, um rapaz viajado, que não se fixa em país algum, com um humor bacana, rico, e que parece ser sincero.
Reflexão e comicidade sobre a condição humana

“Solidão é lava que cobre tudo
Amargura em minha boca
Sorri seus dentes de chumbo
Solidão palavra cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão.”
A solidão, ao que tudo indica, parece ter se tornado um dos grandes males dos tempos modernos. O tema aparece com certa recorrência em músicas, livros e no cinema. A escola existencialista acredita que a solidão faz parte da essência do ser humano. Cada pessoa vem ao mundo sozinha, atravessa a vida como um ser em separado e, no final, morre sozinho. Aceitar o fato, lidar com isso e aprender como direcionar nossas próprias vidas de forma bela e satisfatória é a condição humana.