Críticas

Intimidade e imersão

8 de junho de 2013 Críticas
Foto: Divulgação.

O grupo O baú da baronesa apresentou no espaço da Companhia dos Atores, no bairro da Lapa, o espetáculo Jumbo – eu visto a tua ausência, uma mostragem de repercussões afetivas em mulheres de detentos. Neste universo, o termo jumbo significa uma espécie de pacote que as mulheres preparam para seus pares e que aglutina coisas heterogêneas, como comidas e objetos de uso e de higiene pessoal. O texto do programa se refere a um “pacote de cuidados” que a dramaturgia e a encenação tratam de materializar por meio de escolhas que expõem intimidades das personagens, momentos particulares com seus entes queridos. Esta mesma intenção se projeta no modo confessionário em que as personagens se apresentam ao público, que fica alocado no lugar daquele que está na prisão, e que é o visitado.

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Onirismo e vicissitudes em comédia

23 de maio de 2013 Críticas

Foto: Jorge Hely.

5 Garrafas de cana e 1 caju maduro, escrito e dirigido por Leon Góes, estreou no teatro do Parque das Ruínas, onde está em cartaz até este final de semana. O espetáculo é uma comédia musical popular que surpreende por uma dramaturgia que tem a forma dos sonhos e, ao mesmo tempo, expõe um lugar limite adequado ao tempo da realidade – o das conversas de bar regadas a cachaça. O efeito resultante é que o tema não é tratado como uma cópia pronta, mas sim de um jeito como pode ser percebido. A visada é crítica, mas trabalhada com graça pelos modos, figuras alegóricas e vocabulário da vida boêmia do Rio Grande do Norte. Os personagens são construídos por tipificações, o que possibilita que vejamos uma espécie de espelho da sociedade, onde seria a manifestação de uma pequena cidade do interior.

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Devaneio metateatral sobre a cultura das aparências

23 de maio de 2013 Críticas
Foto: Divulgação.

Em 1943, quando o diretor polonês Ziembinski estreou sua versão para a peça Vestido de noiva, de Nelson Rodrigues, quem estava na plateia talvez não pudesse suspeitar que, naquela noite, o teatro brasileiro inaugurava historicamente sua fase moderna. No entanto, era inegável o estranhamento gerado pela opção rodrigueana de concentrar toda a ação cênica na cabeça da protagonista Alaíde. Após ter sido atropelada e chegar à sala de cirurgia entre a vida e a morte, a personagem se tornou marco de nossa dramaturgia ao oscilar entre os planos da memória, da realidade e da alucinação.

É também a estranheza fragmentária e lacunar gerada pela sobreposição de planos um dos pontos de contato mais fortes entre Vestido de noiva e o novo espetáculo do Grupo XIX de Teatro, Nada aconteceu, tudo acontece, tudo está acontecendo, livremente inspirado na obra clássica de Nelson e com dramaturgia criada pelo grupo em parceria com Alexandre Dal Farra. A direção é de Luiz Fernando Marques e Janaina Leite.

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O passado eternizado

21 de maio de 2013 Críticas
Foto: Divulgação.

O projeto de O que você mentir eu acredito está fundado numa operação de Felipe Barenco sobre diversos contos de Caio Fernando Abreu. O autor realiza uma apropriação literária, recortando frases de seus contextos originais e inserindo-as numa nova configuração dramatúrgica. As frases são reunidas numa história única, que, contudo, preserva um caráter fragmentado.

Felipe Barenco expõe um painel de acidentada comunicabilidade familiar entre integrantes de diferentes gerações. Logo no começo da apresentação, os tempos mortos sobressaem através de um silêncio decorrente de um modo de funcionamento em que o principal não é verbalizado. Entretanto, para além desse enredo generalizante, o autor especifica questões. Em cartaz no Teatro Sesi, O que você mentir eu acredito se revela como uma peça sobre o descompasso temporal vivenciado por personagens que permanecem atrelados a uma tragédia ou que se conscientizam tarde demais de terem desperdiçado um período impossível de ser recuperado. Apesar de não possuírem obviamente acesso ao passado, os personagens se mostram estacionados nele.

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Tradição e criação

19 de maio de 2013 Críticas
Foto: Renata Pires.

A tradição popular é o que norteia a construção da cena de Caetana, espetáculo da Duas Companhias formada por Lívia Falcão e Fabiana Pirro, apresentado no Festival Palco Giratório que acontece no Espaço Cultural Escola Sesc, que fica na Escola Sesc de Ensino Médio, e em outros palcos da cidade. A companhia de Pernambuco partiu do desejo das duas atrizes de investigar suas tradições e “falar do seu lugar de origem”. A personagem Caetana é uma figuração feminina da morte da mitologia popular do nordeste do Brasil. O espetáculo apresenta ludicamente o embate entre a rezadeira Benta que, acostumada por função a encomendar a alma dos mortos de sua cidade, se vê agora na situação limite em que esteve vinculada durante toda a sua vida, ou seja, enfrentando a própria morte.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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