Estudos

Diários do Théâtre du Soleil (2)

10 de julho de 2009 Estudos

TERCEIRA SEMANA

Difícil escrever… escolher sobre o que escrever. Às vezes em uma semana de curso a única coisa que fica é uma imagem. Esta semana foi assim. Tivemos muito trabalho, cenas e mais cenas de Ion e Sócrates dialogando, a arte da rapsódia, a arte do ator. Equívocos e apontamentos. Como sempre mais equívocos do que apontamentos, mas é assim mesmo, quero dizer, o trabalho é assim.

E então, na tentativa de nos ajudar, Vassiliev falou de uma imagem que não me saiu da cabeça: que o jogo, a cena seria como dois cachorros quando estão brincando de se morder, na verdade os dois querem ser mordidos, eles esperam por isso, quando acontece eles fogem um pouco, mas logo estão de volta pra recomeçar a brincadeira. Com crianças é assim também, quando elas brincam de pega ou pique-esconde, elas querem ser pegas ou achadas, porque só assim a brincadeira pode continuar. É uma estratégia, é consciente, é estar fora da situação e dentro do jogo.

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Dogville ou uma estética brechtiana no cinema

10 de maio de 2009 Estudos

Os encartes de cultura e as matérias pagas dos jornais, os cinéfilos de monografias acadêmicas e os releases de distribuidoras de filmes podem até dizer o que quiserem, até porque muitos dos que dizem o que querem não querem o que dizem, mas – aqui para nós – essa leitura de que Lars von Trier, em Dogville, está contando uma história sobre a crueldade humana é, no mínimo, uma tremenda miopia por reduzir a idéia de humano a partir de estreitos conceitos ocidentais e ocidentalizados do modo acidentalmente cristão de atribuir sentido ao mundo, se é que existe alguma eficácia nessa possibilidade. Aliás, ficaria até interessante aqui, em Dogville, brincar com o anagrama e inverter as letras de Dog para God, considerando que o Dog (cão) do filme se chama Moisés (em hebreu, Mosché), o mesmo que apresenta aos humanos a tábua dos 10 mandamentos da lei de God (deus). Por uma visada bastante irônica, também podemos afirmar que aqui, o “nosso” Moisés, também nos ofereça como mandamentos os 9 capítulos fornecidos no filme como uma anunciação, através de uma espécie de álbum seriado apresentando os temas das cenas que se seguem, deixando o 10º para ser escrito pelo próprio espectador.

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Uma descida no maelstron

10 de maio de 2009 Estudos

Introdução

O início dos anos 80 foi o momento em que o Brasil reconheceu o talento de encenador de Gerald Thomas. O contexto em que sua peça Quatro Vezes Beckett fez sucesso era de redemocratização e abandono das preocupações políticas dos anos 70. A partir de então, transformou-se o contexto em que boa parte dos diretores e dramaturgos brasileiros tinham sido primordialmente brechtianos, mas vivia-se um momento em que Brecht foi perdendo, paulatinamente, sua influência.

Essa pesquisa visa estudar e verificar uma importante mudança ocorrida na carreira do encenador Gerald Thomas desde meados dos anos 2000: Gerald decidiu não mais encenar textos de outros autores, esforçando-se agora por encenar e redigir sua própria dramaturgia. A primeira experiência dessa nova fase foram as peças Terra em Trânsito e Rainha Mentira (Queen Liar). Ele se aproxima, portanto, do traço autoral de um Glauber Rocha, que sempre escrevia e dirigia seus filmes, tendo todos eles a sua marca, sua assinatura autoral e muitas vezes, como em Idade da Terra, sua presença física e voz propriamente ditas.

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Diários do Théâtre du Soleil (1)

10 de maio de 2009 Estudos

APRESENTAÇÃO

Meu nome é Gabriela Carneiro da Cunha, sou atriz, tenho 26 anos e fui para Paris para o dia 29 de dezembro de 2008 pra fazer o estágio no Théâtre du Soleil. Cheguei dia 30, um dia antes do ano novo e 40 dias antes do início do estágio. Os motivos para chegar assim tão cedo foram 3: primeiro precisava praticar o francês; segundo, um estágio com o encenador russo Anatoli Vassiliev que estaria acontecendo no mês de janeiro em Paris e terceiro, a passagem para Paris triplica de preço depois da meia noite do dia 31 de dezembro. O jeito foi esquecer o ano novo em Copacabana e começar a pensar no Réveillon na Torre Eiffel.

A questão da passagem é o que motiva este e os outros textos que escrevi, escrevo, escreverei. Consegui o dinheiro para financiar minha passagem em um edital do Ministério da Cultura, chamado edital de intercâmbio cultural, onde uma das exigências é uma proposta de contrapartida. Esta foi a minha proposta, escrever uma espécie de diário virtual sobre as atividades desenvolvidas durante o estágio para ser postado neste site. A proposta só fazia referência ao estágio no Soleil, mas de qualquer maneira resolvi escrever também sobre a experiência com Vassiliev.

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Teatro Oficina Uzyna Uzona: tensão entre o interior e o exterior

10 de abril de 2009 Estudos

“ Minha vida se viu confundida com esse lugar que virou o meu destino.”
José Celso Martinez Corrêa 

Não é, talvez, por acaso que a arquiteta italiana Lina Bo Bardi [1] ao sair da Bahia para morar em São Paulo comece a trabalhar com o grupo Oficina e a produzir cenários para as encenações do grupo e que, a partir de 1982, comece a trabalhar no projeto do seu terceiro e último espaço cênico. Na ocasião da elaboração desse espaço, o grupo já tinha uma trajetória de mais de vinte anos, porém ainda buscava novos desafios e formas diferentes de se pensar e de fazer teatro. Ao mesmo tempo em que as características da arquitetura do Teatro Oficina Uzyna Uzona [2] são coerentes com a prática teatral do grupo, também são recorrentes em outras concepções espaciais da arquiteta. Esses pontos de convergência serão analisados e confrontados com a concepção artística de Lina Bo Bardi e a de José Celso Martinez Corrêa. 

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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