Críticas

Presença que escapa

27 de julho de 2010 Críticas

 

Atrizes: Bel Garcia e Marina Vianna

Em sintonia com uma das principais propostas da Cia. dos Atores, Devassa desponta como uma desconstrução de um texto original – no caso, Lulu, de Franz Wedekind, já transportado para o cinema por G W. Pabst. A diretora Nehle Franke e os atores se preocuparam em entrar em contato com a integridade da obra original antes de dissecá-la em cena. É interessante acompanhar a perseguição dos personagens por uma Lulu, que, mesmo quando parece ter sido dominada, escapa, sempre fugidia, das mãos de seus controladores.

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Criação de um tempo anacrônico

22 de julho de 2010 Críticas
Foto: divulgação.

A terceira edição do FESTLIP trouxe ao Teatro Nelson Rodrigues o espetáculo Ferro em brasa encenado pela companhia paulista Os Fofos Encenam que foi formada em 1992 a partir das atividades curriculares no curso de Artes Cênicas da Unicamp. O fundamento da pesquisa estava enraizado, desde o início, nas manifestações de arte popular. Em 2003 o grupo passa a investigar a estética do circo-teatro encenando A mulher do trem; Assombrações do Recife Velho, em 2005, e Ferro em brasa, em 2006. A encenação em cartaz neste Festlip, portanto, resulta de um tempo de experiência que o teatro de repertório possibilita. No caso de Ferro em brasa, essa experiência constituiu uma materialidade apurada construída pela pesquisa dramatúrgica, pela pesquisa visual, pelo trabalho vocal e pela criação de um campo de tensionamento que raramente temos a oportunidade de vivenciar na maior parte dos espetáculos, por assim dizer, populares que transitam no panorama teatral carioca.

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Rendendo as rédeas ao espectador

16 de julho de 2010 Críticas
Ator: Luiz Bertazzo. Foto: Elenize Dezgeniski

Até então ocupada com um teatro de enredos e personagens, de tragédias caseiras e desencontros emocionais, como nos espetáculos Bicho corre hoje e Delicadas embalagens, a Cia Senhas inaugura uma nova maneira (para si) de se relacionar com o público, a matéria criativa e a ocupação do espaço em Homem Piano – Uma instalação para a memória. A diretora Suely Araújo e o ator Luiz Bertazzo criam, a partir de uma situação factual, um espetáculo que é um acontecimento em si e convida o público ao jogo, cumprindo um percurso que se abre para a possibilidade de um final verdadeiramente catártico.

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A sonoridade material do texto

16 de julho de 2010 Críticas
Atriz: Ana Barroso. Foto: Guga Melgar

A encenação de Merci em cartaz no Teatro do Oi Futuro do Flamengo, escrita por Daniel Pennac, com a direção de Moacir Chaves e a atuação de Ana Barroso é um exemplo de como podem ser congregados de maneira sutil a dramaturgia, a cena e a escrita. A sutileza aqui criou um campo de beleza para a recepção no sentido da estética. Todos os elementos que constituem a encenação são cuidadosamente e inteligentemente elaborados. Para começar, vale a pena ler o programa deixado nas cadeiras do teatro. A escrita começa a forjar um imaginário antes mesmo do texto falado e que, ao final, se junta a esse último criando a possibilidade de desdobrar sentidos, uma esfera quase material para nossa reflexão.

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Uma história com início, meio e fim

21 de junho de 2010 Críticas
Foto: divulgação.

Savana Glacial, espetáculo do Físico de Teatro em cartaz no Maria Clara Machado, tem como mote e interesse principal o que podemos entender por “uma história bem contada”, bem escrita e bem resolvida dramaturgicamente.

A trama se baseia nas relações de um casal em crise, a perda de um filho, o trauma de um acidente, a privação de uma vida, a solidão das vidas vizinhas e estranhas entre si. O enredo da peça se baseia na história de um casal que tem de lidar com o trauma de um acidente de carro que deixa a mulher, Meg (Andreza Bittencourt), com uma sequela: a perda de memória recente. O marido, o escritor Michel (Renato Livera), aprisiona a mulher em casa, fazendo-a anotar tudo o que lhes acontece num bloquinho, para que Meg possa se lembrar das pessoas que passam por sua casa e os últimos acontecimentos. Quando uma estranha vizinha, Ágatha (Camila Gama), aparece pela primeira vez em sua casa, todos os acontecimentos se embaralham.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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