Autor Daniele Avila Small
Atuação e representação

Na peça O zoológico de vidro de Tennessee Williams, em cartaz no Teatro Maison de France, uma questão no trabalho dos atores aparece de forma bem delineada: em cena, duas formas diferentes de relação com a frontalidade são exemplares como registros de atuação distintos, que não costumam aparecer juntos. Estes dois registros ficam visíveis não apenas pelas escolhas do diretor Ulysses Cruz e pela própria natureza dos personagens, mas a índole e a formação dos atores também são fatores que contribuem para estas duas concepções do trabalho de atuação.
Convite à cumplicidade

Está de volta ao Rio o monólogo Negrinha, que fez curta temporada na sala Multiuso do SESC em 2008. Agora em cartaz no Casarão Austregésilo de Athayde, a peça se encaixa numa outra realidade da produção teatral carioca: os espaços pouco convencionais demoram um pouco pra formar público. O SESC é uma oportunidade segura para a visita de produções de fora da cidade, tendo em vista que o espaço já tem o seu público cativo. No entanto, nem sempre o público do SESC é o público certo para a peça que vem de fora, e nem sempre o espaço é o ideal. No caso de Negrinha, o Casarão pode ser uma opção mais interessante para o espetáculo, especialmente se levarmos em conta as opções de espaço cênico que o grupo tem feito para o seu repertório.
Uma verdade ainda negativa

O estrangeiro, peça em cartaz no Mezanino do Espaço SESC, é uma adaptação de Morten Kirksov para o romance homônimo de Albert Camus, com tradução de Liane Lazoski. Em cena, Guilherme Leme, que assina a direção junto com Vera Holtz, conta a história de seu personagem, Mersault, na primeira pessoa. Mersault é, a princípio, um homem comum. Aos poucos, percebemos que algumas fronteiras entre o comum e o incomum se romperam e que o limite entre o espaço do indivíduo e o espaço da sociedade está sendo apresentado como algo bastante complexo.
A cena da cidade
Natasha Corbelino é responsável pela iniciativa de intercâmbio entre grupos de teatro no Rio de Janeiro A cena da cidade.
DANIELE AVILA – Como se constituiu A cena da cidade, quais são seus os objetivos e pressupostos?
NATASHA CORBELINO – A Cena da Cidade começou como um movimento despretensioso gerado pela necessidade de aproximação entre os profissionais de teatro do Rio, pela carência de diálogo e cumprimentos entre nós e pela curiosidade para mapear os trabalhos/propostas. A partir de uma necessidade de abrir espaço na cidade para encontros que me permitissem saber os nomes e rostos de quem está a meu lado fazendo o mesmo trabalho, dei origem aos primeiros contatos em 2007. A resposta ao meu primeiro email foi tão grande e ativa que confirmei o óbvio: o desejo do encontro era dominante.
Palhaço de nariz sutil

Vaca de nariz sutil é a segunda adaptação de um romance de Campos de Carvalho que faz temporada no Teatro Poeira. No entanto, é difícil ver rastros e O púcaro búlgaro, encenado por Aderbal Freire-Filho em 2006, nesse espetáculo dos parlapatões que veio para cá depois de fazer temporada em São Paulo. A adaptação do grupo paulista buscou transformar o romance para a cena, opção oposta àquela do romance em cena de Aderbal. Para o público carioca, a experiência de assistir a essas duas montagens é interessante. É possível ver caminhos bem distintos para a encenação do universo de Campos de Carvalho e pensar a relação entre cada romance e cada peça.