Críticas

Beckett sem rótulos

10 de abril de 2009 Críticas

Indubitavelmente, Peter Brook é um dos maiores encenadores do teatro contemporâneo. O artista inglês que, atualmente, dirige o Centro Internacional de Criação Teatral no Théâtre dês Bouffes du Nord, em Paris, trouxe a Portugal, no Centro Cultural Vila Flor, na cidade de Guimarães, uma hora de trem (comboio) da cidade do Porto, o espetáculo Fragments, em um imponente teatro com capacidade para 800 lugares, sendo que apenas um pouco menos da metade da platéia estava preenchida. Foram apenas duas exibições sem as “clássicas” disputas por um ingresso, quando se trata de um artista mundialmente reconhecido com um número restrito de apresentações. Em Portugal, não houve tumulto, aliás, nem empolgação generalizada. Garanti meu lugar na terceira fila, no centro do teatro, sem a menor dificuldade e confesso que, apesar de vibrar pela conquista, lamentei pela falta de interesse dos portugueses num evento nada corriqueiro, tendo em vista que, logo após o espetáculo, haveria uma conversa com a equipe.

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A rua como contingência teatral

10 de abril de 2009 Críticas
Foto: divulgação.

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz de Porto Alegre se apresentou na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, no dia 15 do mês de abril às 15h. A direção e o texto do espetáculo O amargo santo da purificação foram criados pelo grupo tendo como mote a trajetória do militante do Partido Comunista Carlos Marighella, que dedicou-se à causa dos trabalhadores, da independência nacional e do socialismo durante o período de maior repressão imposta pelas ditaduras de Getúlio Vargas e militar. O espetáculo assume uma linguagem alegórica para dar conta dessa trajetória e o numeroso elenco determina a estrutura coral. A história de Marighella é contada principalmente em forma de música e o roteiro se fundamenta em marcos históricos da vida do personagem.

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Peças que desafiam o espectador

20 de março de 2009 Críticas
Peça: Bate-Man. Ator: Marcelo Olinto. Foto: Diego Pisante.

O Festival de Curitiba recebeu boa parte das Autopeças da Companhia dos Atores, projeto concebido com o intuito de comemorar os 20 anos do grupo. No Teatro Paiol o público assistiu a Esta propriedade está condenada, com direção e atuação de Suzana Ribeiro, Apropriação@, conduzida por Bel Garcia, Bate Man, com Marcelo Olinto, e Talvez, assinado por César Augusto. Ficaram de fora do festival Os vermes, montagem de Marcelo Valle que reunia um maior número de atores, e A ordem do mundo, monólogo com Drica Moraes.

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Convite à cumplicidade

10 de março de 2009 Críticas
Atriz: Sara Antunes foto: Adalberto Lima

Está de volta ao Rio o monólogo Negrinha, que fez curta temporada na sala Multiuso do SESC em 2008. Agora em cartaz no Casarão Austregésilo de Athayde, a peça se encaixa numa outra realidade da produção teatral carioca: os espaços pouco convencionais demoram um pouco pra formar público. O SESC é uma oportunidade segura para a visita de produções de fora da cidade, tendo em vista que o espaço já tem o seu público cativo. No entanto, nem sempre o público do SESC é o público certo para a peça que vem de fora, e nem sempre o espaço é o ideal. No caso de Negrinha, o Casarão pode ser uma opção mais interessante para o espetáculo, especialmente se levarmos em conta as opções de espaço cênico que o grupo tem feito para o seu repertório.

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A boa e bela alma

10 de março de 2009 Críticas
Foto: divulgação.

A alma existe? Segundo Bertolt Brecht, não.

Para o maior teórico do teatro épico a humanidade prescinde dessa substância que, desde Aristóteles, permeou todas as indagações a respeito da natureza humana, constituída, segundo o filósofo grego, por três dimensões indissolúveis: a vegetativa, a sensitiva e a noética. Também alcunhada de chama, espírito, consciência, princípio vital, entre outras denominações, foi ela tomada como bela – a bela alma – após Schiller e o romantismo alemão, quando passou a reunir a capacidade de, simultaneamente,  ser graciosa (quando a sensibilidade coincide espontaneamente com a lei moral) e virtuosa (quando a vontade é determinada pelo dever), impregnando a cultura alemã com tais traços idealista e transcendente em relação aos instintos.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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