Edição: maio, 2010
Vol. III, nº 21, maio de 2010
A edição de maio de 2010 reflete o desejo da Questão de Crítica de olhar para mais espetáculos de fora do Rio de Janeiro.
Neste mês, publicamos três textos sobre a cena teatral de Curitiba, aqui representada por duas importantes companhias da cidade, a Cia Vigor Mortis e a Cia Brasileira de Teatro, e pela crítica de teatro Luciana Romagnolli. Da Cia Vigor Mortis, a peça Manson Superstar, que tem direção de Paulo Biscaia Filho é analisada por Raphael Cassou, que assistiu o espetáculo no Festival de Curitiba. O espetáculo Vida, da Cia Brasileira de Teatro, dirigido por Marcio Abreu, é analisado por Luciana Romagnolli, que assistiu a montagem em Curitiba, e por Daniele Avila Small, que viu o espetáculo no Rio de Janeiro e escreve a partir de uma aproximação com a peça Otro, do Coletivo Improviso, dirigida por Enrique Diaz e Cristina Moura. Publicamos também uma crítica de Dinah Cesare sobre Otro, que esteve em cartaz no Espaço Cultural Sergio Porto, na programação do Projeto Entre.
De São Paulo, Valmir Santos faz a crítica de Policarpo Quaresma, espetáculo em que Antunes Filho faz sua leitura do romance de Lima Barreto.
Colaboraram nesta edição:
Daniele Avila Small, Dinah Cesare, Luciana Eastwood Romagnolli, Raphael Cassou, Valmir Santos.
Editoras:
Daniele Avila Small e Dinah Cesare.
Questão de Crítica – revista eletrônica de críticas e estudos teatrais
ISSN 1983-0300
Vol. III, nº 21, maio de 2010
Nome, dança, espaço, alteridade, autoria

Procuro aqui puxar e ligar alguns fios. Dois espetáculos fizeram curtas temporadas no Rio de Janeiro nesse mês de maio: Otro or weknowitsallornothing, do Coletivo Improviso, do Rio, e Vida, da Companhia Brasileira de Teatro, de Curitiba. Otro estreou aqui com jeito de pré-estreia, fez três semanas na programação do Projeto Entre, no Espaço Cultural Sérgio Porto e segue para outros países. Vida, depois de estrear no Festival de Curitiba e cumprir temporada por lá, fez seis apresentações no Espaço Tom Jobim.
Com uma ajudinha dos meus amigos

Oh I get by with a little help from my friends,
hm Gonna try with a little help from my friends,
Oh I get high with a little help from my friends,
Yes I get by with a little help from my friends,
With a little help from my friends .
(Trecho da música With a Little Help From My Friends. Escrita por John Lennon e Paul MCartney. (1967). Do álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. The Beatles.)
A casa número 10050 da Cielo Drive, no elegante bairro de Bel Air em Los Angeles, entraria para a história como o palco de um dos episódios mais brutais e sangrentos da recente história criminal norte-americana. Na noite de 9 de agosto de 1969, quatro jovens na casa dos 20 anos – um homem e três mulheres – seguidores de uma seita fundada por Charles Manson, invadem a residência do diretor cinematográfico Roman Polanski, assassinam a sangue frio sua esposa, a atriz Sharon Tate, então grávida de oito meses, e mais quatro amigos do casal. As vítimas foram torturadas, esfaqueadas e espancadas até a morte, o sangue delas foi usado para escrever mensagens nas paredes. Em uma delas foi escrito Pigs (Porcos). Na noite seguinte, o mesmo grupo invade outra casa da região. Matam o empresário Leno La Bianca e sua mulher, valendo-se do mesmo modus operandi. As mensagens escritas na parede da casa desta vez, também com o sangue das vítimas, foram: Helter Skelter (Confusão), Death to pigs (Morte aos porcos) e Rising (Insurreição).
Antunes, Policarpo de si

O paradoxo em Policarpo Quaresma é a sua competência. Antunes Filho inscreve seu nome na história do teatro brasileiro, entre outras razões, porque exímio compositor de cenas corais na mesma medida que consegue realçar a presença e o talento de uma atriz ou de um ator. Esses pilares estetas aparecem firmes no novo espetáculo do Grupo Macunaíma, extensão do Centro de Pesquisa Teatral. Mas deixam no ar uma segurança incômoda se colocada em perspectiva com voos mais arriscados nas proposições formais dos últimos trabalhos.
Uma tentativa de diálogo

A Companhia Brasileira de Teatro saiu do processo de dois anos dedicados à literatura de Paulo Leminski tendo gestado uma obra autônoma: Vida. Os temas do poeta paranaense sobrevivem no espetáculo que estreou no Festival de Curitiba na medida em que vão diretamente de encontro aos interesses do grupo, muito identificado à dramaturgia francesa de um teatro em que a palavra germina em contextos frágeis de conversação.