Revista eletrônica de críticas
e estudos teatrais
ISSN 1983-0300

Assine o conteúdo deste site

Editorial de junho/2009

Editorial de junho/2009

 

Publicado em:


10/06/2009

Autor:


Questão de crítica

comentários (1)


Comente aqui


A edição do mês de junho de 2009 começou a ser elaborada a partir de uma reavaliação do exercício de crítica que fizemos até agora e de um esforço de retomar os questionamentos que nos motivaram a elaborar o conceito da revista num primeiro momento. O teatro continua sendo o nosso objeto único. A criação de um espaço crítico que fale eminentemente de teatro não visa a contribuir para a criação de territórios. Nossa intenção é exercitar um pensamento que olhe as especificidades da linguagem teatral na busca de seus devires, ou seja, procurar por um "entre linguagens" na imanência de seus procedimentos.

No editorial de março de 2008, intitulado Somos todos vidraça, dissemos:

'A crítica que nos interessa é aquela que, em vez de analisar as obras através de uma estrutura dada de pensamento crítico, um protocolo de abordagem, nos permite desestruturar as formas a priori de pensar os objetos e, a partir disso, articular outros modos de conhecer.'

No entanto, não chegamos a formalizar o que seria esse protocolo de abordagem, nem como exatamente conseguiríamos 'desestruturar as formas a priori de pensar os objetos', para chegar nessa crítica que nos interessa. Depois de mais de um ano de exercício livre, surgiu a ideia de listar algumas regras que desestabilizassem hábitos comuns a uma ideia geral de crítica de teatro, herdados da crítica jornalística.

Em parte com inspiração na montagem da peça Festa de família - que trouxe a lembrança do filme homônimo realizado sob as regras do Dogma 95, elaborado pelos cineastas dinamarqueses Lars Von Trier e Thomas Vinterberg - fica estabelecido o DOGMA QUESTÃO DE CRÍTICA, um conjunto de regras para nortear a escrita dos nossos textos críticos. A princípio, nos propomos a experimentar essas regras pelos próximos três meses.

DOGMA QUESTÃO DE CRÍTICA

1 - As críticas não devem conter adjetivos ou advérbios de modo (e locuções adverbiais) que designem uma valoração desprovida de conceituação sobre o objeto analisado. Os advérbios de intensidade também devem ser evitados.
2 - Os críticos devem cuidar para não tratar o trabalho do ator como elemento independente do espetáculo, procurando discutir a materialidade da atuação sem reforçar o hábito da valorização da personalidade do ator.
3 - Os textos críticos não devem conter frases facilmente 'destacáveis', que possam ser citadas fora de seu contexto para validar ou desvalidar a obra ou qualquer um de seus elementos.
4 - O objeto em questão não deve ser comparado com nenhuma ideia de 'original', como texto escrito ou primeira montagem, salvo análises verticais, profundas, de uma hipótese muito bem fundamentada.
5 - Os textos críticos têm obrigatoriamente que ter uma hipótese.
6 - Os críticos não devem listar atores ou elementos do espetáculo sob o mesmo prisma de análise.
7 - Textos de programa não podem ser citados nas críticas.

 

Clique para imprimir

Assine e receba
nossa newsletter

        

Seções


Últimos textos