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Uma amiga anônima de Artaud

10 de abril de 2009 Traduções

Conversa de Alain e Odette Virmaux, realizada em 1978, com uma mulher que foi muito amiga de Antonin Artaud e que não quis que seu nome fosse revelado. Este texto foi traduzido em 1996 por ocasião do centenário de nascimento de Artaud.

Pergunta: Você foi amiga de Antonin Artaud, e uma amiga fiel, pois você pertence ao pequeno número daqueles que não o abandonaram na época dos internamentos. Você foi vê-lo no manicômio de Ville-Évrard e lhe escreveu quando estava internado em Rodez. Quinze anos antes, você esteve brevemente colaborando com ele para o Teatro Alfred-Jarry. Adivinha-se a riqueza dessa longa amizade e pressente-se que você seja talvez uma das pessoas mais indicadas para falar dele sem deformá-lo. Ora, você tem se abstido de se juntar ao coro inumerável de todos esses que o tem evocado frequentemente, mesmo o tendo conhecido muito menos que você. Por que esse silêncio?

Uma visita a Sarcey

10 de março de 2009 Traduções

Uma visita a Sarcey é uma tradução de Helena Mello do livro Um século de crítica dramática, organizado por Chantal Meyer-Plantureux. Francisque Sarcey (1827-1899) é considerado a figura mais célebre da crítica francesa que nasce no fim do século XIX. Durante 32 anos, o “tio”, como era chamado, teve suas críticas publicadas todas as segundas-feiras até maio de 1899, ano de sua morte.

Aconselhado por alguns amigos, fui fazer uma visita a Francisque Sarcey. Eu devia agradecer o comentário que ele havia consagrado ao Mauvais Berger e também lhe levar os votos de ano novo. No momento em que eu entrei, o velho crítico saía da mesa. Ele estava sentado, ou melhor, esprimido em uma poltrona, rosto muito vermelho e congestionado, o olhar sonolento, a boca caída. Porém, ao me ver, apesar de sua prostração, ele exclamou no  tom de falsa e trivial bonomia que lhe é particular:

– Ah! Ah! …. É você? …Então, eu fiz um artigo para você, meu rapaz!

Crítica do espetáculo Fragments

15 de julho de 2008 Traduções

Este artigo foi publicado originalmente em inglês, na revista eletrônica The British Theatre Guide

O Théâtre des Bouffes du Nord de Peter Brook está localizado numa vizinhança parisiense geralmente chamada de ‘o gueto’ ou ‘local para não-ir’. Os trens do metrô chocalham ao longo dos trilhos suspensos, passando acima de clamorosos engarrafamentos e ruas transbordando de aglomerações multiculturais. Os gentis aromas dos restaurantes indianos e das mercearias africanas podem ser sentidos na brisa. Dentro do edifício, o auditório não-reformado da companhia, com paredes marcadas e uma cúpula esplêndida e despida de ornamentos, se parece mais com uma catedral devastada pela guerra do que com o teatro burguês coberto de ouro e veludo que foi no século XIX. Há algo de majestoso nos restos desfarelados do procênio feito de pedra e nas paredes descobertas. O espaço tem o ar de uma Hécuba envelhecida após o saqueio de Tróia, a cabeça ainda erguida, e o que se perdeu em ouro e veludo foi ganho em calma, em dignidade sem adornos.

Fragments no Bouffes du Nord: um Beckett longe dos clichês

15 de julho de 2008 Traduções

A crítica de Jean-Pierre Thibaudat foi publicada originalmente no blog Balagan, no site Rue 89, em março de 2008.

Brook monta quatro pequenos sopros de Beckett e faz uma boa ação para a humanidade. Eles estão lá como dois amigos que se reencontram, bebendo alguma coisa, falando de tudo e de nada, da vida que passa, rindo de tudo e de nada e, em primeiro lugar, da condição humana. Oferecendo aos espectadores a passagem de um pouco de alegria por seus caminhos durante uma hora.  É também simples, é também belo, porque é o reencontro do velho Peter e do velho Sam, dois moleques que constroem sua cabaninha, que se divertem e cochicham um segredo.

No Rio, o Teatro da Vertigem leva o espectador de barco

10 de junho de 2008 Traduções

Blog Balagan, do site Rue 89.

Tradução de Felipe Vidal

Jean-Pierre Thibaudat é escritor e jornalista. Publicou recentemente uma biografia do dramaturgo Jean-Luc Lagarce, Le Roman de Jean-Luc Lagarce, pela editora Les Solitaires Intempestifs, e um ensaio sobre a sua obra intitulado Jean-Luc Lagarce, pela editora Cultures France. É conselheiro artístico do festival Passages à Nancy e escreve regularmente para o blog Balagan, no site Rue 89, onde a crítica do espetáculo BR-3 foi publcada originalmente.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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