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Otro [ou] Weknowitsallornothing [ou] Ready To

17 de junho de 2010 Traduções
Foto: divulgação

O trabalho experimental do Coletivo Improviso é tão profusamente multifacetado que desafia sua própria definição, até mesmo num mundo de performances interdisciplinares. Fundado por Enrique Diaz em 1998, o coletivo de nove dançarinos, atores, músicos e um videoartist, existe para facilitar encontros criativos entre artistas de tão variadas disciplinas e formações, para providenciar um espaço comum de oficinas, aprender uns com os outros, pesquisar potenciais novas formas de codificar material e engajar os espectadores. O resultado é uma cornucópia vibrante de movimento, imagem, som e texto, cintilante de sensualidade, riso, ironia e compaixão. Confesso que eu fiquei tão encantada, que fui ver duas vezes. O espetáculo acolhe o espectador com calor e generosidade, faz com que ele vá de encontro a uma exposição enérgica e ricamente texturada da fragmentação e da confusão humanas, para deixar a todos com uma profunda sensação de que tudo está conectado. Cada indivíduo também é uma molécula numa entidade vasta, orgânica e cósmica.

A reprise (resposta ao pós-dramático)

19 de março de 2010 Traduções

Vol. III, nº 19, março de 2010

O artigo aqui traduzido foi publicado como introdução ao livro Études Théâtrales 38-39/2007 – La Réinvention du drame (sous l’influence de la scène).

“Reprise: I. […] 2º Ação de fazer de novo depois de uma interrupção […]. 4º (1611, “reparação”) Técnico. Reparação de uma parede, de um pilar […]. 5º Remendar um tecido para reconstituir sua tecelagem […] II. 1º O fato de voltar a vida, vigor (planta). O fato de dar um novo impulso após um momento de parada, de crise […] 2º O fato de recomeçar, de voltar.” (Petit Robert)

A obra de Hans-Thies Lehmann recentemente publicada na França (1) e, mais largamente, a moda do nome “teatro pós-dramático” têm ao menos a vantagem de lembrar-nos da dissociação entre teatro e drama: o drama – entendamos a forma dramática – não está mais necessariamente no fundamento do teatro; há todo um teatro que não consiste mais na encenação de um drama anteriormente escrito, um teatro que às vezes vira as costas para o drama.

Francisque Sarcey

26 de fevereiro de 2010 Traduções

Os textos de Gustave Larroumet (1852-1903) – professor na Sorbonne, membro do Instituto, diretor das Belas Artes depois Secretário perpétuo da Academia de Belas artes e Jules Lemaître (1853-1914) – escritor, critico, acadêmico que foi uma das grandes vozes do anti-dreyfusismo à frente da Liga da Pátria Francesa, são homenagens póstumas a Francisque Sarcey. Estes artigos, paradoxalmente, parecem justificar todas as críticas formuladas enquanto vivo.

[…] Como todos os escritores originais, Sarcey representou duas coisas : ele mesmo e seu tempo, quer dizer, um caráter original e a vida intelectual de uma geração. Francês de origem, ele trouxe do nascimento um conjunto de qualidades essenciais e atávicas : a necessidade de compreender e de julgar por ele mesmo, que é a razão e o senso do justo e da prática, que é o bom senso, o dom de destacar razão e bom senso pela notação rápida, viva e engraçada, dos relatos e dos contrastes, que é o espírito. […]

Sobre Saxo, Hamlet e a performance

22 de janeiro de 2010 Traduções

Hamlet, Don Juan, Doutor Fausto e Arlequim são arquétipos bastardos que não conhecem suas mães e seus vários pais. Eles adentraram em nossa cultura moderna através das primeiras companhias profissionais especializadas em vender entretenimento no nascimento do teatro Europeu, na ‘Era de Ouro’ entre os séculos XVI e XVII.

Estes foram anos de pragas, suspeitas, massacres, intolerância e guerras religiosas. Hamlet, Don Juan, Doutor Fausto e Arlequim chegaram ao palco escondendo sua natureza bárbara e feroz sob um arco-íris de comentários bem-humorados e pensamentos profundos. Todos os quatro eram peritos na arte de se livrar de seus adversários com armas, sagacidade e feitiços. O cheiro de uma cultura refinada dissimulou seus odores acres de sangue, sexo e violência, transformando-os em jóias da arte. Assim, eles não são mais capazes de nos assustar. Nesse traje fantasioso, poético, filosófico e melancólico, eles vivem nos livros escolares e perfumam a nossa vida intelectual adulta. Mas a sua substância original, crua e sem ilusões, faz deles nossos irmãos zombeteiros e repugnantes, bem ajustados ao nosso século XXI. 

Marianne Lamms

10 de julho de 2009 Traduções

Diversas testemunhas disseram tê-la visto em companhia de Artaud. Ela fora membro do “Grand Jeu” (Grande Jogo), onde Roger Vailland a teria introduzido. Depois disso, ela faria do jornalismo tudo para prosseguir obstinadamente em suas pesquisas em astrologia, geomancia e numerologia. Paixão dos números a qual Daumal e Gilbert-Lecomte a tinham encorajado. Ele não estava surpreso que isso a conduziria a cruzar um dia a rota de Artaud. Ela não o tinha encontrado muitas vezes, mas algumas trocas seriam suficientes para que ela ficasse impressionada com a vida. Ainda hoje, ela o confunde numa lembrança um pouco fascinada com seus amigos do Grande Jogo.

Pergunta: O que você fez para conhecer Artaud em sua época?

Resposta: Isso se passou em 1933, no momento, eu creio, quando ele preparava Heliogábalo. Roger Gilbert-Lecomte é que me tinha sugerido a encontrá-lo. Ele me dizia mais ou menos: “É pena que não o conheça, com as pesquisas que você faz!” Eu compreendi mais tarde que ele tinha, ao mesmo tempo, falado de mim a Artaud. Ele o amava muito. Daumal também, mas um pouco menos. Sim, o pintor era mais reservado: quando soube que eu tinha visto Artaud, me disse para ficar atenta.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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