Estudos

Rasuras sobre o conceito de figura em Samuel Beckett

10 de março de 2009 Estudos

Figura segundo Auerbach

Podemos dizer que Auerbach e Beckett foram contemporâneos, tendo Auerbach nascido em 1892. A diferença de idade entre os dois era de quatorze anos, sendo Beckett de 1906. Para nós, o estabelecimento de uma aproximação com um dos mais importantes críticos e historiadores da literatura europeia da primeira metade do século XX visa iluminar ou encaminhar um argumento de análise do processo de figuração na obra de Beckett, tendo como ponto de referência inicial, ou como ponto de partida, o conceito de figura de Auerbach. Ler Beckett com a chave de Auerbach em nada me parece apropriado, mas este talvez seja o método adequado quando não se crê em leituras definitivas: ler ou tentar abrir portas com chaves trocadas. Fazer aproximações, traçar paralelismos, explorar de coincidências e dar forma a reflexões vagas. Tentar moldar fechaduras por chaves, e chaves por fechaduras, de antemão tendo consciência da impossível tarefa, mas garantido o jogo. Assim, Auerbach e Beckett, para além dos quatorze anos que separam as vidas e as obras de um crítico judeu alemão e de um escritor protestante irlandês: nos empenharemos em sobrepô-los forçosamente, garantindo um jogo ganhar e/ou perder no nosso processo de análise crítica e compreensão histórica.

Comédias e costumes

10 de fevereiro de 2009 Estudos

“Qual autor ou autores mais importantes
da literatura dramática brasileira?
Tive que responder: Gonçalves Dias e Martins Pena
Ruggero Jacobi

Na primeira metade do século XIX nasce o romantismo na literatura brasileira, inspirado diretamente nas conquistas românticas já em curso em toda a Europa, na busca por uma identidade nacional. Tanto na poesia quanto na prosa e no teatro, foram surgindo as primeiras manifestações desses ideais. Data deste período, mais precisamente de 1815, o nascimento de Martins Pena, que, assistindo a importantes acontecimentos históricos de nossa terra, como a independência do Brasil em 1822 e a abdicação de D. Pedro I em 1831 (episódio este que vai ser tema do seu conto de estréia, “Um episódio de 1831”, publicado em abril de 1838 na revista Gabinete de Leitura), viria a falecer precocemente aos trinta e três anos, em 1848.  

A cultura e a arte no ciberespaço

16 de janeiro de 2009 Estudos

Introdução

Com o aparecimento da internet, surgiram novos formatos de divulgação de informações. Os veículos de comunicação migraram para este novo meio, criando espaços de interação com seus públicos. Grandes portais oferecem a cada dia mais serviços aos seus usuários. Os meios virtuais não apresentam os mesmos problemas de restrição ou censura dos meios impressos, ampliando a possibilidade de relações entre temas. Além do mais, agrega-se a isso os vínculos com as produções audiovisuais.

Ao mesmo tempo, o teatro sofreu mudanças importantes, abrindo espaço para propostas que incluem muitos outros elementos, além do texto, dificultando uma análise crítica, até então, basicamente, literária.   No mundo contemporâneo, os dramaturgos e encenadores se permitem construir, reconstruir e criar propostas cênicas que antes não eram sequer imaginadas. Enquanto isso, a crítica foi perdendo seu espaço nos jornais e sendo substituida pelas agendas de espetáculos, priorizando os aspectos comerciais. Blogs, colunas, comunidades de Orkut etc, são alguns dos novos formatos para a circulação da opinião. A cultura passou a ser mais um negócio no mundo capitalista. Todos estes novos procedimentos e códigos exigem um novo olhar, uma nova relação com a arte.

Vertigem ética e estética

15 de novembro de 2008 Estudos

Gostaria de abordar a questão da cidadania que atravessa o trabalho do Teatro da Vertigem e, por extensão, as correlações entre ética, estética e política. Para tanto, alguns aspectos me parecem centrais: a) o grupo sente-se mobilizado em torno de temas/questões que tensionam a sociedade e nela flagram posições díspares, conflituosas ou em oposição; b) as temáticas religiosas encontram junto ao grupo um apelo muito forte, o que aponta para uma dimensão vital dentro da sociedade: as implicações da fé, das crenças e dos sistemas de valores; c) os logradouros públicos escolhidos para os espetáculos priorizam as interfaces sociais que os revestem, suas condições de “espaços em disputa”; d) o grupo pratica inúmeras modalidades de pedagogia, sejam internas ao coletivo sejam externas, abertas e voltadas para a sociedade.

A verdade é vertiginosa

15 de novembro de 2008 Estudos

Partindo da epígrafe de Haroldo de Campos, “A verdade é vertiginosa”, a proposta aqui apresentada discute questões fundamentais para a arte moderna e para as experimentações teatrais contemporâneas, tais como, o questionamento do caráter de representação da arte, a interação entre a obra, os vazios e o receptor e a problematização dos conceitos de personagem, persona e figura. A multiplicidade de seus discursos imprime na modernidade uma fisionomia vertiginosa, caótica, intempestiva, voltada contra si mesmo, como queria Nietzsche. A potência do simulacro, força motriz da filosofia deleuziana, pode ser uma interessante interlocução para a cena contemporânea e sua condição de jogo que tende a embaralhar as cartas marcadas. Em Platão e o Simulacro, Gilles Deleuze vai discutir o projeto filosófico denominado por Nietzsche de reversão do platonismo. O aforismo reverter o platonismo, pode ser compreendido no sentido de se trazer à tona os simulacros e potencializar seus direitos no mundo das cópias.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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