Críticas

Dramaturgia e cena – potências em tensão

10 de abril de 2008 Críticas
Atrizes: Cristina Flores e Marcia do Vale. Foto: divulgação.

A feminista Valerie Solanas publicou em 1968 o SCUM Manifesto – Society for cutting up men. Esse manifesto apresenta uma postura radical e contundente, sem disposição para o diálogo, propondo a aniquilação do homem. Solanas, atriz e escritora, foi uma figura incomum, que debateu o capitalismo, mendigou nas ruas e foi bissexual assumida. Porém, a feminista que ficou em nossa memória foi Beth Friedman, que tinha um discurso mais apaziguador, que falava diretamente à dona de casa e acabou tendo como máxima: queimem os sutiãs! Solanas atirou a queima roupa em Andy Warhol no interior da Factory. Warhol nunca se recuperou totalmente. A figura de Solanas e seu manifesto inspiraram a dramaturgia do espetáculo Onde você estava quando eu acordei?, que está em cartaz na Casa do Mercado.

Literatura e teatro, citações e comentários

10 de abril de 2008 Críticas
Foto: Jardel Maia. Atores: Daniela Fortes, Marina Vianna e Leonardo Netto

Toda disciplina ou arte tem, em algum momento, a sua besta negra. A teatralidade já foi a besta negra das artes visuais, o anacronismo é a besta negra para certa noção de História e a literatura é a besta negra do teatro. Não é raro que se diga, ou que se tenha dito, pejorativamente, que determinado espetáculo privilegia o elemento literário em detrimento do teatral.

Entrega e resistência

10 de abril de 2008 Críticas

O espetáculo Cuidado com o cão, em cartaz na sede da Cia do Atores, será analisado aqui a partir das propostas da Cia de Teatro Íntimo, explicitadas no programa da peça:

“Segunda experiência com dramaturgia própria. Seis monólogos são transformados, viram diálogos e resultam num espetáculo vigoroso. Quando duas mulheres buscam se libertar da opressão masculina, a reação é violenta. A direção persegue o essencial e a entrega dos atores é impressionante. Palco e platéia já são uma coisa só. A fragmentação da cena permite várias leituras da história. A luz vai para as mãos de quem assiste. O espectador é que decide o que vai ser iluminado durante o espetáculo e, assim, constrói o seu próprio enredo. Violência e delicadeza se alternam. A proposta da encenação é mais ousada e a intimidade, muito mais veemente.”

Epílogo, resíduo ou conclusão

10 de abril de 2008 Críticas
Performance Luz (-). Foto: Dalton Camargos

O programa 3 do festival Resta pouco a dizer traz as peças de Beckett Eu não e Rascunho para Teatro II, além das performances Luz –, Respiração – e Luz +. Há também outra performance cujo nome não consta no programa da peça. A performance inicial, Luz –, funciona, por semelhança aos programas 1 e 2, como um prólogo. Ela anuncia a polaridade luz/escuridão como tema. O desenvolvimento do tema, no entanto, não vai além do que já está apresentado no prólogo: tanto esta performance como as que vão ser apresentadas a seguir parecem não explorar o tema de fato, elas têm uma função apenas ilustrativa. A simplicidade das performances do programa 2 se tornou simplificação no programa 3.

Somos todos irmãos?

6 de abril de 2008 Críticas

Ator: Rodolfo Vaz. Foto: divulgação.

 

Salmo 91, dirigido por Gabriel Villela, que está em cartaz no Teatro Poeira, encena a dramaturgia de Dib Carneiro Neto baseada no livro Estação Carandiru de Drauzio Varella. A encenação é composta por uma estrutura de monólogos, onde os atores representam personagens inspirados em participantes do trágico acontecimento. São ao todo dez depoimentos que se sucedem sem a intermediação de uma narrativa dramática que os ligue. A idéia contida nesta estrutura é a de que estamos diante de uma fatia da realidade, que no caso, significa ouvir dos próprios presos sua versão dos fatos. Esse modo de composição geralmente causa uma sensação de crença no que estamos assistindo, ou seja, que a cena representa um acontecimento real.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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