Autor Valmir Santos

Poética da perspectiva

28 de maio de 2015 Críticas

 

Foto: Bob Souza.
Foto: Bob Sousa.

Vol. VIII nº64, maio de 2015.

Resumo: O texto analisa o projeto artístico Karamázov à luz das formulações teóricas de Floriênski no ensaio A perspectiva inversa. A Companhia da Memória adota procedimentos de dramaturgia, cenografia e atuação que quebram as hierarquias de fundo e forma na percepção do espectador. A adaptação assertiva do romance de Dostoiévski é composta por três espetáculos que podem ser vistos na mesma noite ou em dias alternados: Uma anedota suja, Os irmãos e Os meninos.

Instabilidades na recepção crítica ao teatro de pesquisa

27 de dezembro de 2013 Estudos

Correlacionamos aspectos pontuais da historiografia da crítica teatral para perceber a atividade aos olhos da cena contemporânea irradiada da cidade de São Paulo, onde atuamos no jornalismo cultural. Gradações humanistas, políticas e sociais refletidas agudamente na produção do período da ditadura militar ganham tonalidades outras, e não menos contundentes, sob a paleta do teatro de pesquisa e a voga dos grupos. Conjunções artístico-ideológicas demandam ao profissional ou ao militante da crítica sintonizar também porosidades para além das linguagens e estéticas. Tocar o fio de alta tensão condutor de arte e cidadania. Localizar no radar a demagogia e a incisão.

Guinsburg e Patriota anotam que as temporadas de meados dos anos de 1960 em diante tornaram evidentes o fortalecimento de vínculo entre arte e política, o engajamento em causas populares e a recusa da chamada concepção burguesa. Tudo em defesa de obras que transcendessem as salas de apresentação. Esse processo precipitou novamente a valorização do texto com eixos históricos e sociais. Fruto das sementes da politização pré-ditadura espalhadas pelos Seminários de Dramaturgia do Teatro de Arena, a partir de 1958, e dos Centros Populares de Cultura, os CPCs da União Nacional dos Estudantes, a UNE, despontados poucos meses depois.

Antunes, Policarpo de si

21 de maio de 2010 Críticas
Foto: Emidio Luisi

O paradoxo em Policarpo Quaresma é a sua competência. Antunes Filho inscreve seu nome na história do teatro brasileiro, entre outras razões, porque exímio compositor de cenas corais na mesma medida que consegue realçar a presença e o talento de uma atriz ou de um ator. Esses pilares estetas aparecem firmes no novo espetáculo do Grupo Macunaíma, extensão do Centro de Pesquisa Teatral. Mas deixam no ar uma segurança incômoda se colocada em perspectiva com voos mais arriscados nas proposições formais dos últimos trabalhos.

Diálogo inventivo com a tradição

19 de março de 2010 Críticas
Atriz: Gilda Nomacce (em foco). Foto: Nelson Kao.

A imagem do título suscita as razões e as emoções sampleadas em O ruído branco da palavra noite. Um espetáculo para escutar, nem tanto para ver – uma contradição em partes, plenamente amparada na saudação incondicional ao teatro.

O espetáculo da Companhia Auto-Retrato ergue-se sob uma atmosfera poética austera na forma e um atavismo humanista transbordante no conteúdo. Sua concepção é assertiva, invulgar em todos os elementos que elege para a cena e conectada ao espírito revolucionário de uma época: um corte profundo na paisagem teatral da Rússia sacudida por transições socialistas e comunistas naqueles anos de virada dos séculos XIX para o XX.

Uma visita atemporal ao repertório da Companhia Dos à Deux

27 de janeiro de 2010 Críticas

De São Paulo, SP

Samuel Beckett e teatro gestual. Esse encontro nem tão ponderável assim está na origem da Companhia Dos à Deux, no final dos anos 1990, instada a engravidar o verbo de sentidos e silêncios outros, físicos e simbólicos. Daí a surpresa deste espectador ao cruzar com a referida montagem que batiza o grupo somente no início de 2010, cinco anos após assistir a Saudade em terras d’água, sua sexta produção. E, para celebrar de vez, ainda se permitir agora a chance de fruir a gradação de linguagem dos mesmos criadores, Aux pieds de la lettre, o quarto espetáculo, de 2001, síntese arguta do espírito artístico que move o duo brasileiro radicado na França.

Artur Ribeiro e André Curti abriram o Ano-Novo teatral na capital paulista com as duas peças-chaves do repertório. No constrangedor espaço da Caixa Cultural, o térreo do edifício do banco na Praça da Sé, eles contornaram a precariedade acústica e a inexistência de arquitetura cênica. Não diluíram um centímetro do rigor minimalista das atuações. Proporcionaram rara oportunidade de conferir em retrospectiva os passos que os trouxeram até aqui.

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Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

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