Autor Natalia Nolli Sasso

Elas chegaram na sala

27 de agosto de 2013 Críticas
Foto: Divulgação.

São Paulo pode ser uma cidade extremamente masculina. Apesar das noções de gênero se apresentarem cada vez mais difusas, e nada mais ser só isso ou aquilo, ouso pensar na virilidade dessa cidade como feição predominante de seus traçados e contornos. Não é preciso ir muito longe, ou basta olhar ao redor, para que a arquitetura e a paisagem mostrem quão masculina pode parecer essa metrópole. Começa por seu nome. Mas são suas estruturas e desestruturas que chamam minha atenção: o gesto de arranhar um céu impossível de se alcançar, desordenadamente, como um garoto prodígio; ou o movimento concreto de se acotovelar em desenhos monumentais, competitivos; a enormidade de escala, o exagero das armações, e o crescimento em sentido vertical, via de regra.

Muitos Baskervilles para um só Nelson

31 de março de 2013 Estudos
Foto: Divulgação.

Tenho uma fotografia emoldurada e protegida por vidro, cujo autor desconheço. Tudo que me lembro sobre ele diz respeito à procedência: um francês, contemporâneo – e acrescentei a essa inexatidão de informações um gênero: um homem, por dedução. Ela chegou até mim como presente. No começo não prestava muita atenção. Fiquei em dúvida sobre onde colocá-la, e assim passou mais de um ano guardada atrás de uma pilha de livros. Na indecisão, esqueci-me dela completamente. Foi durante uma mudança, enquanto desencaixotava objetos, que a resgatei de uma caixa, e resolvi trazê-la para a luz.

Era vidro e se quebrou ou um comentário sobre a peça

23 de fevereiro de 2013 Críticas
Elenco: Cácia Goulart, Inês Aranha, Edmilson Cordeiro, Joaquim Goulart e Bia Toledo. Foto: Divulgação.

Joaquim Goulart poderia ter escolhido mais um Plínio Marcos para levar à cena. Ele e seu Núcleo Caixa Preta também poderiam ter recapitulado a Medeia de Riaza, anos depois do fechamento do Teatro Augusta*. Ou, numa terceira via, poderiam ter empreendido levar ambas as peças, nalgum lugar entre a Boca do Lixo paulista e a Espanha pós-Revolução de Luis Riaza.

Mas, com a escrita de seu dramaturgo, Vadim Nikitin, O Abajur Lilás ou uma Medeia perdida na Augusta? recorre ao cruzamento dessas obras sobre o asfalto gasto de uma Rua Augusta (Rua Angústia?, como pergunta a certa altura o Ator ao seu Analista), para gerar uma quarta obra. São três as tramas a trafegar pelo fluxo intenso da rua paulistana: as duas obras citadas e cenas de uma sessão psicanalítica, que – segundo o diretor e ator Joaquim Goulart – têm carácter biográfico, e trazem para a cena questões inquietantes, latejantes a esse artista, também ex-proprietário do Teatro Augusta, casa que abrigou realizações teatrais frutos da parceria com sua irmã, a atriz Cácia Goulart. Essas escolhas fazem do espetáculo um exercício de espelhamento entre as duas peças atravessado por cenas da sessão psicanalítica.

Newsletter

Edições Anteriores

Questão de Crítica

A Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais – foi lançada no Rio de Janeiro em março de 2008 como um espaço de reflexão sobre as artes cênicas que tem por objetivo colocar em prática o exercício da crítica. Atualmente com quatro edições por ano, a Questão de Crítica se apresenta como um mecanismo de fomento à discussão teórica sobre teatro e como um lugar de intercâmbio entre artistas e espectadores, proporcionando uma convivência de ideias num espaço de livre acesso.

Edições Anteriores